Recuperação Judicial da Comil: Dívida é de R$ 430 milhões e demissões podem ser anuladas

Comil
Fábrica de urbanos de Lorena, que foi fechada. Comil admite que investimento na unidade foi um erro. Foto: Arquivo Atos

 

Advogados dizem que a empresa não pensa em pedir falência e que admite que planta de urbanos foi um erro

ADAMO BAZANI

Os débitos da Comil, encarroçadora de ônibus que nesta segunda-feira, 12 de setembro de 2016, entrou com pedido de recuperação judicial, são de aproximadamente R$ 430 milhões, entre trabalhistas, bancários e com fornecedores.

A situação da empresa começou a se agravar, segundo a própria companhia, com a crise econômica brasileira, responsável por expressiva queda na demanda de veículos comerciais de grande porte, como o ônibus e caminhões.

Nos últimos três anos, as vendas de ônibus acumulam queda em torno de 60%, de acordo com os balanços da Fenabrave, associação que reúne os revendedores de veículos.

No entanto, especialistas do setor de veículos pesados dizem também que parte da situação da Comil se deve a possíveis erros administrativos e de apostas, entre os quais, a inauguração da fábrica de ônibus urbanos em Lorena, no interior de São Paulo, que funcionava desde dezembro de 2013. Os investimentos foram de R$ 110 milhões. No dia 28 de janeiro deste ano, a Comil anunciou o fechamento da unidade.

Um dos advogados da Comil, Álvaro Marques, em entrevista coletiva, disse que a encarroçadora com sede em Erechim, no Rio Grande do Sul, admite que a planta de urbanos em Lorena foi um erro.

“Não foi uma boa decisão priorizar Lorena, e não foi um bom projeto, tanto é que a empresa desativou a unidade que só estava dando prejuízo. Empresário erra, se não errasse seria um Deus”.

 

Os advogados da Comil Dárcio Vieira Marques, Álvaro Marques e Cláudio Botton, na entrevista coletiva, disseram que a Comil não pensa em pedir falência e que as dívidas trabalhistas terão prioridade nos pagamentos.

A Comil não pensa em pedir falência … A Comil relutou até o último minuto para evitar essa situação. O mercado esta muito ruim, e se você não tem o dinheiro para os insumos necessários, se torna difícil cumprir os contratos. A recuperação te da à possibilidade de estender prazos de pagamento, eliminar juros e pode até haver uma redução da dívida”. , disse o advogado Dárcio Vieira Marques.

DEMISSÕES PODEM SER ANULADAS:

A Comil demitiu 850 funcionários da sede da companhia, em Erechim, no Rio Grande do Sul no dia 1º de setembro, mas uma ação judicial pode reverter os cortes.

A ação foi movida pelo Procurador do Trabalho, Roger Villarinho, do Ministério Público do Trabalho de Passo Fundo, responsável também por Erechim.

Segundo nota do sindicato que representa os trabalhadores, “O procurador entende que a empresa não respeitou a lei ao não negociar os critérios de demissão com o Sindicato dos Metalúrgicos e pediu a reintegração imediata dos demitidos ao trabalho. A informação foi repassada para os demitidos numa reunião realizada nesta terça- feira, 13, no Ginásio do Sindicato dos Metalúrgicos. O procurador Villarinho veio a Erechim conversar com os trabalhadores e esclarecer dúvidas a respeito de todo o processo. Ele voltou a defender a necessidade de critérios para as demissões. – Houve uma simulação de negociação. Enquanto negociava com o Sindicato a empresa esvaziou a fábrica para que a entidade não tivesse contato com os trabalhadores. Ao mesmo tempo estava elaborando a lista de demitidos e preparando as cartas de demissão”-, disse o procurador, ainda de acordo com a nota.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos,boa noite.

    Mais um efeito Brasil.

    A Uniao nao paga o que deve a Comil.

    E a propria Uniao aciona a Comil para reverter as 850 demissoes.

    Pemsem bem, pode ?

    Nao pode.

    Enquanto houver no Brasil tamanho absurdo, nada sera serio.

    Este e o legitimo efeito Brasil (mais um).

