Serviços de transportes, em especial os terrestres, contribuíram para a queda, de acordo com o IBGE
ADAMO BAZANI
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou na manhã desta quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017, o resultado do setor de serviços de 2016.
De acordo com os dados, as atividades recuaram 5%, o pior resultado desde início da série em 2012. É o segundo ano de queda; em 2015, a baixa foi de 3,6%, o primeiro negativo resultado negativo da série.
Os serviços de transportes estão entre os que tiveram o pior desempenho.
Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços, as perdas do setor de transporte terrestre, o que inclui movimentação de carga e de passageiros, foram de 10,4%.
O resultado se explica pela atual conjuntura econômica brasileira.
O desemprego em alta fez com que o consumo caísse, prejudicando os transportes de mercadorias. Com a renda menor ou mesmo sem nenhuma renda, o brasileiro também passou a se deslocar menos, tanto em trajetos urbanos como em rodoviários, de uma maneira geral.
Em nota, o IBGE diz que em dezembro houve uma pequena elevação no setor de serviços em relação a novembro, mas que as atividades dependem de uma recuperação do setor industrial.
O volume do setor de serviços apresentou, no mês de dezembro, crescimento de 0,6% frente a novembro, na série com ajuste sazonal, após ter registrado alta de 0,2% em novembro e recuo de 2,3% em outubro. No confronto com igual mês do ano anterior, o setor registrou queda de 5,7%, a maior para o mês de dezembro nessa comparação desde o início da série em 2012. A taxa acumulada no ano de 2016 ficou em -5,0%. A receita nominal registrou variação de 0,5%, em dezembro frente a novembro, na série com ajuste sazonal, e na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 1,5%. A taxa acumulada da receita no ano de 2016 ficou em -0,1%. …
… Os resultados acumulados no ano evidenciam a acentuada retração das atividades de serviços em 2016, no qual o segmento de Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio acumulou a maior queda, com -7,6%, com destaque para o Transporte terrestre, com -10,4%. Nesse aspecto, é importante ressaltar a forte dependência do Transporte de cargas (rodoviário, ferroviário e dutoviário) em relação ao setor industrial, maior demandante deste serviço, tanto para o consumo de matérias-primas, como para a distribuição da produção. Dessa forma a recuperação dessa atividade vai depender da recuperação do setor industrial.
O segmento de Serviços profissionais, administrativos e complementares também se destacou por apresentar retração de 5,5% em 2016, com destaque para os Serviços técnico-profissionais, com queda de 11,4%. Essas atividades, que abrangem serviços intensivos em conhecimento, tais como: serviços jurídicos, contábeis, de auditoria, consultoria empresarial, serviços de engenharia e arquitetura, publicidade e propaganda, etc., dependem da demanda de outros setores institucionais, como indústria, comércio e governos, que restringiram seus gastos e investimentos em 2016, afetando sobremaneira seus resultados.
A variação acumulada dos Serviços de Informação e Comunicação situou-se no patamar de -3,2%, observando-se que os Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias, registraram a queda mais acentuada (-7,1%). O segmento de Serviços de tecnologia da informação manteve a sequencia de resultados acumulados positivos, muito embora a variação em 2016 tenha se situado em um patamar inferior ao observado nos anos anteriores.
Os Serviços prestados às famílias, com uma variação acumulada de -4,4% em 2016, dependem fundamentalmente da recuperação do poder de compra das famílias para retomar seu crescimento.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
