Greve de ônibus em Curitiba e Região Metropolitana pode ser deflagrada entre sexta e segunda-feira

Assembleias foram realizadas nas garagens

Trabalhadores são contra decisão da Urbs que pode reativar cobrança de multas que foram arquivadas em 2011 e 2012

ADAMO BAZANI

Passageiros de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana devem estar atentos.

O Sindimoc, que é o sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus, aprovou indicativo de greve que pode ser deflagrada nesta sexta-feira, dia 20 de maio, ou nesta segunda-feira, dia 23 de maio.

A categoria é contra decisão da Urbs – Urbanização de Curitiba S.A. que pode aplicar multas que foram arquivadas em 2011 e 2012.

De acordo com lei trabalhista, a categoria só pode deflagrar uma paralisação depois de 72 horas da aprovação do indicativo de greve, que ocorreu na última terça-feira, conforme informou o Blog Ponto de Ônibus, em assembleias nas garagens das Viações Cidade Sorriso e Redentor.

Nesta quarta-feira, houve assembleias em mais garagens, como na Viação São José dos Pinhais e Glória.

De acordo com o Sindimoc, já quatro mil motoristas e cobradores aprovaram a possibilidade de paralisação.

As multas foram aplicadas entre 2011 e 2012, quando a Urbs, além de ser gerenciadora municipal de Curitiba era responsável pelo gerenciamento das linhas metropolitanas.

“Desrespeitando acordo negociado em 2011 entre trabalhadores e Prefeitura de Curitiba e o Decreto 1884/11, elaborado em virtude desse acordo, a URBS S/A decidiu desarquivar cerca de R$ 2 milhões em multas antigas, de 2011 e 2012, a serem pagas pelos motoristas e cobradores. São infrações indevidas, originadas na fiscalização do transporte coletivo, tais como “não uso do uniforme”, sendo que na época não havia agasalhos adequados e motoristas e cobradores usavam blusas para suportar o frio; não contenção de invasões em massa do tubo em dias de jogos de futebol, atribuição de segurança pública exclusiva da Polícia Militar e Guarda Municipal e multa de R$ 500 contra um cobrador que foi ao banheiro. Em 2011, o então prefeito Luciano Ducci reconheceu a injustiça dessas infrações e alterou a Regulamentação do Transporte por meio do Decreto 1884/11. A nova norma revogou a possibilidade das empresas repassarem a empregados as multas aplicadas pela URBS S/A e previu a possiblidade de substituição da multa financeira por medidas saneadoras adotadas para corrigir as supostas falhas operacionais.” – diz nota do Sindimoc.

Urbs NEGA:

Já o presidente da Urbs, Roberto Gregório, disse que serão revistas as multas referentes ao trabalho das empresas de ônibus e não à atuação dos funcionários.

“Várias dessas multas envolvem questões como falta de limpeza, problema de elevadores, problemas em letreiros, equipamentos com danos, nada a ver com o trabalho dos motoristas … Alguns têm falado que as multas foram desarquivadas, não é isso. Implantamos um sistema de auditoria e controladoria e descobrimos que tinham multas que não foram pagas Alguns têm falado que as multas foram desarquivadas, não é isso. Implantamos um sistema de auditoria e controladoria e descobrimos que tinham multas que não foram pagas”

A Urbs também informou que nenhuma dessas multas antigas foi aplicada ainda.

O Sindimoc já realizou assembleias que aprovaram a paralisação em garagens como da Viação Redentor e Viação Cidade Sorriso. Nos próximos dias, devem ser realizadas assembleias em outras companhias de ônibus

Sindicato das Empresas de Ônibus diz que vai repassar para trabalhadores:

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) esclarece:

A Urbs avisou as empresas que pretende descontar multas dos anos 2011 e 2012. A maioria delas se refere à atuação de motoristas e cobradores e o valor gira em torno de R$ 2 milhões.

As empresas, por meio do Setransp, entraram na Justiça contra essa cobrança e obtiveram liminar determinando que a Urbs suspenda o desconto e apresente documentação em juízo, informando a que se referem tais multas.

O Setransp alertou o Sindimoc de que, na hipótese de condenação ao pagamento das referidas multas, aquelas que forem de responsabilidade do pessoal de operação, haverão de ser descontadas de quem de direito.

O Setransp lamenta essa situação e espera obter êxito na demanda judicial, a fim de evitar consequências negativas a todos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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