Assim, pela lógica da equipe do prefeito eleito, parte da receita das linhas metropolitanas iria para o sistema da SPTrans. Empresas de ônibus criticam
ADAMO BAZANI
Sem ter ainda a verba necessária para cumprir a promessa de João Doria de congelar as tarifas de ônibus municipais em São Paulo em R$ 3,80 no ano de 2017, a equipe do prefeito eleito faz diversos estudos para cortar custos e aumentar a receita do sistema da SPTrans – São Paulo Transporte.
Além de propor o corte da gratuidade para os passageiros com idades entre 60 e 64 anos, agora a equipe de transição estuda a possibilidade junto com a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, de cortar as linhas intermunicipais que partem da Grande São Paulo e servem a capital paulista.
De acordo com o estudo da Câmara Municipal, durante a CPI dos Transportes em 2013, a transferência de passageiros das linhas metropolitanas para as municipais poderia aumentar em R$ 400 milhões a receita mensal do sistema da capital.
De 571 linhas da EMTU na Grande São Paulo, 376 entram na capital paulista.
Pela ideia, os ônibus metropolitanos que hoje chegam até as regiões centrais de São Paulo, como o Centro Velho, Brás e região da Avenida Paulista, parariam em terminais próximos aos limites da cidade de São Paulo, de onde o passageiro deveria seguir viagem com o ônibus municipal.
A eliminação das sobreposições é considerada interessante para aumentar a eficiência dos sistemas de transportes, no entanto, neste caso há dúvidas sobre se esse objetivo principal é realmente aumentar a eficiência ou apenas engordar a receita para cumprir a promessa de campanha.
Nem mesmo as empresas de ônibus da capital paulista, que em tese, seriam beneficiadas pela medida, aprovam a forma como deve ser colocada a questão.
O SPUrbanuss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, que reúne as companhias do sistema estrutural da cidade, não vê com bons olhos a alternativa neste momento para ampliar a arrecadação do transporte. Segundo a entidade, pode haver uma penalização dos passageiros, dependendo de como a racionalização deve ser feita.
“Parece mais razoável, a exemplo do que já ocorre com o transporte municipal e o transporte metroferroviário, a participação do transporte intermunicipal na Câmara de Compensação, com toda a arrecadação com o pagamento das tarifas repartida entre as empresas operadoras, a partir de porcentuais prefixados”
O que o setor teme neste momento é que a racionalização seja feita com pouco estudo e sem critério técnico, apenas financeiro.
A transferência de linhas pode além de aumentar o custo da viagem, ampliar também o tempo de deslocamento.
Não há integração tarifária entre os ônibus intermunicipais que aceitam o cartão BOM – Bilhete de Ônibus Metropolitanos e os ônibus municipais da SPTrans.
Para que a medida entre em vigor sem prejudicar os passageiros deve haver comunicação semelhante entre os ônibus municipais e intermunicipais à que existe já entre os ônibus municipais, o Metrô e a CPTM.
Também não há certeza se os terminais limítrofes da capital paulista têm capacidade e estrutura para atender a demanda que pode vir dos ônibus metropolitanos que não chegarão mais até as áreas centrais.
A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos por sua vez não confirmou oficialmente que existam estudos neste sentido.
Em 2006, com a inauguração do primeiro trecho do Expresso Tiradentes, as linhas gerenciadas pela EMTU que vinham do ABC Paulista com destino ao Parque Dom Pedro II foram cortadas e começaram a parar no Terminal Sacomã, na Zona Sul.
No entanto, o tempo de viagem não teve prejuízos porque o trajeto é continuado em um corredor de ônibus, o que não existe de maneira suficiente em toda a cidade.
Por isso uma das iniciativas mais sensatas seria primeiramente criar a infraestrutura para depois pensar em racionalização mais radical.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
