Homenagem é a José Bonifácio, considerado o patriarca da Independência. Local foi um dos mais importantes para a história da mobilidade de São Paulo
ADAMO BAZANI
O dia 7 de Setembro é relembrado por diversos símbolos nacionais e personalidades históricas.
São praças, ruas, avenidas e monumentos que relembram a data que é considerada a independência administrativa do Brasil de Portugal.
Esta Independência teve sua forma e efeito imediato contestados por especialistas em história e causa polêmicas até hoje.
Apesar de o famoso Grito da Independência, no dia 7 de Setembro 1822, ter ocorrido às margens do Riacho do Ipiranga, em São Paulo, em diversas regiões do país há alusões à data e aos seus personagens.
Ainda em São Paulo, uma das homenagens é a Praça do Patriarca. O nome é em alusão a José Bonifácio de Andrada e Silva, considerado um dos nomes mais importantes do processo de independência.
De acordo com os registros históricos da cidade de São Paulo, a praça começou a ser construída em 1912. Para isso foram demolidos antigos casarões entre as Ruas São Bento e Líbero Badaró, na continuidade das Ruas Direita e da Quitanda.
O nome, entretanto, só foi dado em 1922, quando começou a se chamar “Praça Patriarca José Bonifácio”. Em 1953, a nomenclatura passa a ser “Praça do Patriarca”, por causa da simplificação dada pela própria população ao longo dos anos.
Nos anos de 1920, a cidade se tornava metrópole. A Praça e o redor tinham uma beleza especial, sempre com os serviços de ônibus na paisagem
A localização da Praça do Patriarca é privilegiada, na região central. Por ela, é possível ter acesso ao Vale do Anhangabaú, Viaduto do Chá, Rua Líbero Badaró, Rua Direita, Rua São Bento, Rua da Quitanda, Rua XV de Novembro. Atualmente, na esquina com a Ladeira Dr. Falcão, está sede da Prefeitura Municipal de São Paulo, que fica no Edifício Matarazzo. O prédio do antigo Othon Palace Hotel, Edifício Barão de Iguape, o Edifício Sampaio Moreira entre outros tantos, são edificações nobres que contemplam a praça, embora grande parte hoje em estado de degradação.
Por sua importância geográfica, a Praça do Patriarca também foi ponto inicial e final de linhas de ônibus importantes e pioneiras que ajudaram a cidade de São Paulo a crescer.
E foi por meio dos transportes que muita gente conseguiu sua independência financeira, na luta do dia a dia. Afinal, é pelos transportes que os cidadãos têm acesso aos principais serviços básicos, como lazer, saúde e educação, e conseguem chegar onde estão as oportunidades de trabalho, renda e crescimento.
Em diversas fotos antigas da Praça do Patriarca podem ser vistos jardineiras, ônibus ou bondes, que não mais existem na capital paulista.
As filas de passageiros para embarcarem nos ônibus e bondes revelavam uma charmosa, porém lutadora, São Paulo.
A Praça do Patriarca abrigou uma das mais importantes casas comerciais no Brasil: o Mappin, antes mesmo do tradicional prédio da Praça Ramos de Azevedo.
O Mappin, cujo nome oficial no País era Casa Anglo-Brasileira S/A., teve origem em 1774, na cidade de Sheffield, na Inglaterra.
Em 29 de novembro de 1913, os irmãos ingleses Walter e Hebert Mappin, inauguravam a primeira loja, Mappin Stores, na elegante Rua XV de Novembro. Em 1919, foi transferida para a Praça do Patriarca, que ainda não tinha este nome.
Em 1922, a unidade foi alvo de um grande incêndio, que interrompeu as atividades por alguns meses.
No mesmo local, o Mappin ainda voltou a funcionar, mas acabou indo para a Praça Ramos de Azevedo em 1939.
A Praça do Patriarca também foi um importante ponto para a organização da Revolução Constitucionalista, de 1932. Eram realizados os comícios e havia até mesmo um ponto de arrecadação para a Campanha do Ouro, a fim de angariar fundos para o movimento.
Praça do Patriarca se tornou um dos principais pontos para o Movimento Constitucionalista em São Paulo
Na gestão de do prefeito Prestes Maia, de 1938 a 1945, foi construída sob a praça uma galeria com salas de exposição e serviços públicos, que também servia de passagem entre o centro velho e o Vale do Anhangabaú.
Vários ônibus em São Paulo vinham com o nome da Praça em seus letreiros, oriundos de diversas partes da cidade
Em 2002, o local foi revitalizado e os pontos de ônibus remanejados, mas a Praça do Patriarca ficou na memória como um dos locais mais importantes para a história dos transportes em São Paulo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
