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Aumento de veículos nas ruas diminui velocidade média dos ônibus de Belo Horizonte, mostra BHTrans

congestionamento Belo Horizonte

Excesso de veículos prejudica desempenho do transporte público em Belo Horizonte - Paulo Komel / R7 MG

Os ganhos referentes à implantação de faixas e corredores são anulados porque quando os ônibus saem dos espaços exclusivos encontram o trânsito cada vez maior

ADAMO BAZANI

Com informações Estado de Minas

Relatório da BHTrans, empresa da prefeitura responsável pelo gerenciamento do trânsito e transportes de Belo Horizonte, mostra que mesmo com a implantação de faixas para ônibus e corredores como o BRT Move, 2016 teve a menor velocidade média no transporte coletivo desde 2009: 17,16 km/h no pico da manhã e 15,18 km/h no pico da tarde.

O dado leva em consideração todo sistema da capital mineira, incluindo as faixas, os corredores e as linhas onde os ônibus não recebem nenhuma prioridade no espaço público.

De acordo, com cruzamento de dados Denatran – Departamento Nacional de Trânsito, o aumento da frota de veículos particulares nas ruas tem agravado a situação do transporte coletivo, reduzindo sua eficiência.

A queda da velocidade dos ônibus desde 2009 é acompanhada pelo crescimento da frota da capital mineira que, no período, subiu 43%, passando de 1.227.917 veículos para 1.714.233 veículos em 2016.

Acompanhe:

2009

– Velocidade dos ônibus:  19,31km/h (pico da manhã) –   16,28km/h  (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.227.917 automóveis

2010

– Velocidade dos ônibus:  18,89km/h (pico da manhã) –    16,05km/h (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.340.071 automóveis

2011

– Velocidade dos ônibus:  18,76km/h (pico da manhã) –   16,37km/h  (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.438.723 automóveis

2012

– Velocidade dos ônibus: 18,24km/h  (pico da manhã) –   16,14km/h  (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.519.438 automóveis

2013

– Velocidade dos ônibus: 17,62km/h  (pico da manhã) –  15,24km/h   (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.596.081 automóveis

2014

– Velocidade dos ônibus: 18,41km/h  (pico da manhã) –   15,93km/h  (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.664.487 automóveis

2015

– Velocidade dos ônibus: 18,11km/h  (pico da manhã) –    16,06km/h (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.714.223 automóveis

2016

– Velocidade dos ônibus:  17,16 km/h (pico da manhã) –  15,18 km/h   (pico da tarde)

– Frota de veículos totais: 1.758.994 automóveis

Se não fosse a ampliação da rede de corredores de ônibus, a situação do transporte coletivo na capital mineira seria ainda pior. Segundo a BHTrans, a implantação do Move reduziu o volume de ônibus em algumas regiões, o que contribuiu para o aumento da velocidade de cada coletivo, sem reduzir a oferta de transportes. Na região hospitalar, a queda da frota de ônibus circulante foi de 54%; no Hipercentro, de 32%; na Avenida Antônio Carlos, 27 %; e na Avenida Cristiano Machado, redução de 25%.

Ao repórter Paulo Henrique Lobato, de O Estado de Minas, os especialistas em transportes são unânimes em dizer que o BRT Move é uma ação importante, mas ainda insuficiente. Para os consultores, é necessário ter mais espaços exclusivos para os ônibus.

O consultor em mobilidade, Osias Baptista, disse ao jornal que, apesar das pistas exclusivas para ônibus, a maior parte das viagens dos coletivos é feita em faixas divididas com automóveis. “Não adianta ter ônibus maravilhosos parados nos congestionamentos. Tem de criar mais prioridade para o transporte público.”.

Já consultor Frederico Rodrigues disse que quando há aumento de frota de veículos circulantes, todos sentem, mas quem mais sofre é o cidadão que está no transporte público.

“Por ter rotas fixas, [o transporte coletivo] não podendo buscar caminhos alternativos… Não é nenhuma novidade, ou seja, [a solução é] melhorar as condições do transporte coletivo para que ele seja atraente em relação ao automóvel, reduzindo o número de veículos em circulação”.

ÔNIBUS MAIS CONFORTÁVEIS, MAS AINDA SE ATINGIR A META:

Os ônibus em Belo Horizonte estão mais confortáveis, no entanto ainda, não atingiram a meta de redução de lotação máxima, como revela o IOTC – Índice de Ocupação do Transporte Coletivo, dentro do relatório da BHTrans. A meta é que 90% das viagens ocorram com veículos abaixo dos níveis máximos de lotação, no entanto, o índice ainda não foi alcançado, mas melhora gradativamente desde 2014, quando o sistema de corredores de ônibus Move BRT foi implantado.

IOTC – Índice de Ocupação do Transporte Coletivo

2014:

76% pico da manhã – pico da tarde

2015:

pico da manhã – pico da tarde

2016:

pico da manhã – pico da tarde

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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