Viações X Urbs: Empresas reclamam de demanda e prefeitura multa por atrasos

 

Gerenciadora

ADAMO BAZANI

Diante das discussões de quanto será a tarifa técnica, que é o valor que as empresas de ônibus recebem da prefeitura de Curitiba por passageiro transportado, hoje em R$ 3,66, o Setransp, sindicato que reúne os empresários de ônibus de Curitiba e região metropolitana, divulgou nesta sexta-feira, 10 de março de 2017, uma tabela na qual diz a que a média de passageiros transportados entre março de 2016 e fevereiro de 2017 foi de 16,5 milhões pessoas por mês.

Segundo ainda as empresas de ônibus,  como a Urbs – Urbanização de Curitiba S. A., gerenciadora do sistema, havia projetado uma média mensal de R$ 17, 6 milhões, houve um déficit de 1,1 milhão no número de passageiros,  o que, de acordo com os empresários, resultou em prejuízo de R$ 50 milhões às viações.

Os empresários de ônibus querem uma tarifa técnica de ao menos R$ 4,57. Hoje a tarifa paga pelo passageiro em Curitiba é de R$ 4,25. O reajuste para o passageiro foi de em 6 de fevereiro, quando até então a tarifa era de R$ 3,80.

A remuneração das empresas leva em conta número de passageiros transportados, viagens realizadas, entre outros fatores. Ao tentarem demonstrar que têm transportado menos pessoas, as empresas querem uma tarifa técnica maior. Quanto mais pessoas transportadas, entre mais pessoas será a divisão dos custos e menor será a tarifa técnica unitária.

Em nota, o Setransp ainda afirma que contratou um estudo da consultoria Ernest & Young , muito procurada por outras empresas de ônibus em todo o País, que mostra que desde início do contrato de concessão, assinado em 2010, os prejuízos por causa dos dimensionamentos incompatíveis de demanda entre o que as viações alegam ter registrado nas catracas e as projeções da Urbs, provocou um prejuízo de R$ 1,3 bilhão. A Urbs – Urbanização de Curitiba S.A. afirma que a diferença entre o previsto e o transportado faz parte do negócio, que tem seus riscos e que a crise econômica brasileira, sobre a qual a gestão municipal pouco tem a fazer, provocou queda maior no número de pessoas que usam transporte público . O Setransp rebate e diz que o contrato não previa risco de negócio, como ocorre com outras atividades da economia

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“A média de passageiros pagantes no sistema de transporte de Curitiba foi de 16,5 milhões por mês no período tarifário de março de 2016 a fevereiro de 2017. Como a Urbs projetou uma média de 17,6 milhões, o resultado ficou 1,1 milhão abaixo da estimativa do órgão gestor, causando um prejuízo de cerca de R$ 50 milhões às empresas. Além disso, em nenhum dos 12 meses a previsão bateu com a realidade. A consequência é imediata: como o número de usuários é divisor dos custos, se ele não se concretiza, os custos não são cobertos.

 Foi isso, aliás, que comprovou o estudo técnico feito pela consultoria EY (Ernst & Young) nos contratos de concessão. Em janeiro de 2017, o saldo devedor dos investimentos das operadoras deveria estar em R$ 545 milhões. Porém, com o constante desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos, este saldo foi acrescido de R$ 755 milhões, chegando a R$ 1,3 bilhão neste momento.

 Para evitar que a projeção de passageiros fique distante da realidade, como vem ocorrendo desde o início do contrato, em 2010, as Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana entraram em contato com professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que, sob a coordenação do professor Cassius Scarpin, realizaram uma estimativa de usuários baseada nos contratos de concessão.

 Para o período tarifário de março de 2016 a fevereiro de 2017, a média mensal de passageiros calculada por eles foi de 16,3 milhões, bem próxima à realidade (16,5 milhões) e bem distante da projeção da Urbs (17,6 milhões).

 Para este período tarifário (março/2017 a fevereiro/2018), de acordo com análises dos professores da UFPR, a média mensal deve ser de 15,3 milhões de passageiros. Vale lembrar, como atesta a EY, que em nenhum local do contrato está escrito que a projeção de passageiros pode ser atribuída ao risco do negócio.

MULTAS:

A prefeitura de Curitiba, por meio da Urbanização de Curitiba S. A., informou na tarde desta sexta-feira, 10 de março de 2017, que aplicou nesta semana R$ 128 mil em multas às empresas de transporte pelo atraso na saída dos ônibus urbanos.

De acordo com a gestora, os valores das multas são calculados com base nas tabelas de horários que deixaram de ser cumpridas .

Ainda segundo a prefeitura, cinco das 10 empresas dos consórcios de transporte foram punidas pelos atrasos, de acordo com previsão no contrato.

Em nota, o presidente da Urbs, José Antônio Andreguetto, disse que houve uma falta de respeito para com os usuários.

“A Urbs está rigorosamente em dia com pagamentos e o que acontece é uma falta de respeito com os passageiros. Vamos fazer aquilo que é de nossa competência e cobrar para que os atrasos sem justificativas deixem de ocorrer”, disse o presidente da Urbs, José Antonio Andreguetto.

A gerenciadora ainda diz que durante a semana, a fiscalização constatou atrasos em linhas de cinco das dez empresas que operam o transporte coletivo, principalmente no período da manhã.

Nesta quinta-feira, 9 de março, ainda segundo a administração, um problema técnico no reservatório de combustível da empresa CCD acarretou em falha operacional e prejudicou a tabela de horário de algumas linhas. A empresa foi autuada.

Multas do transporte

Redentor: R$ 44.386,55

Sorriso: R$ 31.228,35

Santo Antonio: R$ 3.087,76

São José: R$ 26.245,96

Glória: R$ 11.579,10

CCD: R$ 11.579,10

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Viações X Urbs: Empresas reclamam de demanda e prefeitura multa por atrasos

  1. MARCOS NASCIMENTO // 10 de Março de 2017 às 17:29 // Responder

    A solução é simples como o corajoso prefeito de Blumenau fez em janeiro de 2016: CANCELAR o contrato dessa licitação fraudulenta de 2010 e RELICITAR tudo de novo e estimulando empresas de ônibus de todo o Brasil e do exterior operarem o transporte coletivo de Curitiba! Pena que não temos prefeitos machos neste país para resolver estas e outras trocentas irregularidades licitatórias que permeiam milhares de “contratos” existentes entre prefeituras e N empresas terceirizadas! Falta pulso, garra e força, coisa que apenas meia dúzia de prefeitos tem!

  2. Amigos, boa noite.

    O açougue fatura por quilo de carne vendida.

    O posto de gasolina fatura pelos litros de combustível vendido.

    A industria automobilística fatura pelo número e carros vendidos.

    Os caminhões faturam pela quantidade de carga transportada.

    E tantos outros exemplos.

    Agora se o buzão ransporta passageiros o seu faturamento será pelo número de passageiros transportados e pronto.

    Não inventem, resolvam os problemas.

    MUDA BRASIL.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Paulo Gil, boa tarde.
    Concordo com você, tinham que ganhar pelo número real de passageiros, do mais caiam fora e de lugar para outra empresa.
    O governo só deveria subsidiar gratuidades, o resto as empresas que se virem.

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