Baltazar José de Sousa não pagou salários e benefícios e ao menos 25 mil passageiros sofrem por falta de transporte
ADAMO BAZANI
Nesta sexta-feira, 18 de novembro de 2016, completa uma semana que os trabalhadores da EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André e Viação Ribeirão Pires estão de braços cruzados.
Pela oitava vez neste ano, sendo que em cinco meses consecutivos, o dono dessas empresas, Baltazar José de Sousa, atrasa o pagamento dos salários e benefícios trabalhistas dos funcionários.
De acordo com a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia os serviços, são cerca de 100 ônibus parados que atendem 14 linhas e que deveriam estar disponíveis para 25 mil passageiros por dia.
Não foi acionada operação PAESE – Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência e o passageiro tem de se virar.
É necessário pegar um ônibus municipal até a linha 10 da CPTM e pagar outra tarifa para seguir viagem. Isso tem aumentado em R$ 7,60 por dia o custo no deslocamento ida e volta.
A situação para quem mora em Paranapiacaba, Vila de Santo André após Rio Grande da Serra, é pior ainda já que não há trem regular para localidade e o único serviço de transporte coletivo é da Viação Ribeirão Pires.
A gerenciadora reafirma que vai autuar as empresas paralisadas por cada partida não realizada.
O empresário alega que a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, gerenciadora de serviços, não realizou os repasses referentes às gratuidades.
A EMTU nega e diz que os repasses estão em dia.
Baltazar José de Sousa tem uma dívida com a Receita Federal de R$ 1 bilhão, de acordo com Ministério Público Federal, valor que é contestado pela defesa.
Baltazar responde a mais de 200 processos, entre os quais trabalhistas e tributários.
As empresas de Baltazar operam a Área 5 da EMTU, que nunca foi licitada por pressão dos próprios empresários de ônibus.
No início do ano que vem, o edital envolvendo toda a Grande São Paulo, inclusive o ABC Paulista, deve ser lançado pela EMTU.
Por estar com situação tributária irregular, o empresário que já fez parte do Grupo dos Mineiros não poderá participar.
O Grupo dos Mineiros, formado nos anos de 1980 de maneira informal, tinha como membros Constantino de Oliveira, fundador da Gol Linhas Aéreas e dono do Grupo Comporte, Mário Elísio Jacinto, Renato Fernandes Soares, Baltazar José de Sousa e Ronan Maria Pinto.
Adamo Bazani, jornalista especializada em transportes
