Greve na Volvo já dura uma semana e situação é indefinida

Na manhã desta segunda-feira, trabalhadores da Volvo decidiram manter greve. Nesta terça- será realizada outra assembleia.

Empresa diz que mantém postos de trabalho se não tiver aumento salarial

ADAMO BAZANI

Não houve acordo nesta segunda-feira, 16 de maio de 2016, entre representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e da Volvo, fabricante de ônibus e caminhões.

A categoria está parada desde a última terça-feira, 10 de maio, e realiza o protesto com medo de perda de postos de trabalho.

Nesta terça, 17, deve ser realizada outra assembleia.

A Volvo sinalizou a possibilidade de demitir ao menos 400 funcionários neste ano, dos quais 250 seriam cortados ainda neste mês de maio.

O motivo, de acordo com a montadora, é a redução nas vendas de caminhões e ônibus por causa da crise econômica.

A planta tem 3.200 trabalhadores, sendo que 1.800 atuam na linha de produção.

A fabricante de chassis de ônibus e de caminhões pesados propôs a manutenção dos 400 postos de trabalho desde que não haja neste ano reajuste salarial e que seja diminuído o valor da Participação nos Lucros e Resultados, o que foi negado pelo sindicato.

Os cerca de 200 trabalhadores do armazém de peças da Volvo, chamado C3, em São José dos Pinhais, decidiram também paralisar as atividades nesta segunda-feira.

Na semana retrasada, também com medo de perder empregos, os trabalhadores da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, fizeram uma paralisação de 24 horas.

Toda a indústria automotiva tem sentido a desaceleração econômica após o descontrole das contas públicas pelo Governo Federal, no entanto, os segmentos de veículos pesados registram resultados ainda mais negativos porque refletem o nível de investimento de outros setores, inclusive do público.

De acordo com o último balanço da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a produção de ônibus acumulada nos quatro primeiros meses deste ano teve recuo de 39,2% em relação ao período entre janeiro e abril do ano passado, que já foi negativo.

CARROCERIAS:

Se o segmento de chassis de ônibus sente a crise econômica e fiscal, que afeta também o ritmo de financiamentos de bens de capital, a indústria de carrocerias segue a tendência.

De acordo com a Fabus, que reúne as encarroçadoras de ônibus no país, de janeiro a março deste ano foram produzidas 2.752 carrocerias de ônibus, número inferior ao mesmo período do ano passado. No entanto, o site associação não traz o comparativo dos períodos.

Já de acordo com a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, foram licenciados de janeiro a abril de 2016, 3.636 ônibus.

O número é 46,3% menor em comparação à quantidade de ônibus licenciados de janeiro a abril de 2015 que somaram 6767 unidades.

Todas as grandes encarroçadoras adotaram ou devem adotar medidas, desde as mais simples até as mais radicais, para enfrentar o momento econômico brasileiro e adequar a mão de obra à demanda do mercado, principalmente o interno. As exportações têm sido o alento para muitas destas fabricantes

CAIO:

A Caio em Botucatu, vizinha da irizar, flexibilizou jornada de trabalho e também realizou cortes.

“Essas duas empresas [Caio e Irizar] estão sofrendo com a atual crise. Durante a minha campanha, em 2014, visitei a Caio e eles tinham 4.200 funcionários. Hoje, pouco mais de um ano e meio depois, esse número caiu para 2.900. A produção também caiu bruscamente. Antes, eram produzidos 40 carros por dia, hoje são produzidos 11 ônibus apenas” – disse o deputado estadual Fernando Cury, que em março, se reuniu com representantes da Caio e da Secretaria da Fazenda para discutir incentivos tributários.

IRIZAR:

A fabricante de modelos rodoviários já demitiu 28 funcionários e deve continuar os cortes que podem chegar a 40 postos nos próximos dias. Uma das medidas da empresa para enfrentar a redução das vendas e, consequentemente da produção, foi enviar trabalhadores para as unidades da Espanha e do México, onde há serviço suficiente. No entanto, estes operários devem voltar no próximo mês e estão em situação indefinida.

MARCOPOLO/NEOBUS:

A Marcopolo, maior encarroçadora de ônibus do Brasil, também adotou medidas de redução de jornada e trabalho, tanto nas unidades de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, como na do Rio de Janeiro, que fabrica ônibus urbanos e que chegou a ter a paralisação suspensa neste ano.

Diante da crise, a empresa anunciou para analistas no final de abril, como informou oBlog Ponto de Ônibus que estuda a possibilidade de fechamento de plantas tanto da marca Marcopolo como da Neobus, encarroçadora que pertence ao grupo. No caso da Neobus, se houver fechamento de planta, a mais cotada é a unidade de Três Rios, no Rio de Janeiro.  Confira neste link:https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2016/05/09/marcopolo-com-estudos-para-eventual-fechamento-de-fabricas-jornada-de-trabalho-e-flexibilizada-mais-uma-vez/

COMIL:

No dia 28 de janeiro, a Comil anunciou o encerramento da produção de ônibus urbanos na fábrica de Lorena, no interior de São Paulo. Em torno de 200 trabalhadores foram demitidos.

A empresa concentra agora toda a produção na sede em Erechim, no Rio Grande do Sul.

