Transporte foi um dos temas decisivos para a derrota do atual prefeito Donisete Braga
ADAMO BAZANI
Atila Jacomussi, do PSB, prefeito eleito de Mauá, na Grande São Paulo, com 64,47% dos votos válidos, derrotou o atual prefeito Donisete Braga, do PT, que reuniu 35,53% da preferência do eleitorado no segundo turno.
Uma das promessas reafirmadas por Jacomussi após ser declarada a vitória, foi manter a tarifa de ônibus na cidade o mesmo valor de hoje, R$ 3,80, no próximo ano, seguindo discurso do prefeito eleito de São Paulo João Doria.
Este era um dos temores dos operadores de transportes reunidos na NTU – Associação Nacional de Transportes Urbanos sobre eventual ao efeito cascata da promessa do prefeito eleito na capital paulista.
Jacomussi também diz que vai acabar com atual prática de Donisete Braga de cobrar tarifas diferenciadas para quem paga nas catracas e para os empresários e comerciantes que pagam Vale-Transporte para os funcionários. Hoje quem paga por cartão comum ou em dinheiro, desembolsa R 3,80. Já os empregadores despedem de R$ 4,50 por viagem de cada funcionário.
A justificativa da administração Donisete Braga é que no Imposto de Renda, há ressarcimento desse valor pago pelos geradores de emprego e que o preço mais alto é para bancar as integrações que existem entre ônibus municipais. No entanto, os comerciantes e empresários, principalmente os de pequeno porte, dizem que nem toda a forma de tributação permite esse ressarcimento ao final do ano e alegam prejuízos por necessitarem de recursos de caixa neste momento, não podendo esperar um eventual ressarcimento só no próximo ano fiscal.
“Aqui não vai ter mais duas tarifas não. Não vai ter tarifa diferente. Nós vamos, logo no primeiro ano, implementar o Bilhete Único, a integração, viabilizar a construção do novo terminal central.” – disse Jacomussi em coletiva após o resultado.
Os transportes foram tema decisivo nas eleições da cidade do ABC Paulista. A população até hoje se queixa da forma como Donisete Braga retirou as antigas operadoras de ônibus de Mauá. Havia reclamações sobre a Viação Cidade de Mauá, mas em relação à Leblon Transporte de Passageiros, a aprovação superava 96%.
Donisete Braga acusou as duas empresas de fazerem consultas indevidas ao saldo de bilhetagem eletrônica. A própria procuradora do município, Thaís de Almeida Miana, em parecer no dia 27 de junho de 2013 recomendou novas apurações por parte da prefeitura e se mostrou contrária ao descredenciamento das empresas.
No entanto, Donisete Braga ignorou a recomendação e após contrato emergencial, por meio de licitação, entregou todo o transporte para a empresa Suzantur.
Uma das promessas de Donisete Braga e de seu secretário de mobilidade urbana na época, Paulo Eugênio, era impedir a formação de monopólio dos serviços na cidade, o que não foi cumprido sob a alegação de melhorar a “economicidade do sistema”.
Na época, surgiu a informação extra-oficial dentro do próprio Paço de que a empresa Leblon teria sido vítima de pressão por parte do poder público por não querer participar de financiamentos de campanhas. A prefeitura sempre negou esta versão.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