    Fora a canceir que dara o processo derecuperacao judicial.

    Muda Brasil, essa ladainhanao cola mais.

    Sera que ninguem se toca ???????

    Att,

    Paulo Gil

  2. Fabio disse:

    Concordo contigo. Anular demissões só vai agravar o problema. Se a empresa não vende, não adianta deixar mão de obra ociosa. Quando a crise passar e as vendas aumentarem, certamente vão contratar.

    Quanto à dívida do governo, não sejamos ingênuos também. A dívida da Comil é 10 vezes maior do que o que ela tem a receber do Governo Federal. Não basta para salvar a Comil, né…

    1. DE ADIANTA MANTER OS FUNCIONARIOS,SE NÃO TEM RECURSOS PRA PAGAR??? SE A SITUAÇÃO MUDAR,CONTRATA NOVAMENTE,DANDO PRIORIDADE AOS DEMITIDOS. ABRAÇOS

    2. Mateus Souza disse:

      Exato. O governo tem culpa, mas os empresários também. Muitos querem dar o passo maior que a perna…

  3. A COMIL TEVE OPORTUNIDADE PRA GANHAR DINHEIRO,MAS NÃO O FEZ,PORQUE SÓ SE PREOCUPEOU EM VENDER MAIS BARATO QUE A MARCOPOLLO MAIOR ENCARRÇADORA DO PÁIS,SE NÃO DO MUNDO.PODERIA SIM VEDER MAIS BARATO,MAS NÃO O PERCENTUAL QUE PRATICAVAM. UMA CARROCERIA DE DE 300 MIL VENDER COM UMA DIFERENÇA DE 60 MIL MAIS BARATO,OU SEJA 20%..PRECISAVA DISSO.A BUSCCAR COMETEU O MESMO ERRO.ABRAÇOS

  4. Jonas Dias disse:

    Lauro não fala asneira,coisa que ouve na Radio peão,como ela vai vender um carroceria com mesmo valor da Marcoplo, a Marcopolo tem crife a comil não,a falencia da Busscar não teve nada haver em vender carroceria barata valor era 8% a menos Marcopolo,falencia da Busscar foi causada pelo desentendimento da nielson

    1. ENTÃO,VC QUE NÃO FALA ASNEIRA,EXPLICA AÍ O PORQUE DO FRACASSO DA COMIL…ABRAÇÃO

  5. NÃO OUÇO A RADIO PEÃO NÃO,SOU DO RAMO. ABRAÇO JONAS

  6. Ramos disse:

    Os últimos comentários de Setembro de 2016 se perderam nas opiniões. Mistura de Marcopolo , Comil e Busscar. Três empresas , três tipos de administração e gestão . Marcopolo está a frente , mas também com graves erros internos. Mas está se segurando. A Busscar foi arrematada por sócios da Caio Induscar (eu diria mais da Induscar , pois a Caio foi adquirida pela Induscar em 2001). E reativou seu parque fabril em Joinville/SC recentemente. Já a Comil segue seu ritmo em Erechim/RS com percalços e no vai e vém de Recuperação Judicial e operação fabril .

    Este é o real ponto das três empresas no momento , em Janeiro de 2019 ( informações da Comil não atualizadas enquanto escrevi esta mensagem pública).

    Obrigado

    Ramos

  7. Marcio disse:

    Independente de empresas e seus problemas internos, todas sofrem com o Estado. No Brasil, ao mesmo tempo que é ótimo em fazer négócios, por outro lado é um “tranco” terrível:
    Causas:
    Impostos
    Burocracia e a própria corrupção no Poder em geral. Portanto, empresas aqui no Brasil, “sofrem” para ser ativadas, mantidas e quando pretendem sair do mercado de vez, a burocracia a persegue desde sua entrada. Terrível isso!
    O Brasil tem tudo para ter o melhor mercado de Transporte Publico (em geral), mas…
    E, se uma empresa dessa não tiver pulso na administração, pessoas leais e bem preparadas, já era! Problemas surgem.
    Essa é minha opinião abrangente. Abraços a todos!!!!

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