Ônibus elétricos são destaques em evento sobre transportes não poluentes

José Antônio do Nascimento, da Eletra, fala para membros da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva sobre as alternativas em ônibus não poluentes desenvolvidas pela empresa.

De acordo com Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, é necessário disseminar mais as formas de tração alternativas ao petróleo para a sociedade, frotistas e indústrias

ADAMO BAZANI

Que as cidades em todo mundo precisam reduzir os níveis de poluição e melhorar a mobilidade, com ênfase para o transporte coletivo e transporte não motorizado, é um consenso.

Para isso, os veículos elétricos são apontados como uma das soluções. No entanto, ainda há dúvidas sobre a viabilidade destes tipos de veículos para realidades de diferentes locais do mundo, em especial em países como o Brasil, onde os incentivos são baixos e existem ainda questões a ser respondidas sobre aspectos econômicos e operacionais.

De acordo com o presidente da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Edson Orikassa, existem ainda problemas em relação ao ganho de escala para que as alternativas ao petróleo atendam às expectativas do mercado e se tornem plenamente possíveis e deixem de ser apenas projetos. No entanto, ele disse que o pior problema é a falta de informação adequada e até um certo preconceito por parte de operadores e gestores sobre as inovações tecnológicas.

“No Brasil, existe uma barreira psicológica sobre as novas tecnologias que contribuem com a mobilidade, sendo necessário por parte da nossa entidade difundir e atualizar a indústria com essas novas opções de fontes energéticas … Existe ainda a real necessidade de adequar os regulamentos e laboratórios para que a implementação em larga escala de tecnologias alternativas possa atender aos requisitos mínimos de performance, eficiência energética e controle de emissões”

As declarações foram feitas durante a cerimônia de abertura da 2ª edição do Seminário de Propulsões Alternativas, realizada no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.

O evento reuniu representantes da indústria, especialistas nacionais e internacionais, e membros do poder público para discutir não somente a viabilidade técnica, como também políticas que possam incentivar o desenvolvimento e ampliação de frotas limpas, seja de ônibus ou de veículos de passeio.

Ônibus elétricos testados ou já operados comercialmente no Brasil ganharam destaques nas discussões.

Em nota, a AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva detalha a apresentação dos trólebus, ônibus à bateria e do Dual Bus, um ônibus que reúne as tecnologias híbrida e trólebus.

“Os modelos com tecnologia Trólebus, Híbrida e Elétrica que circulam no Estado de São Paulo foram exibidas por José Antonio do Nascimento, da Eletra Industrial. “O trólebus utiliza de rede elétrica da cidade, enquanto o híbrido absorve energia que vem do grupo gerador, além de um banco de baterias carregadas. Já o elétrico puro traz consumo de 50.562,5 kW/h e tempo médio de recarga de 14,7 min, sendo necessário 6 recargas por dias, incluindo dois não operacionais, ou seja, um antes e um depois” disse Nascimento.

O projeto DualBus da Eletra também foi apresentado e trata-se de um ônibus elétrico que pode operar como híbrido (grupo motor-gerador + baterias) ou Trólebus (rede aérea), mantendo o mesmo desempenho operacional. Para Nascimento, este conceito permite maior flexibilidade, já que a mesma frota pode operar em vários sistemas, com áreas pré-estabelecidas de zero emissão.”

Já o presidente da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, Joaquim Lopes, falou sobre o projeto de ônibus a hidrogênio que hoje possui quatro veículos no Corredor ABD. O primeiro foi apresentado em 2011 e não sai mais para testes. Outros três, mais modernos, entregues em julho do ano passado estão sendo testados com passageiros, entre as cidades de Diadema e Santo André.

“A hibridização combina o sistema de célula a combustível com baterias de tração, com gerenciamento de energia, permitindo redução do consumo de hidrogênio, operação eficiente, maior durabilidade e confiabilidade do sistema”, afirmou Lopes.

Entre os resultados operacionais do projeto, Lopes destacou a emissão zero de poluentes e ruídos, 12.000 km percorridos no total, consumo de 13,5 kg H2/100 km e sem falhas no sistema de célula a combustível. Como desafios, Lopes citou a necessidade de capacitação de empresas para a operação e manutenção da estação de produção e abastecimento de hidrogênio; capacitação da indústria nacional quanto à fabricação e manutenção dos ônibus a célula a combustível e exploração de outras fontes de obtenção de hidrogênio.           

Mas não foram apenas os ônibus elétricos citados como exemplos para mobilidade não poluente.

