Juiz da Lava Jato vai ouvir Delúbio Soares e Marcos Valério. Parte de dinheiro fraudulento foi para empresário de ônibus o dono do jornal Diário do Grande ABC
ADAMO BAZANI
O caso Celso Daniel mais uma vez voltará à tona na Operação Lava Jato, que investiga fraudes na Petrobras e em outros empreendimentos da União, envolvendo quase todos os partidos políticos brasileiros na época em que o PT estava no comando do Governo Federal.
Nesta segunda-feira, 12 de setembro, o juiz que preside o processo, Sérgio Moro, vai interrogar o operador do mensalão (outro escândalo no governo PT), Marcos Valério de Souza, e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
O principal assunto será o empréstimo de R$ 12,1 milhões, tomado pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto ao Banco Schahin em 14 de outubro de 2004. Segundo a Lava Jato, Bumlai destinou o dinheiro para financiamento do PT , que nunca pagou empréstimo. No entanto, em troca, o grupo Schahin obteve de forma fraudulenta um contrato de US$ 1,6 bilhão com a Petrobras para operar o navio sonda Vitoria 10000.
E é justamente no trajeto desse dinheiro que a Lava Jato esbarra no caso Celso Daniel e também na atuação do empresário de ônibus e dono Diário do Grande ABC, Ronan Maria Pinto, que ficou preso pela Operação entre os dias 01º de abril e 08 de julho de 2016, sendo solto após pagar fiança de R$ 1 milhão e estar com tornozeleira eletrônica.
Ronan teria recebido metade deste valor obtido no empréstimo fraudulento de Bumlai após extorquir o PT ao dizer que envolveria o nome de Luiz Inácio Lula da Silva no caso da morte de Celso Daniel Ronan. Ele é empresário de ônibus do ABC e foi um dos maiores frotistas na época do assassinato do prefeito em janeiro de 2002.
Juntamente com o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e o ex secretário de obras públicas de Celso Daniel, Klinger Luiz de Oliveira, Ronam Maria Pinto foi condenado em 23 de novembro de 2015, à prisão por um esquema de corrupção envolvendo o setor de transportes na gestão Celso Daniel, entre 1999 e 2001. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, este esquema teria motivado o assassinato de Celso Daniel.
Ronan e os outros condenados neste processo respondem em liberdade.
A Lava Jato não investiga diretamente o Caso Celso Daniel e a corrupção envolvendo o PT e as empresas de ônibus no ABC, mas o caminho do dinheiro do Schahin via Bumlai até o partido.
Ronan não é réu pela morte do prefeito, mas pela corrupção no processo de São Paulo e por crimes contra a ordem econômica no caso da Lava Jato.
CAMINHO DO DINHEIRO: DO AMIGO DE LULA AO EMPRESÁRIO DE ÔNIBUS:
– Os R$ 12,1 milhões que saíram do Banco Schahin foram transferidos para conta bancária do Frigorífico Bertin, de José Carlos Bumlai
– R$ 6 milhões foram para pagar dívidas de campanha do PT, principalmente em Campinas e outros R$ 6 milhões para Ronan, mas não diretamente para o empresário de ônibus.
– Os quase R$ 6 milhões para Ronan Maria Pinto foram primeiro para a Remar Agenciamento e Assessoria Ltda, de Oswaldo Rodrigues Vieira Filho, empresário do Rio de Janeiro que já havia sido indicado por outros membros do esquema.
– Foi a partir deste momento que, segundo os procuradores do Ministério Público Federal, o dinheiro começou a ser pulverizado. Do total de quase R$ 6 milhões, a Remar repassou R$ 2,94 milhões para Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus que tinha como principal sócio, Ronan Maria Pinto.
A Lava Jato apreendeu um contrato de empréstimo, com data de 22 de outubro de 2004, que procurava justificar a transferência de dinheiro da Remar Agenciamento para a empresa de ônibus Expresso Nova Santo André. Este contrato foi assinado pelo empresário Oswaldo Rodrigues Vieira Filho, também acusado, e Ronan Maria Pinto. Outro contrato, com a mesma data, entre a empresa 2S Participações Ltda. e a Remar Agenciamento e Assessoria Ltda. Mostra, segundo a Lava Jato, que a origem do empréstimo da Remar para a Expresso Nova Santo André foi justamente a 2S. As duas operações são vinculadas e este contrato é assinado por Marcos Valério e Oswaldo Rodrigues. Como não houve devolução do empréstimo, segundo o Ministério Público Federal, os contratos teriam sido simulados para justificar a transferência final de valores para Ronan Maria Pinto.
– Da Expresso Nova Santo André foram repassados R$ 1,2 milhão para a conta de Maury Campo Dotto, um dos sócios do Diário do Grande ABC.
