Greve de ônibus em Curitiba será decidida em assembleia na segunda-feira dia, 23

Assembleias já reuniram 8,75 mil trabalhadores. Na segunda, deve ser realizada assembleia geral para decidir greve

Motoristas e cobradores de ônibus ameaçam cruzar os braços por causa de multas aplicadas pela Urbs

ADAMO BAZANI

Passageiros de ônibus de Curitiba, no Paraná, devem estar atentos para a possibilidade de paralisação dos transportes na próxima semana.

Motoristas e cobradores de ônibus protestam contra anúncio da Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., gerenciadora do sistema local, que deve rever multas no sistema que foram aplicadas entre 2011 e 2012 e depois arquivadas.

O Sindimoc, sindicato que representa a categoria, tem realizado assembleias nas garagens e, de acordo com a entidade, 8 mil 750 mil trabalhadores já aprovaram a possibilidade de paralisação.

As assembleis foram feitas nas empresas do sistema municipal: São José, CCD, Tamandaré Filial, Cidade Sorriso, Mercês, Glória, Marechal Matriz e Filial, Santo Antônio Filial, Expresso Azul, Araucária Filial e Redentor.

Como o indicativo de greve foi aprovado nas primeiras garagens, na última terça-feira, 17 de maio, na categoria pode realizar a paralisação já em qualquer dia da próxima semana.

Nesta segunda-feira, dia 23 de maio, será realizada assembleia na Viação Mercês, a última que resta de todas as companhias que integram os três consórcios operadores municipais: Pioneiro, Transbus e Pontual.

Posteriormente, ainda na segunda-feira, o sindicato deve realizar uma assembleia geral da categoria que pode decretar a paralisação.

O Setransp, que é o sindicato que representa as empresas de ônibus, afirmou que se a multa que pode ser reativada pela Urbs for relacionada ao comportamento do funcionário, as companhias devem realizar os descontos nos salários.

Já a Urbs afirmou que serão revistas as multas referentes ao trabalho das empresas de ônibus e não à atuação dos funcionários. A Urbs também informou que nenhuma dessas multas antigas foi aplicada ainda.

“Alguns têm falado que as multas foram desarquivadas, não é isso. Implantamos um sistema de auditoria e controladoria e descobrimos que tinham multas que não foram pagas Alguns têm falado que as multas foram desarquivadas, não é isso. Implantamos um sistema de auditoria e controladoria e descobrimos que tinham multas que não foram pagas” – declarou nesta semana o presidente da Urbs, Roberto Gregório.

As empresas, entretanto, disseram em nota do Setransp que a maioria das multas “se refere à atuação de motoristas e cobradores e o valor gira em torno de R$ 2 milhões.. As empresas, por meio do Setransp, entraram na Justiça contra essa cobrança e obtiveram liminar determinando que a Urbs suspenda o desconto e apresente documentação em juízo, informando a que se referem tais multas.”

“Tem trabalhador com salário de R$ 1,2 mil e mais de R$ 3 mil em multa abusiva para pagar. Não tem como tolerar isso”, afirmou em nota o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana -Sindimoc, Anderson Teixeira.

Na mesma nota, a entidade trabalhista relaciona alguns tipos de muiltas:

– Multa a motorista que parou ônibus para ajudar passageiro desmaiado dentro do coletivo.

– Multa contra motorista que teve ônibus quebrado por vândalos.

– Multa contra trabalhador que foi ao banheiro urinar.

– Multa a trabalhador por usar blusa por cima de uniforme, numa época em que empresas não forneciam uniformes apropriados para o frio.

– Multa contra cobrador que não conseguiu conter invasão em massa do coletivo.

– Multa contra trabalhador que não expulsou pedinte de dentro do coletivo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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