Ícone do site Diário do Transporte

Em três meses, MP deve estipular cronograma para ônibus não poluentes em São Paulo

Hoje a maior parte dos ônibus realmente não poluentes é formada por trólebus.

Órgão está colhendo dados de fabricantes para saber qual a capacidade produtiva da indústria e criar metas para a prefeitura e empresas de ônibus

ADAMO BAZANI

Em aproximadamente três meses, o Ministério Público de São Paulo deve assinar com a Prefeitura da capital paulista, empresas de ônibus e fabricantes de veículos menos poluentes um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC para determinar a implantação de uma frota de ônibus menos poluentes em São Paulo.

A informação foi confirmada pelo promotor Marcos Lúcio Barreto, que em dezembro instaurou uma ação para determinar que a prefeitura estipule um cronograma de substituição da frota atual movida apenas com óleo por veículos elétricos, trólebus, híbridos a gás natural, etanol, biocombustíveis, entre outras alternativas.

Conforme apurou o Blog Ponto de Ônibus, o órgão realiza consultas aos fabricantes para verificar a capacidade produtiva da indústria deste tipo de ônibus. Entre os fabricantes ouvidos, estão os associados à ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico, que reúne entre os produtores de ônibus, a Eletra, BYD e Volvo.

Também devem ser ouvidos fabricantes de motores de ônibus a etanol, biodiesel e gás natural.

A Scania, por exemplo, desenvolve no Brasil a capacidade de produção de ônibus a biometano ou GNV na planta de São Bernardo do Campo e está interessada no mercado paulistano.

Já a Mercedes-Benz junto com a Amyris desenvolveu a possibilidade de os ônibus serem movidos por óleo diesel feito a partir de cana-de-açúcar, que não é etanol e pode ser usado nos atuais motores.

A empresa de origem chinesa BYD, que se instalou em Campinas, no interior de São Paulo, testa o ônibus 100% elétricos a bateria na capital paulista. A Volvo, de Curitiba, disponibiliza ônibus elétricos híbridos e a Eletra, de São Bernardo do Campo, oferece trólebus, ônibus híbridos e desenvolve um ônibus 100% elétrico articulado com recarga rápida em estações no meio do trajeto.

A lei 14.933/09, chamada Lei de Mudanças Climáticas, determina que em 2018 nenhum ônibus da capital paulista dependa exclusivamente de óleo diesel para se movimentar.

No entanto, a troca da frota deveria ser gradativa desde 2009, com a substituição de ao menos 10% do total de ônibus da cidade por ano. Hoje menos de 4% dos ônibus são menos poluentes, o que inclui 395 veículos com mistura A10, ou seja, 10% de cana-de-açúcar ao óleo diesel, 201 trólebus e 60 ônibus a etanol. O Blog Ponto de Ônibus também tinha mostrado que alguns ônibus a etanol da Scania operados pela MobiBrasil serão reformados. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2015/12/18/onibus-a-etanol-sao-reformados-em-sao-paulo-e-empresa-estuda-colocar-veiculos-eletricos-na-zona-sul/

Em diversas declarações anteriores, o secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto, disse que a indústria não teria condições de atender a demanda da frota de São Paulo, que hoje gira em torno de 15 mil ônibus.

Com a licitação, devido à racionalização de linhas, a frota de ônibus deve cair para em torno de 13 mil veículos.

No entanto, ainda é muito e, de acordo com secretário, seria impossível cumprir a Lei de Mudanças Climáticas.

O Ministério Público de São Paulo quer saber o quanto a indústria de ônibus menos poluentes pode realmente produzir e assim, com esses dados em mãos, colocar uma nova meta para o poder público e empresas.

Outra questão importante é a financeira. Essa troca acarretaria em maiores custos para o sistema por causa do preço maior dos veículos em comparação com os convencionais, aumentando a necessidade inicial de subsídio. Mas pelos dados que o promotor teve acesso, esse subsídio vale a pena pelo fato os custos com saúde pública serem altamente impactados por causa da poluição.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Sair da versão mobile