– A Remar passou diretamente para a conta de Dotto R$ 210 mil
– Ronan também usou parte do dinheiro com origem fraudulenta para comprar ônibus para suas empresas. Segundo o rastreamento do dinheiro, R$ 1,37 milhão para a Mercedes-Benz e R$ 1,13 milhão para a encarroçadora Caio. As fabricantes não são investigadas porque o negócio foi legal. O que os procuradores dizem é que a origem do dinheiro é ilegal, não havendo conhecimento por parte da encarroçadora e da fabricante de chassis.
O LADO DE RONAN MARIA PINTO
Em nota, a defesa se Ronan nega todos os crimes
“Há meses reafirmamos que o empresário Ronan Maria Pinto sempre esteve à disposição das autoridades de forma a esclarecer com total tranquilidade e isenção as dúvidas e as investigações do âmbito da Operação Lava Jato, assim como a citação indevida de seu nome. Inclusive ampla e abertamente oferecendo-se de forma espontânea para prestar as informações que necessitassem.
Mais uma vez o empresário reafirmará não ter relação com os fatos mencionados e estar sendo vítima de uma situação que com certeza agora poderá ser esclarecida de uma vez por todas.
Todas as denúncias que o envolveram ao longo dos anos foram ou estão sendo investigadas e Ronan Maria Pinto vem sendo defendido e absolvido. A mais recente, uma sentença de primeira instância, onde houve condenação, encontra-se em grau de recurso.”
ESQUEMA ENVOLVENDO EMPRESAS DE ÔNIBUS:
O esquema de corrupção envolvendo empresas de ônibus em Santo André teve apuração da justiça estadual e no final do mês de novembro deste ano a juíza da Primeira Vara Criminal de Santo André, Maria Lucinda da Costa, determinou a prisão de Ronan Maria Pinto, do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e do ex-secretário de obras e serviços públicos de Celso Daniel, Klinger Luiz de Oliveira.
No entanto, por causa de brechas na lei, tanto Ronan quanto os outros acusados podem responder em liberdade.
Sobre os empréstimos e os contratos com a Petrobras, José Carlos Bumlai, que está preso há quase três semanas em Curitiba, nega irregularidades e diz que foram normais as transações bancárias. A dívida com banco Schahin foi quitada por venda de embriões de bovinos, mas a Polícia Federal diz que esta venda nunca existiu.
O empresário de ônibus Ronan Maria Pinto nega que tenha participado de eventual esquema de corrupção envolvendo transportadoras em Santo André. Ele chegou a dizer no curso nas apurações que foi perseguido na região do ABC.
No entanto, a versão do empresário foi contestada por outros donos de empresas de ônibus durante as investigações sobre a morte do prefeito Celso Daniel.
Sombra e Klinger foram condenados a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de 78 dias multa pelos crimes de concussão, corrupção passiva, por várias vezes. Já Ronan Maria Pinto foi condenado a 10 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de 48 dias multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa, por várias vezes.
Ronan Maria Pinto e os outros condenados negam que tenha existido o esquema de corrupção em Santo André e que se envolveram em alguma irregularidade.
A Polícia Civil de São Paulo concluiu por duas vezes que o assassinato do prefeito de Santo André tratou-se de um crime comum comandado por criminosos comuns também.
Mas a família de Celso Daniel e o Ministério Público Estadual de São Paulo não entenderam desta forma.
De acordo com as investigações dos promotores, foi justamente este esquema de corrupção envolvendo os transportes por ônibus na cidade de Santo André que motivou o assassinato de Celso Daniel em 2002. Segundo as apurações sobre o esquema de corrupção, os donos de empresa de ônibus que não pagassem a propina sofriam grandes retaliações pela prefeitura sob o comando do PT em Santo André.
Um dos casos mais emblemáticos foi da Viação São José de Transportes, à época da família Gabrilli.
O empresário Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho, pai da deputada Mara Gabrilli, se negou a pagar as propinas que depois, segundo as investigações, eram encaminhadas para o PT nacional.
A Viação São José teve serviços sobrepostos por empresas que pagavam no esquema. Uma das linhas mais importantes da São José era a T 45 que foi sobreposta pela linha B 47 da Viação Padroeira do Brasil.
A Viação Padroeira do Brasil pertencia na época a Baltazar José de Souza, concunhado de Ronan Maria Pinto e parceiro de negócios do parente. Foi justamente na garagem da Viação Padroeira, localizada no Jardim Bom Pastor, que foi guardada Pajero onde estava Celso Daniel com Sombra no dia em que somente o prefeito foi levado pelos criminosos. As sobreposições de linhas constam na decisão da juíza que resultou na condenação à prisão de Ronan Maria Pinto, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Klinger Luiz de Oliveira.