A companhia também adotou medidas de flexibilização das jornadas de trabalho. Relembre neste link: https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2016/01/28/comil-fecha-fabrica-de-lorena/

IBRAVA:

No dia 5 de fevereiro foi a vez da Ibrava – Indústria Brasileira de Veículos Automotores anunciar o encerramento temporário das atividades na planta de Feliz, no Rio Grande do Sul. Foram demitidos inicialmente 70 funcionários. A empresa é especializada na fabricação de micro-ônibus, a maior parte deles para linhas urbanas.

Relembre em: https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2016/02/05/ibrava-e-outra-encarrocadora-de-onibus-que-fecha-as-portas-por-causa-de-crise-brasileira/

MASCARELLO:

A encarroçadora de ônibus Mascarello, que fica em Cascavel, no Paraná, propôs no ano passado redução de jornada de trabalho e salários, que foi rejeitada pelos trabalhadores.

No entanto a empresa continua estudando adotar medidas de flexibilização para conter os efeitos da crise.

ÔNIBUS URBANOS ESTÃO EM PIOR SITUAÇÃO:

O setor de ônibus como um todo tem enfrentado as dificuldades atuais do país.

No entanto, de acordo com a Anfavea, o pior segmento é justamente o de ônibus urbanos cuja queda é maior do que a média do setor de veículos pesados.

Isso se explica pelo fato de o segmento de ônibus urbanos depender do capital privado e também do capital público que vem sofrendo com descontrole das contas públicas e a retração nas atividades econômicas.

Apesar de o número de frotistas públicos no Brasil ser muito pequeno, é a redução nos investimentos em mobilidade urbana, aí sim dependendo das verbas públicas, que explica essa redução maior no segmento de urbanos.

As prefeituras sentem o contingenciamento dos recursos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal.

No ano passado, ao cortar de R$ 69,9 bilhões do Orçamento, no ajuste fiscal ao reconhecer o descontrole das contas públicas, o Governo Federal retirou R$ 27,6 bilhões de projetos da segunda fase do PAC, o que representa 37% do total de cortes.

Quando são reduzidos os investimentos em corredores de ônibus, por exemplo, e licitações de sistemas importantes, como da capital paulista, são barradas, não há uma renovação significativa da frota de urbanos.

De acordo com o mais recente balanço divulgado em 5 de maio de 2016, pela Anfavea -Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a produção de ônibus no Brasil entre janeiro e abril deste ano teve recuo de 39,2% em relação ao mesmo período de 2015, que já registrou números negativos expressivos

Segundo o levantamento, nesse período, foram produzidos em 2016, 5.924 chassis de ônibus contra 9.747 de janeiro a abril de 2015.

Como a crise econômica e fiscal atinge diretamente os cofres públicos, afetando assim os investimentos em mobilidade urbana, o setor de ônibus urbanos foi o que mais registrou queda, de acordo com a Anfavea. A produção de urbanos de janeiro a abril de 2016 recuou 43,4% em relação ao mesmo período de 2015. Foram fabricados neste ano 4.338 chassis de ônibus urbanos ante 7.659 do período de janeiro a abril de 2015.

Estes números são refletidos na prática nos planejamentos de fabricantes de chassis e carrocerias de ônibus.

Mas não são apenas os investimentos públicos que interferem na redução do ritmo de renovação de ônibus urbanos. Por causa do desemprego, que em abril de 2016 atingiu em torno de 11 milhões de pessoas, as empresas de ônibus têm perdido demanda.

No ano passado, o desemprego já tinha interferido nesta redução no número de passageiros.

De acordo com dados da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que reúne em torno de 500 viações, no ano passado, os ônibus deixaram de transportar 900 mil passageiros por dia em 15 das principais cidades do país e uma região metropolitana, incluindo as maiores capitais, que somam quase dois terços da demanda dos passageiros de ônibus em todo o país.

O número significa uma queda de 4,2% em relação aos patamares de 2014. É o quarto ano de perda seguida e a maior registrada nesta década.

De acordo com o levantamento da NTU,  se anteriormente o motivo da redução do número de passageiros foi a concorrência com outras formas de deslocamento, como carros e motos que receberam incentivos especiais do Governo Federal, desta vez segundo a entidade patronal, a crise econômica é que explica esta queda maior.

Segundo os empresários, a situação faz com que mais pessoas se desloquem a pé e também com desemprego, menos pessoas usam diariamente os ônibus para se deslocarem ao trabalho. Mesmo que saiam para procurar emprego, o número de viagens tende a ser menor que a rotina anterior.

As piores perdas, de acordo com este levantamento da NTU, divulgado a parte da imprensa, foram nas cidades de Curitiba e Goiânia com que de 8% e 7,9% respectivamente no número de passageiros em 2015.

Para tentar reverter o quadro, a NTU sugere uma série de incentivos para o transporte público, como a criação de uma taxa por litro combustível para reduzir os aumentos nas tarifas.

Confira as cidades ou regiões metropolitanas pesquisadas pela NTU:

– Grande Porto Alegre: queda de 6,1%

– Joinville: queda de 4,3%

– Curitiba: queda de 8%

– Londrina: queda de 4,7%

– São Paulo: queda de 0,9%

– Rio de Janeiro: queda de 0,1%

– Belo Horizonte: queda de 6,5%

– Goiânia: queda de 7,9%

– Salvador: queda de 4,1%

– Aracaju: queda de 5,9%

– Maceió: queda de 0,8%

– Recife: queda de 5,2%

– Natal: queda de 5,2%

– Teresina: queda de 7,8%

– Fortaleza: queda de 2,2%

CONFIRA A TABELA:

Pesquisa_NTU

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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