ENTREVISTA: Presidente da EMTU fala ao Diário do Transporte sobre licitação de ônibus

Joaquim Lopes disse ao Diário do Transporte que novo modelo pode corrigir distorções na Área 5.

ADAMO BAZANI/RENATO LOBO

Após a audiência pública sobre a licitação das linhas intermunicipais na grande São Paulo, promovida pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – EMTU, o presidente da gerenciadora, Joaquim Lopes da Silva Júnior, falou ao Diário do Transportes sobre os desafios da futura concorrência, que deverá ser assinada em 2017, com previsão de vigência de 15 anos.

Em entrevista ao jornalista Adamo Bazani, Lopes destacou alguns pontos importantes desta concorrência.

“Neste processo [licitação] temos a presença forte das CMCP (Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões), coordenando, fazendo a modelagem. Isso traz um olhar importante. Eu destacaria o prazo, de 10 para 15 anos. Se você olhar para os estudos de modelagem, estamos falando de uma licitação de R$ 2,1 bilhões por ano”, disse Joaquim Lopes.

Na visão do presidente da gerenciadora, a nova licitação deve corrigir algumas distorções. “A inovação é a introdução da tarifa de renumeração. O pessoal deve usar isso como ferramenta para corrigir eventuais desiquilíbrios, a exemplo da área 5. O novo modelo deve assegurar a mesma qualidade ao abc, iguais as demais áreas”.

Perguntado sobre a demora de tirar a tarifa pública da área 5 e torna-la de renumeração, tendo vista que já vem acumulando problemas, Lopes disse que “tinha uma orientação de conselho”. “Todo este trabalho de modelagem é aprovado pelo CDPED (Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização). Transcende a EMTU e a Secretaria de Transportes Metropolitanos. Você tem um paradigma novo. Nos tentamos fazer algumas outras alterações sem usar deste expediente. Por exemplo na ultima licitação era bem diferente. Não tinha este prazo todo. Não tinha exigência de investimentos. era um permissão, não era uma concessão”, afirmou Lopes.

O presidente da EMTU ainda afirma que ações poderão viabilizar a introdução de tecnologias para o bem estar do passageiro, como veículos com ar condicionado e Wi-fi.

“La atras, 10 anos atras, tinhas o passe do papel. Hoje o bilhete eletrônico. Transferimos a obrigação da arrecadação para os concessionários. Criaram o cartão bom, criaram a sistemática para arrecadar, e hoje estamos trazendo esta conta para criar a cogestão dela. Nós estamos querendo olhar mais detalhadamente para este recurso, por que entendemos que é receita pública, até para apropriar. Pode vir dai até receita para corrigir este desequilíbrio do ABC. Ou para viabilizar melhor investimento em frota, e melhoria, como ar condicionado e wi fi”, afirma Joaquim Lopes.

Lopes, disse que as empresas de ônibus terão de se organizar de uma forma diferente de como atuam hoje, em especial no ABC Paulista.

“O que se tem no ABC hoje são dezessete empresas com uma concessionária, e uma racionalização que tem que ser feita. Lá a gente tem empresas que sobrevivem e que não tem tamanho para ter um lavador de carro. Tem empresa com 16 carros, e tem outras com 100. Neste modelo isolado, é esta dificuldade. Se houver um rearranjo, evidentemente o setor deverá ser mais rigoroso para recomposição do grupo, até para uma proposta que seja exequível”, pontuou.

Esta confirmada também o fim das RTOs (Reserva Técnico Operacional), mas o presidente da EMTU disse que existem maneiras destes trabalhadores a participarem do novo sistema

“Esta criado uma possibilidade deles participarem. Podem fazer um consórcio e se apresentar para qualquer uma das áreas, ou adentrar aos consórcios que já estão ai. Assim como não há impeditivo, não há nenhuma garantia que eles vão permanecer. A RTO acaba”, disse Lopes.

O presidente da empresa ainda contou que a licitação será de âmbito internacional. Os contratantes terão o prazo de um ano, após a assinatura dos contratos para a operação. O novo contrato deve abrir também a possibilidade das operadoras a investir em infraestrutura.

Entrevista em vídeo:

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Renato Lobo, técnico em Transportes Sobre Pneus e Trânsito Urbano

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Comentários

Comentários

  1. D. Santos disse:

    Impressionante como esse Joaquim Lopes fala, fala, fala e não fala nada! Enche as frases de palavras “rebuscadas” que nada significam!

    Fica evidente que não vai mudar nada. Só vão renovar os contratos atuais e com sorte, firmar algum na Área 5 com as empresas que elas já conhecem.

    Não dão garantia nenhuma, simplesmente estão nas mãos dos empresários.

    É vergonhosa a atuação da EMTU, o PATINHO FEIO da STM. Consegue ser mais irrelevante que a ARTESP.

  2. Augusto da Silva Barbosa disse:

    Gostaria de saber porque acabar com os Rto`s se eles que ajudam muitas das regiões quando as empresas estão em greve

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Essa licitacao tera 2 gargalos a serem digeridos.

    1) Havera a necessidade de grandes investimentos para renovar a frota.

    2) A retorada dos RTO’s.

    Vamos aguardar os proximos capitulos…

    Att,

    Paulo Gil

  4. CLAUDIA disse:

    Meu DEUS!!!!! EU NÃO ENTENDO, SEMPRE ESCUTO OU ESCREVEM “PORQUE ACABAR COM OS RTO?” SE VCS NÃO SABEM EXISTE UM DECRETO LEI ,SÓ ESTA FALTANDO OS RTOS ENTRAREM NA JUSTIÇA E IR ATRAS DOS SEUS DIREITOS. RTOS ACORDEMMMMMMM

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