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Mulher usa mais transporte público que homem na cidade de São Paulo

Mulheres dizem sofrer mais quando há lotação

É o que revela levantamento divulgado nesta terça-feira pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. Elas também andam mais a pé

ADAMO BAZANI

A maior parte dos usuários de transporte público na cidade de São Paulo é formada por mulheres. O mesmo ocorre entre as pessoas que se deslocam a pé.

É o que revela a publicação “Mobilidade das Mulheres em São Paulo” lançada nesta terça-feira, 13 de dezembro de 2016, pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano – SMDU.

De acordo com os dados com base na pesquisa de origem e destino do Metrô de 2012, 74,6% dos deslocamentos feitos pelas mulheres são a pé, por ônibus, trem e metrô ou ainda estes meios de transportes integrados. Já entre os homens, esses deslocamentos somam 62,5%

Ainda de acordo com o estudo, as mulheres de menor renda são as que mais utilizam os transportes públicos.

Numa família com ganhos mensais de R$ 1244, 50% das viagens são feitas pelas mulheres caminhando e 28% de ônibus.

O estudo ainda mostra que apenas 13,7% das viagens das mulheres são feitas por elas mesmas dirigindo os carros. Já entre os homens esse percentual é de 26,4% .

Segundo nota da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, a diferença entre mulheres e homens dirigindo se amplia mais se for comparada a renda das famílias. O trabalho é o maior motivo de deslocamento entre as mulheres na capital paulista, seguido por educação.

Os dados sobre direção feminina de automóveis, divididos por renda familiar, impressionam ainda mais. As mulheres que pertencem a 1ª e 2ª faixa, com ganhos até R$ 1.244 e de R$ 1.244 a R$ 2.488, respectivamente, fazem cada uma 3% das suas viagens dirigindo seus veículos. Já as mulheres da renda mais alta, com valores que superam R$ 9.330, realizam 45% de suas locomoções dessa forma.

Em relação aos motivos dos deslocamentos, trabalho (39,3%) e educação (34,3%) despontam como os principais do sexo feminino. Essa situação muda um pouco quando mulheres de diferentes faixas de renda são comparadas. Aquelas com ganhos menores possuem menos viagens com destino final “trabalho” e mais viagens para “educação” (43,5%), “assuntos pessoais” (14,4%) e “saúde” (7,6%).

Em relação aos modais de transporte coletivo, apenas nos trens da CPTM é que as mulheres representam minoria entre os passageiros. Também há menos mulheres utilizando bicicletas.

As mulheres estão também entre as que utilizam viagens mais rápidas na cidade de São Paulo

Esses dados mostram a necessidade de políticas que além de oferecerem mobilidade urbana, também proporcionem segurança para as mulheres nos meios de transportes.

Assédio sexual e assaltos ainda estão entre os principais problemas enfrentados pelas mulheres nos meios de transporte coletivo em todo país e, com São Paulo não é diferente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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