Prefeito eleito tenta articular com base aliada para que promessa não se torne um rombo nos cofres públicos
ADAMO BAZANI
O prefeito eleito de São Paulo, João Doria, quer que deputados federais da coligação que o apoiou para a próxima gestão na capital paulista, ajudem financeiramente no cumprimento da promessa de congelar a tarifa de ônibus em R$ 3,80 para o próximo ano.
A declaração foi dada na manhã desse domingo durante encontro com cicloativistas em São Paulo.
“Pedi aos nossos deputados que tragam recursos para São Paulo, principalmente nas áreas de saúde e de mobilidade, até para fazermos a suplementação de verba no caso da tarifa”
Os deputados federais têm à disposição R$ 16 milhões para emendas parlamentares, que são provenientes da União. Por lei metade, desses recursos deve ir para saúde. Doria está de olho nos R$ 8 milhões.
É pouco para o objetivo de manter a tarifa congelada, mas em época de queda na arrecadação, deve ajudar.
Estimativa de técnicos da prefeitura mostra que o congelamento da tarifa teria um peso de R$ 1 bilhão a mais no Orçamento para o ano que vem.
Deveriam ser destinados a subsídios sem a previsão de congelamento, no orçamento para 2017, R$ 1,7 bilhão. Já com a tarifa congelada, a prefeitura deve desembolsar no mínimo R$ 2,7 bilhões.
Já João Doria, sem explicar como foram feitos os cálculos, estima que o congelamento da tarifa terá um peso de R$ 450 milhões.
Na noite desta segunda-feira, o prefeito eleito deve se encontrar com deputados federais, como Bruno Covas e Samuel Moreira, do PSDB, para discutir a questão.
Empresários de ônibus de todo país temem que o congelamento em São Paulo crie um efeito cascata, seguido por outras cidades com objetivos políticos. Ficará ruim, do ponto de vista de imagem, um prefeito, principalmente da Grande São Paulo, aumentar a tarifa e na capital não haver reajuste.
O congelamento também deve deixar em situação delicada o governador Geraldo Alckmin, padrinho político de Doria, isso porque CPTM e Metrô têm a mesma tarifa dos ônibus e se aumentarem, haverá ônus político para imagem de Geraldo Alckmin.
Com problemas financeiros no Metrô e na CPTM, pode haver também um desequilíbrio no valor das integrações entre os sistemas de trilhos e de ônibus municipais em São Paulo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
