Ônibus Metropolitano. Combate ao uso indevido das gratuidades ajuda sistema de transportes, diz Metrocard
Tecnologia compara imagem captada do usuário na catraca e compara com cadastro. Sistema pode ajudar a reduzir os custos para os passageiros pagantes
ADAMO BAZANI
A Metrocard, associação que reúne as empresas de ônibus que prestam serviços na região metropolitana de Curitiba e que é responsável pelo sistema de bilhetagem eletrônica, informou que 320 cartões que dão direito à isenção do pagamento de tarifa foram bloqueados desde setembro do ano passado porque estavam sendo usados de maneira irregular. Apenas no mês de abril deste ano, foram bloqueados 99 cartões.
O sistema de biometria facial, que possibilitou estes bloqueios, foi implantado em setembro de 2015, como parte do processo de implantação de nova bilhetagem eletrônica após a desintegração financeira entre as linhas municipais de Curitiba, gerenciadas pela URBS – Urbanização de Curitiba S.A., e as linhas metropolitanas de responsabilidade da Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, do governo do Estado do Paraná.
O presidente da Metrocard, Lessandro Zem, disse, em nota, que o bloqueio do uso indevido das gratuidades beneficia todos os passageiros pelo fato de estas viagens sem cobrança de tarifa terem o custo repassado para o passageiro que paga.
“Hoje, em média 9,4% dos passageiros são transportados no Sistema Metropolitano de forma gratuita. Como o custo destas gratuidades acaba onerando o valor da tarifa paga pelos demais usuários, é essencial garantir que apenas as pessoas que possuem este direito façam o seu uso … Assim, quem ganha é o usuário e o sistema como um todo, pois tem-se a certeza de que apenas os reais beneficiários estão usufruindo do direito à gratuidade, evitando fraudes que acabam por onerar e impactar negativamente as tarifas.”
O sistema de biometria é batizado de Max Face e foi desenvolvido pela Transdata Smart.
Câmeras nas regiões das cataratas captam imagens dos passageiros e depois programas de computador comparam com o cadastro. Veja como funciona o sistema:
1 – Fotos dos usuários são tiradas durante o embarque dos passageiros.
2- Quando o ônibus volta para a garagem, as fotos coletadas durante o dia são enviadas para a Metrocard, onde um software começa a fazer a análise automática das fotos dos passageiros isentos que utilizaram os veículos durante o dia.
3- Caso as imagens não coincidirem com as fotos previamente cadastradas, irão para uma segunda etapa de verificação, desta vez pessoal. Um funcionário compara a foto tirada do passageiro isento que passou pela catraca com a foto cadastrada no momento em que o passageiro fez seu cartão.
4 – Se for realmente constatado que não se trata do dono do cartão, a Metrocard poderá aplicar as sanções cabíveis para cada caso, como, por exemplo, o bloqueio temporário do cartão.
5 – Quando o cartão for utilizado novamente, o passageiro será comunicado que o bilhete foi bloqueado e que deverá se dirigir até a Metrocard, onde serão apresentadas as fotos do uso indevido.
6- Caso o passageiro ainda tenha direito à isenção, será feita uma segunda via do cartão sem cobrança, e o passageiro será instruído novamente sobre as regras de utilização do transporte gratuito.
O presidente da Metrocard, Lessandro Zem, informou que os investimentos na implantação e manutenção da nova tecnologia não vão pesar para o bolso dos passageiros:
“Os investimentos em tecnologia, efetuados pelas empresas e sem impacto na planilha tarifária, mostram que estamos conseguindo oferecer um serviço com mais qualidade, eficiência e, sobretudo, transparência na gestão do transporte coletivo … Todo este trabalho visa garantir o atendimento à portaria n° 26/2015 da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC), que, na seção III, define as disposições aplicáveis aos cartões isentos e determina que todos os usuários isentos sejam fotografados eletronicamente no cadastro ou renovação do cartão para que a foto fique armazenada no Sistema de Bilhetagem Eletrônica e seja utilizada para personalização do cartão eletrônico e reconhecimento via biometria facial, bem como para demais procedimentos em casos de eventuais irregularidades.”
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes