Diretor da Rio Trilhos é preso na Lava Jato

10.06.2015 - Rio de Janeiro - RJ - Governador Luiz Fernando Pezão faz viagem inaugural do primeiro trem do metrô da Linha 4 e visita às obras da Estação General Osório, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Carlos Magno

Procuradores investigam corrupção na linha 4 do Metrô

ADAMO BAZANI

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 14 de março de 2017, mais uma fase da Operação Lava Jato.

Foram presos diretor da Rio Trilhos, Companhia de Transportes sobre trilhos do Estado do Rio de Janeiro, Heitor Lopes de Sousa Junior, e o atual subsecretário de Turismo do estado e ex-subsecretário de Transportes, Luiz Carlos Velloso.

Eles são suspeitos de participarem de um esquema de corrupção e pagamento de propina em contratos para construção da linha 4 do Metrô.

De acordo com depoimentos de executivos da Carioca Engenharia, havia cobrança de propina em contratos bilionários de obras civis.

Heitor, ainda de acordo com os depoimentos, recebia propina do canteiro em dinheiro vivo. Ele era sócio de duas empresas que prestavam serviços para construção da linha 4 do metrô.

Os procuradores justificaram o pedido de prisão, concedido pelo juiz Sérgio Mouro, diante de uma possível fuga dos acusados. Heitor a mulher estavam tentando entrar com um pedido de cidadania portuguesa .

A força-tarefa também pede o bloqueio de bens de R$ 36 milhões de Heitor e de R$ 12 milhões de Velloso.

A linha 4 tem atrasos nos cronogramas e custa quase o dobro do previsto inicialmente. Quando foi lançado o projeto da linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, a estimativa era de que o sistema custaria R$ 5,5 bilhões para ser entregue, valor que foi para R$ 9,8 bilhões, incluindo 15 composições.

A polícia investiga a atuação dos acusados com Sérgio Cabral, ex governador do Rio de Janeiro, preso em novembro do ano passado, acusado de cobrar propina de empreiteiras para fechar contratos de obras com o Estado.

Cabral foi preso na Operação Calicute, um dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

As construtoras se associavam para fraudar licitações. As empresas sabiam previamente quem iria ganhar as concorrências e se revezavam.

TRANSPORTES NA MIRA:

Já não é a primeira vez que nomes associados ao transporte coletivo são envolvidos em Investigações da Lava Jato.

O juiz federal Sérgio Moro condenou no dia, 2 de março de 2017, o empresário de ônibus e dono do jornal Diário do Grande ABC, Ronan Maria Pinto, a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro. Também foi condenado à mesma pena, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.

A condenação se refere a 27ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada em 1º de abril de 2016, denominada Operação Carbono 14, mas ele responde em liberdade.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam um empréstimo considerado fraudulento do Banco Schahin por meio do pecuarista José Carlos Bumlai. Segundo as investigações, o dinheiro foi para o PT, que nega a acusação. Ainda de acordo com a equipe de investigadores, metade do valor foi para dívidas do partido e outra metade para Ronan Maria Pinto porque o empresário de ônibus estaria chantageando o PT e ameaçando envolver o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros dirigentes do PT, como Gilberto Carvalho, José Genoíno e José Dirceu, no caso da morte do prefeito de Santo André Celso Daniel em 18 de janeiro de 2002.

Com os cerca de R$ 6 milhões, Ronan pagou dívidas com fabricantes de ônibus e conclui a compra do jornal Diário do Grande ABC.

Em outro desdobramento, no dia 13 de agosto de 2015, na 18ª fase da Operação Lava Jato, policiais federais cumpriram mandados de apreensão nos escritórios dos advogados especializados em transporte, Sacha Reck e Guilherme Gonçalves.

A 18ª fase investiga desvio de até R$ 52 milhões em contratos entre a Consist Software e o Ministério do Planejamento . A empresa de informática é suspeita de repassar verba de contratos com o Ministério do Planejamento a operadores da Lava Jato, que indicavam como destino da propina outras empresas, como escritórios de advocacia.

Os procuradores suspeitam de irregularidades e desvios em serviços dos advogados de transportes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes