No sábado, o discurso foi em prol do corte. Mudança aconteceu depois de conversa com empresários do setor de transportes públicos
ADAMO BAZANI
O prefeito eleito de São Paulo João Doria Júnior mais uma vez voltou atrás ou teve de esclarecer melhor um de seus discursos e disse que não incluirá os contratos com as empresas de ônibus no corte linear de 15% dos custos dos contratos do poder público com a iniciativa privada.
O corte foi anunciado no último sábado em reunião com secretários.- Releia: https://diariodotransporte.com.br/2016/12/03/doria-diz-que-vai-cortar-remuneracao-de-empresas-de-onibus-e-a-equipe-tera-de-pegar-uber/
A assessoria de imprensa de Doria negou ao jornal o Estado de São Paulo que o prefeito eleito incluiu as empesas de transportes coletivos nas declarações do último sábado. A medida diminuiria a remuneração aos donos de viações.
A mudança de posição ocorreu depois de conversas com empresários de ônibus que disseram que se Doria levasse adiante o plano, a capital paulista teria 2,1 mil ônibus a menos nas ruas, o que poderia cortar 10,5 mil empregos a menos no setor.
Ao jornal, o futuro secretário municipal de transportes, Sérgio Avelleda, disse que o presidente do SPUrbanuss, sindicato dos donos de empresas de ônibus Francisco Christovam, ligou mostrando a preocupação em relação ao tema.
“O Francisco Christovam me ligou bastante preocupado. Deixa eu esclarecer: a fala do prefeito, a intenção do prefeito, era dizer que os serviços de transporte que são prestados para a Prefeitura serão revistos. Mas são contratos de prestação de serviços para a Prefeitura”… Eu o tranquilizei (se referindo ao representante dos empresários) e o prefeito foi bastante assertivo nisso: ‘O que eu quis dizer foi que os contratos de locação de automóvel, se você tem um ônibus alugado para funcionários da SPTrans, deverão passar pelo processo de revisão do preço. Não se aplica aos contratos de concessão, que têm uma estrutura bastante diferenciada”, disse Avelleda.
A assessoria de imprensa de Doria ainda afirmou que não houve uma mudança de discurso e negou que a posição foi tomada após a conversa com os empresários de ônibus, para não passar a imagem de que houve uma pressão.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
