Em número totais, maior parte dos veículos quebrados é das empresas do Consórcio 7, já proporcionalmente à frota, as maiores quebras ocorrem na Ambiental Transportes
ADAMO BAZANI
Quando os ônibus quebram, todos perdem: empresas que precisam reparar os veículos e deixam de arrecadar, os passageiros que atrasam suas viagens e pegam o próximo ônibus mais lotado e os motoristas de carros que muitas vezes encontram vias congestionadas porque uma das faixas está ocupada por um ônibus quebrado.
Em São Paulo, essa realidade tem sido comum com números que chamam atenção. Em média, 49,17 ônibus por dia ou mais de dois por hora quebram na cidade de São Paulo.
Os dados são da SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema, obtidos pela TV Globo com base na Lei de Acesso à Informação.
No primeiro semestre deste ano, 8949 ônibus do sistema estrutural quebraram durante o percurso. Levando em conta que o sistema estrutural, que reúne as viações com ônibus e linhas maiores, possui em torno de 8800 veículos, o dado mostra que praticamente todos eles já quebraram, é claro, isso é uma relação de proporcionalidade.
O Consórcio 7, que reúne as empresas Viação Campo Belo, Gatusa, Transkuba Transportes Gerais e VIP Transportes Urbanos, atendendo parte da zona sul da capital paulista, lidera o número total de ônibus quebrados: 11,82 (média) ou um a cada duas horas. No entanto, proporcionalmente em relação à frota diária, o maior número de ônibus quebrados é da Ambiental Transportes: 4,41 veículos com problemas por dia, uma média de 1,77% da frota da empresa que deveria estar nas ruas.
A empresa que registrou maior aumento do número de ônibus quebrados foi a Sambaíba, que atende a zona norte de São Paulo: a alta foi de 33% no primeiro semestre deste ano em relação é semelhante período de 2015.
ÔNIBUS QUE QUEBRAM POR EMPRESAS/CONSÓRCIOS (Janeiro – Junho de 2016)
Consórcio 7: 11,82 – Média de ônibus quebrados por dia / 0,71% – Índice em relação à frota diária
Consórcio Unisul: 10,2 – Média de ônibus quebrados por dia / 0,84% – Índice em relação à frota diária
Consórcio Plus: 7,92 – Média de ônibus quebrados por dia / 0,6% – Índice em relação à frota diária
Via Sul: 6,73 – Média de ônibus quebrados por dia / 0,87% – Índice em relação à frota diária
Ambiental Transportes: 4,41 – Média de ônibus quebrados por dia / 1,77% – Índice em relação à frota diária
Consórcio Bandeirante: 2,87- Média de ônibus quebrados por dia / 0,3% – Índice em relação à frota diária
Consórcio Sudoeste: 2,75- Média de ônibus quebrados por dia / 0,33% – Índice em relação à frota diária
Sambaíba: 1,97- Média de ônibus quebrados por dia / 0,16% – Índice em relação à frota diária
Express: 0,5 – Média de ônibus quebrados por dia / Índice em relação à frota diária não divulgado
Em entrevista à emissora, o especialista em trânsito Luiz Celio Bottura, disse que o número de quebras de ônibus chama a atenção.
“Em nenhum lugar do mundo há este número de ônibus quebrados por dia como em São Paulo. É assustador e denota a maior necessidade de manutenção e atenção também com nossas vias, que são esburacadas e malfeitas … Os problemas nos ônibus acabam gerando engarrafamentos e a atrapalhando ainda mais o trânsito. Não há manutenção preventiva e falta fiscalização por parte dos órgãos público” – diz Bottura, que já foi conselheiro da SPTrans.
A gerenciadora contesta e diz que “os índices de quebras de ônibus caíram de forma expressiva nos últimos anos e que, em 2012, a média era de 97,7 carros por dia.” e acrescentou que “um processo e renovação da frota está em curso” e que fiscaliza a atuação das concessionárias. “Todos os carros também são vistoriados de forma pelo menos duas vezes por ano”.
Em 2016, a idade média da frota é de 5 anos e 6 meses. Entre 2007 e 2009, a cidade tinha ônibus com frotas mais novas – a idade dos coletivos do sistema estrutural ficou em torno de 4 anos e 10 meses de uso.
O SPUrbanuss, sindicato que representa as empresas do sistema estrutural, diz que os ônibus “passam por um dos mais exigentes” planos de vistoria e que inspeções são realizadas pela SPTrans a cada 6 meses.
“Quando um ônibus apresenta defeito durante a viagem, o centro de controle operacional da empresa é comunicado, enviando o socorro mecânico ou o guincho”, acrescentou na nota à TV.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