OUTROS EMPRESÁRIOS DE ÔNIBUS CONFIRMARAM:
Não foi apenas a família Gabrilli que confirmou esquema de corrupção envolvendo as empresas de ônibus em Santo André. Outros donos de viações na região do ABC Paulista também relataram saídas de recursos para funcionários da prefeitura e para Ronan Maria Pinto.
O empresário de transporte, João Antônio Setti Braga, em depoimento à CPI criada em Santo André para apurar o esquema, na sessão do dia 10 de julho de 2002, confirmou que R$ 2,5 milhões foram retirados do caixa da empresa Expresso Nova Santo André, entre o final de 1997 e o início de 2000, para serem entregues a representante da prefeitura no esquema.
Setti Braga disse que a quantia em dinheiro vivo era entregue a Ronan Maria Pinto, um dos sócios da empresa Expresso Nova Santo André, que foi criada em 1997 para operar no lugar das linhas da EPT – Empresa Pública de Transportes, cujo braço operacional foi privatizado. A propina era cobrada para os donos de empresa de ônibus operarem com tranquilidade.
Eram donos da Expresso Nova Santo André, João Antônio Setti Braga, Ronan Maria Pinto, Luiz Alberto Gabrilli, Baltazar José de Sousa e Carlos Sófio.
“O dinheiro era para ser entregue a pessoas da prefeitura como um custo político para poder operar as linhas com tranquilidade na cidade” – disse na CPI.
Setti Braga disse à CPI que deixou a Nova Santo André no início de 2000 por não concordar com os métodos da administração da empresa -à época, a cargo de Ronan e Gabrilli.
Setti Braga foi o quarto empresário de ônibus a confirmar na CPI, na ocasião, que havia pagamento de propina. Os outros empresários foram Rosângela Gabrilli, Luiz Alberto Gabrilli Neto e Sebastião Passarelli.
“O custo de R$ 100 mil por mês foi trazido a nós (sócios da empresa Nova santo André) pelo Ronan, que foi nomeado pelo Klinger como uma espécie de interlocutor entre a empresa e a prefeitura. Como a maioria concordou, eu tive de acatar (o pagamento de propina).” – disse Setti Braga na ocasião.
BALTAZAR TAMBÉM CONFIRMOU SAÍDA DE RECURSOS:
Não se referindo diretamente a propina ou a possibilidade de pagar para operar com tranquilidade, outros empresários de ônibus confirmaram na ocasião que o dinheiro saía de forma misteriosa, sem destino claro.
Foi o caso do próprio Baltazar José de Sousa, parente de Ronan Maria Pinto e parceiro nos negócios. O dono da TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações, Carlos Sófio, também confirmou a saída de recursos do sistema de ônibus sem fins conhecidos.
Acompanhe matéria da Folha de São Paulo daquela época:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1107200202.htm
MORTES QUE TERIAM RELAÇÃO COM O ASSASSINATO DE CELSO DANIEL:
Antonio Palacio de Oliveira : garçom. Assassinado em fevereiro de 2003. ServiuSombra e Celso Daniel no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do sequestro. Foi assassinado em fevereiro de 2003. Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome. Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária. O garçom ganhava R$ 400 por mês. De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do sequestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.
Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranquilos e que não tinha ouvido nada de estranho. O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado. “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger. “Era o cara de costume”, respondeu Sombra.
Paulo Henrique Brito : testemunha da morte do garçom. Foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas. Assassinado em março de 2003
Iran Moraes Rédua: reconheceu o corpo de Daniel. Assassinado – dezembro de 2003. O agente funerário foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada em Juquitiba e chamou a polícia.
Dionizio Severo: suposto elo entre quadrilha e Sombra. Assassinado – abril de 2002.Detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado. Abriu a fila. Sua morte se deu três meses depois da de Celso e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do sequestro. Foi recapturado.
Sérgio Orelha: Amigo de Severo. Assassinado em 2002. O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado. Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.
Otávio Mercier: investigador que ligou para Severo. Morto em julho de 2003. O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do sequestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento.
Carlos Delmonte Printes: legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005. Constatou que Celso Daniel foi torturado antes de ser assassinado.
CONDENADOS NO CASO:
Apesar de o Ministério Público ter relacionado fatos e dados que considera como provas para determinar que o assassinato de Celso Daniel foi um crime político, envolvendo as empresas de ônibus de Santo André e o PT Nacional, apenas os chamados os “operadores” do sequestro e do assassinato foram condenados.
Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, também foi relacionado para o julgamento, no entanto, seus advogados conseguiram que ele fosse excluído, não comprovando inocência propriamente dito, mas por um detalhe técnico. Segundo a argumentação, os advogados de Sérgio Gomes da Silva não tiveram acesso aos outros depoimentos, o que prejudicaria a defesa, havendo anulação do processo.
Confira os interrogados e julgados:
Marcos Roberto Bispo dos Santos – Marquinhos: Foi apontado pela Promotoria como sendo o motorista de um dos três carros que participaram do sequestro do ex-prefeito de Santo André. Após a prisão em 2002, ele confessou à polícia participação no crime.A confissão aconteceu na sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo, e foi contestada pela defesa que alega que o cliente foi vítima de tortura. Bispo dos Santos foi condenado a 18 anos de prisão pela morte de Celso Daniel.
Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira – Bozinho:
Rodolfo também confessou à Polícia Civil ser um dos executores de Celso Daniel. Em juízo, porém, Bozinho mudou a versão e disse que foi torturado pelos policiais e obrigado a confessar um crime que não cometeu. Em 2006, contudo, Oliveira fugiu da penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e só foi recapturado no ano seguinte. Na versão do Ministério Público, ele também é apontado como a pessoa que cercou o carro de Celso Daniel e retirou o ex-prefeito do veículo onde estava. Ao fugir da penitenciária em 2006, Bozinho também foi acusado de envolvimento na morte do agente de escolta e vigilância penitenciária Genivaldo Lourenço da Silva, baleado durante a ação. Oliveira foi apontado também pelo irmão de ser o autor dos disparos. Rodolfo foi condenado a 18 anos de reclusão e já estava preso. Por ser menor de 21 anos na época do crime, teve um atenuante na pena.
José Edison da Silva – Zé Edison: Apontado por dois acusados como o mandante dos disparos contra Celso Daniel, também foi arrolado no inquérito da morte do ex-prefeito de Santo André. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1º Vara Criminal de Itapecerica da Serra, decidiu condená-lo a 20 anos de prisão.
Ivan Rodrigues da Silva – “Monstro”: Apontado pela Polícia Civil como o chefe da quadrilha que atuava na favela Pantanal e sequestrou e matou Celso Daniel. Na versão da polícia, a quadrilha era comandada por Ivan Rodrigues da Silva e Itamar Messias dos Santos. A hipótese levantada é que o crime foi cometido por conta de uma suposta tentativa de seqüestro frustrada. Após descobrirem a identidade real do ex-prefeito, os criminosos teriam assassinado o ex-prefeito. Em depoimento À CPI dos Bingos, em 2005, “Monstro” afirmou que o ex-prefeito foi sequestrado por ocupar um carro importado depois da frustrada perseguição a uma Dakota, na mesma noite de 18 de janeiro. A versão da polícia contradiz a do Ministério Público, que concluiu que o crime foi político. Diz a Promotoria que Celso Daniel foi morto porque discordava do esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Santo André. Os desvios estariam servindo não para abastecer o caixa do PT, mas para enriquecer os envolvidos. Ivan Rodrigues foi condenado a 24 anos de reclusão e já estava preso antes do julgamento.
Elcyd Oliveira Brito – John: Foi condenado a 22 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa, e pela utilização de recurso que tornou difícil a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público, Elcyd seria o autor de uma carta endereçada ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito. Preso em 2002 pelo crime, Elcyd fugiu do Centro de Progressão Penitenciária de Pacaembu no dia 4 de agosto de 2010 escalando e pulando os dois alambrados que circundavam a penitenciária, junto com outros dois presos. Elcyd foi preso novamente em seguida.
Itamar Messias Silva dos Santos – Olho de Gato: foi condenado a 20 anos de prisão – em regime inicial fechado – por participação na morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Considerado braço-direito de Monstro, Itamar trabalhava como office-boy antes de cumprir pena na Cadeia Pública de Diadema até o ano 2000, por furto e porte de drogas. Durante a CPI dos Bingos ele confirmou a tese de crime comum e disse que teria libertado o prefeito de Santo André se soubesse quem ele era.
Laércio dos Santos Nunes – Lalo: Era “menor” na época do crime – 16 anos de idade: Foi apontado pela Polícia Civil como um dos autores dos disparos que mataram Celso Daniel. Preso na antiga Febem (hoje Fundação Casa) do Tatuapé na época do crime, ele fugiu da unidade prisional em 2005 e só foi recapturado no ano seguinte, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Após ser preso pela primeira vez, o jovem conhecido como “Lalo” confessou o crime e disse que praticou o ato a mando de José Edson da Silva, um dos líderes do sequestro, por coação.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
