Amanhã haverá uma reunião entre o grupo Baltazar José de Sousa e os funcionários que mais uma vez não receberam os pagamentos
ADAMO BAZANI
Os motoristas e cobradores das empresas Viação São Camilo, Urbana Santo André, EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André, Viação Ribeirão Pires, Viação Imigrantes e Viação Riacho Grande, que paralisaram as atividades por volta das 15h30 desta quinta-feira, 22 de dezembro de 2016, liberaram os terminais e vias das cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e Mauá que haviam bloqueado.
Os trabalhadores e passageiros sofrem mais uma vez pela postura do empresário Baltazar José de Sousa.
Neste ano, foram em torno de 10 paralisações, sempre pelos mesmos motivos: atrasos nos pagamentos dos salários e benefícios.
Desta vez o grupo Baltazar José de Sousa não depositou os vales e também a segunda parcela do 13º salário, o que deveria ocorrer no último dia 20.
Entre os locais bloqueados, estiveram o terminal Santo André Oeste, o principal da cidade, as imediações do terminal Guapituba, do terminal Itapeva e a região central de Mauá, e também a região central de São Bernardo do Campo, como Avenida Brigadeiro Faria Lima.
O jornalista Samuel Boss, do Portal Bastidor Político, filmou um dos pontos de manifestação em Mauá.
https://www.facebook.com/PortalBastidorPolitico/videos/693345837506571/
O grupo Baltazar José de Sousa alega que não consegue realizar os pagamentos devido a atrasos dos repasses por parte da EMTU referentes às complementações pelas gratuidades.
Na semana passada, o Diário do Transporte revelou que a gerenciadora deve R$ 38,5 milhões a todas as companhias metropolitanas da Grande São Paulo. O governo do Estado por meio da EMTU contesta os números e diz que as empresas devem por causa de multas R$ 20 milhões ao poder público. Relembre
Ônibus de outras empresas que não têm relação com o problema, não puderam sair dos terminais, como no Itapeva, em Mauá
Já Baltazar José de Sousa, segundo o Ministério Público Federal e a Receita Federal, é considerado o maior devedor individual da União.
Os débitos giram em torno de R$ 1 bilhão.
De acordo com a Procuradoria da República, que abriu um procedimento sobre atuação do empresário, ele também possui cerca de 200 processos na justiça, a maior parte trabalhista.
A defesa de Baltazar contesta os números da Receita Federal e disse que os processos fazem parte atuação de qualquer empresa.
Não bastassem as dívidas, os serviços das empresas de Baltazar estão entre os piores do Estado de São Paulo, levando em conta as áreas de cobertura da EMTU, de acordo com o IQT – Índice de Qualidade do Transporte da gerenciadora.
Por meio de nota divulgada nesta quinta-feira, a EMTU diz que não suspende o contrato com Baltazar por causa de uma decisão judicial de Manaus.
As empresas de Baltazar no Amazonas, entre elas a Soltur – Solimões Turismo, estão em processo de recuperação judicial há mais de três anos.
Tanto o tempo de recuperação judicial como as constantes decisões favoráveis a Baltazar provenientes de Manaus causam estranheza.
A licitação da área 5 da EMTU, que corresponde ao ABC, deve ser realizada no início de 2017 com as outras quatro áreas da Grande São Paulo.
A partir deste processo, Baltazar poderá ser retirado das operações.
A EMTU/SP informa que os motoristas e cobradores das empresas do Grupo Baltazar, na região do ABC, entraram em greve a partir das 15h50 desta quinta-feira, 22/12. Segundo o sindicato da categoria o protesto é por falta de pagamento do 13º salário, que deveria ter sido pago no último dia 20.
Estão com as atividades paralisadas 34 linhas das empresas Viação Ribeirão Pires, EAOSA, São Camilo, Urbana de Santo André, Imigrantes, Riacho Grande e Triangulo.
Com a paralisação, no horário de pico da tarde, estão sendo afetadas aproximadamente 35 mil pessoas.
Como alternativa os usuários puderam utilizar ônibus de linhas municipais, trens da linha 10 Turquesa da CPTM e linhas metropolitanas da empresa Rigras, que cruzam o município de Ribeirão Pires, como segue: linhas: 041, 117, 165, 165EX1, 165BI1, 215, 336, 215BI1, 374, 381, 381BI1 e 402.
O passageiro de São Bernardo do Campo tem como opção as linhas da Mobi Brasil: 006, 236 e 154 e do Corredor ABD, que opera normalmente passando pelas cidades de São Paulo, Mauá, Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema.
As demais opções de transporte estão disponíveis no site da EMTU/SP.
Informamos também as empresas do grupo Baltazar, na região do ABC Paulista, só operam na Área 5 da RMSP por decisão da Justiça Estadual de Manaus, especificamente na 6ª Vara Cível da Comarca de Manaus – AM, processo nº 02110832420128040001, determinando que “não se praticasse qualquer ato que possa por fim aos serviços prestados pelas permissionárias da Área 5, em razão de recuperação judicial em curso”.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
