Reunião o presidente será no próximo dia 25. Doria ainda disse que vai formar um conselho de ex-prefeitos e que aceitaram participar: Fernando Haddad (PT), Marta Suplicy (PMDB), Luíza Erundina (PSOL) e Paulo Maluf (PP)
ADAMO BAZANI
O prefeito eleito de São Paulo, João Doria Júnior, confirmou nesta terça-feira, 18 de outubro de 2016, que vai se encontrar com o presidente Michel Temer para falar sobre tarifas de ônibus, no próximo dia 25.
A declaração foi em entrevista coletiva numa visita que realizou ao extremo sul da capital paulista.
Durante a entrevista, ele disse que acredita que Michel Temer vai atender o pedido.
“Tenho certeza que ele (Temer) será sensível para ajudar São Paulo, assim como São Paulo está ajudando ao não atualizar a tarifa contribuindo para a estabilidade inflacionária do país”
Ainda na visita que fez a um campo de terra onde jogava futebol, em Parelheiros, o prefeito eleito disse que por causa do desemprego não é justo que o cidadão pague uma tarifa de ônibus mais alta, já que a renda está menor.
Doria também afirmou que congelamento deve ocorrer apenas no ano que vem: “2018 é outra história”
O prefeito eleito voltou a afirmar que o congelamento das tarifas vai custar em subsídios aos cofres públicos R$ 500 milhões a mais no Orçamento. Já técnicos da prefeitura que elaboraram a peça orçamentária, estimam que os subsídios de R$ 1,79 bilhão para o transporte no ano que vem serão insuficientes e que será necessário mais R$ 1 bilhão caso a passagem continue em R$ 3,80.
Os empresários de ônibus temem reação em cadeia em todo país, caso a capital paulista congele o valor da passagem de ônibus. Em entrevista ao Diário do Transporte, no último dia 14, o presidente da NTU – Associação Nacional das Empresas Transportes Urbanos, que reúne 500 viações no Brasil, diz que a maior parte dos municípios não tem subsídios às tarifas e que as empresas e os passageiros pagantes acabam custeando as gratuidades e eventuais integrações que existam nessas cidades.
“De fato, uma coisa que não é de conhecimento da população, é que os 3.300 municípios do Brasil com serviço de transporte regular têm uma realidade completamente diferente de São Paulo. Em São Paulo, existe uma complementação de aproximadamente 30% dos custos dos transportes, o que não ocorre na maior parte do Brasil. A promessa de congelar a tarifa pode soar como música para quem disputa o segundo turno nos demais municípios. A maior parte das cidades não tem complementação de tarifa, é só passageiro que paga. Se houver congelamento [do valor das passagens] nesta outras cidades, até maio o sistema de transportes no Brasil pode entrar em colapso” – disse Otávio Cunha.
Na ocasião, o representante das empresas apresentou ao Diário do Transporte, um estudo elaborado pela NTU com base em dados oficiais que mostram que a criação da Cide Municipal, um imposto sobre combustíveis de carros e motos, cujos recursos seriam destinados aos transportes públicos, poderia gerar um Fundo Nacional de Transportes que reduziria a tarifa de ônibus e, mesmo com aumento no valor da gasolina, geraria uma deflação de 0,38% no IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, considerada a inflação oficial do país.
Tenha acesso a este estudo em: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/14/entrevista-joao-doria-poderia-se-tornar-embaixador-do-problema-da-tarifa-de-onibus-em-todo-o-pais/
CONSELHO DE EX-PREFEITOS:
Ainda durante a visita ao extremo Sul da capital paulista, João Doria, diz que vai criar um conselho formado por ex-prefeitos para discutir os problemas da cidade de São Paulo.
Segundo Doria, Fernando Haddad (PT), Marta Suplicy (PMDB), Luíza Erundina (PSOL) e Paulo Maluf (PP) aceitaram participar. O futuro prefeito ainda afirmou que resta a posição de José Serra (PSDB), que está viajando.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
