Ícone do site Diário do Transporte

Suzantur diz que só em 30 dias deve começar a melhorar os transportes em São Carlos e MP quer barrar aumento de passagem

Ônibus usado pela Suzantur em São Carlos. Passageiros criticam serviços

Não há previsão para Wi-Fi. MP diz que empresa não justificou necessidade de aumento do valor da passagem

ADAMO BAZANI

Com  EPTV

O descontentamento com o início das operações da Suzantur, em São Carlos, no interior paulista, continua, de acordo com mais uma reportagem da EPTV, filial da TV Globo na região.

Nesta quinta-feira, 18 de agosto de 2016, houve aumento do valor da passagem de R$ 3,10 para R$ 3,50. O reajuste foi de 12,9%, superior à inflação desde o último reajuste que acumulou 8,84%, pelo INPC.

Apenas a nova operadora, Suzantur, que assinou um contrato emergencial com a prefeitura,  aplicou este reajuste.

A empresa Athenas Paulista, que estava com contrato vencido desde 2013 e deixa os serviços aos poucos, manteve a tarifa em R$ 3,10 na quinta, mas aumentou para R$ 3,50 nesta sexta-feira, 19.

O Ministério Público informou que o reajuste de R$ 3,10 para R$ 3,50, só poderia entrar em vigor caso a Suzantur que acabou de entrar justificasse a necessidade do aumento, o que segundo o o órgão, não foi feito pela companhia.

O MP entrou com ação na Justiça para reverter o aumento.

O Ministério Público quer detalhes da contratação emergencial da Suzantur pela prefeitura de São Carlos.

Os promotores querem detalhes da remuneração destinada à empresa que, além de tarifa maior, vai contar como subsídio que a Athenas Paulista tinha: R$ 797 mil 167 e 22 centavos por mês.

Além disso, há dúvidas em relação aos critérios da prefeitura para contratar a empresa que respondeu o chamamento aberto do poder público.

 

As insatisfações dos passageiros em relação aos serviços da Suzantur, que começaram em 10 de agosto, continuam.

Lotação, atrasos e quebras de veículos são constantes. Micro-ônibus e até minionibus foram colocados no lugar de ônibus convencionais

Várias promessas da empresa de ônibus para o início da operação não foram cumpridas.

A Suzantur diz que a situação dos transportes só deve começar a melhorar dentro de 30 dias, após a implantação da bilhetagem eletrônica.

A companhia de ônibus não deu uma previsão sobre outra promessa: a instalação do wi-fi, se limitando a dizer que o sistema será implantado aos poucos e disse que ainda vai verificar se no contrato há a exigência da colocação de veículos com ar condicionado: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2016/08/suzantur-reajusta-tarifa-para-r-350-e-athenas-paulista-mantem-os-r-310.html

A Suzantur, que detém o monopólio dos transportes em Mauá, na Grande São Paulo, já opera 12 linhas em São Carlos e deveria ter assumido nesta quarta-feira, 17, outras 19 linhas. No entanto, agora a empresa só deve operar estes trajetos a partir de sábado.

A Suzantur também vai operar todo o transporte de São Carlos e pode participar da licitação para definir a empresa após o fim do contrato emergencial.

MINISTÉRIO PÚBLICO QUER ESCLARECIMENTOS:

O Ministério Público quer detalhes da contratação emergencial da Suzantur pela prefeitura de São Carlos.

Os promotores querem detalhes da remuneração destinada à empresa que, além de tarifa maior, vai contar como subsídio que a Athenas Paulista tinha: R$ 797 mil 167 e 22 centavos por mês.

Além disso, há dúvidas em relação aos critérios da prefeitura para contratar a empresa que respondeu o chamamento aberto do poder público.

A Prefeitura de São Carlos confirmou que vai responder a solicitação dos promotores.

A SUZANTUR:

A antiga empresa operadora de São Carlos, Athenas Paulista, estava com contrato vencido há mais de dois anos. Em maio, o Ministério Público e a prefeitura firmaram acordo que determinou a contratação de uma nova empresa.

O contrato emergencial foi apresentado à Suzantur. A prefeitura de São Carlos deve lançar uma licitação até dezembro e a empresa de Mauá pode participar da disputa.

Depois da notícia da entrada da Suzantur, funcionários da Athenas Paulista realizaram no dia 2 de agosto, uma greve de ônibus na cidade.

No TAC – Termo de Ajustamento de Conduta entre a prefeitura e Ministério Público não havia até então garantias de contratação dos trabalhadores em transporte da cidade. A Suzantur disse, à época, que poderá contratar apenas 500 dos 632 trabalhadores da Athenas Paulista.

A empresa de ônibus Suzantur não tinha experiência em transporte urbano até 2013, quando foi convidada pela administração Donisete Braga, do PT de Mauá, a operar os transportes da cidade emergencialmente após o descredenciamento das empresas Viação Cidade de Mauá e Leblon Transporte de Passageiros que foram acusadas por Donisete Braga de consultarem dados de bilhetagem eletrônica sem autorização.

A própria procuradora do município, Thais de Almeida Miana, não viu ilegalidade no ato das duas empresas e se manifestou em parecer contra a medida, no dia 27 de junho de 2013, mas Donisete continuou com processo de descredenciamento. O caso é ainda contestado na Justiça.

Após o contrato emergencial, a Suzantur participou de licitação em 2014 e se tornou a única empresa operadora de transportes em Mauá.

A licitação também foi polêmica pelo fato do edital trazer exigências muito próximas à realidade da Suzantur e inferiores ao que foi exigido das antigas operadoras da cidade na licitação de 2008-2010, como tempo de experiência comprovada, algo que a Suzantur não tinha no transporte urbano.

A Suzantur hoje tem como sócio majoritário, Claudinei Brogliato, que atuava no segmento de fretamento.

Também figurou como sócio da companhia Ângelo Roque Garcia, irmão de José Garcia Netto, o Netinho, um dos proprietários da Caruana Finaneira, que é um dos principais financiadores de ônibus para empresários do setor. Segundo Claudinei, Ângelo Roque Garcia saiu da sociedade em 2011, mas as relações continuaram com a instituição financeira.

Baltazar José de Souza, que controlava os transportes de Mauá exclusivamente até 2010, quando entrou a empresa Leblon do Paraná quebrando o monopólio, era um dos clientes do “banco” Caruana e não foi descartada, na ocasião, a ligação deste fato com a retirada da empresa paranaense de Mauá, por ação do prefeito Donisete Braga. No entanto, o assunto acabou não indo para frente.

José Garcia Netto, o Netinho, se apresentava como representante da Suzantur até ser eleito presidente do Caruana.

Assim como Beto Peralta, proprietário da Peralta Ambiental e da Paulista Obras e Pavimentação, prestadora de serviços à administração de Donisete Braga, Netinho tem livre acesso ao prefeito petista.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

DIGITAÇÃO: WILSON BAZANI

Sair da versão mobile