Especialistas nacionais e internacionais também conheceram os ônibus a hidrogênio, operados no Corredor Metropolitano ABD.

No evento, além dos veículos da Eletra e dos ônibus a hidrogênio operados pela Metra, o táxi elétrico híbrido em São Paulo, o sistema de frota de carros elétricos compartilhados na Europa e regulamentação dos veículos híbridos foram temas.

Mais um consenso entre os especialistas foi que se de um lado existem avanços tecnológicos, do outro, a legislação brasileira e as iniciativas do poder público com incentivos, não apenas financeiros, mas com a formação de políticas, ainda precisam evoluir muito.

Ainda na nota, a assessoria da AEA resume as outras apresentações.

Em palestra “Táxi elétrico e híbrido”, o presidente da Associação das Empresas Frotistas de Taxi, Ricardo Auriemma, comentou sobre o uso de veículos elétricos e híbridos no setor de táxi em São Paulo. O projeto, elaborado em parceria com a Eletropaulo, a Nissan, a Prefeitura Municipal de São Paulo e o Sindicato das Empresas de Taxi do Estado, reuniu 10 veículos elétricos, 10 carregadores lentos e cinco carregadores rápidos.

 

“O objetivo deste trabalho foi conhecer o veículo elétrico, a autonomia das recargas, manutenção, reações dos públicos envolvidos, motoristas e usuários de taxi”, afirmou Auriemma. Como resultado, os veículos elétricos utilizados rodaram 115 mil km cada, consumindo no total 31.050 KWh. Também realizaram em média seis viagens por dia no total de 24 diárias no mês por 4 anos, totalizando 6.912 viagens por veículo.

Em suas considerações finais, o Auriemma ressaltou que os veículos corresponderam às expectativas, apresentando condições estruturais favoráveis ao uso intensivo, mas ressaltou sobre a falta de postos de recarga para veículos elétricos e a padronização do plug de carga.

Experiências de mobilidade compartilhada foram exibidas por Frank Turkovics, da PSA, em palestra “Car Sharing”. Na oportunidade, Turkovics comentou sobre o uso da conectividade em um modelo de projeto já utilizado em países na Europa, como França e Alemanha. Lançado em 2012, o sistema permite o usuário com o uso do aplicativo no seu smartphone, registrar, agendar, acessar e acionar o veículo elétrico. Após sua utilização, o carro é devolvido em pontos recarga, sendo pelo serviço cobrado a quantia de 28 cents de euro o minuto, o equivalente a 16,80 euros por 1 hora de uso.

“Atualmente o projeto conta com 350 veículos elétricos em uso e uma média de 2,6 saídas de carro por dia. E quando há o uso do aplicativo é possível saber onde eles estão em circulação”, complementa Turkovics.

Em apresentação “Regulamentação de Laboratório”, Thomas Kauffeldt, da AVL comentou sobre a importância das regulamentações dos veículos híbridos por conta de fatores fundamentais como testes de emissões, economia de combustível e autonomia dos carros elétricos.

Um estudo realizado para o entendimento dos modelos, tipos de carga e estrutura mais adequada para a implementação dos veículos elétricos foi exibida por Danilo Leite, da CPFL Energia, em palestra “Mobilidade Elétrica”. Realizado em Campinas/SP, o Projeto Emotive foi criado com o objetivo de estudar os impactos dos veículos na rede elétrica, entender as necessidades de adequação da rede e possíveis modelos de negócio dentro do ecossistema de mobilidade elétrica para o desenvolvimento de uma infraestrutura de recarga adequada e a qualificação de provedores e instaladores.

Um fator determinante para a viabilidade dos EVs no País apontado por Leite é a padronização do plug de recarga que, como proposta inicial, sugeriu o tipo 2 AC. “Esta versão atinge níveis de potência de até 43kW, traz manutenção simplificada e menor custo”, diz Leite.

Além disso, foi mostrado ao público presente do seminário um reformador de hidrogênio por meio da eletrólise da água. O equipamento foi importado do Canadá e mostra a alta tecnologia aplicada a essa finalidade, que separa o hidrogênio da água por meio da eletrólise, o que resulta na produção do hidrogênio usado como combustível na célula de combustível nos ônibus movidos a hidrogênio que, por sua vez, gera energia elétrica e move os motores do veículo. Os apresentadores da EMTU mostraram muita preocupação e disseram que procuram novos parceiros para administrar essa tecnologia, já que os parceiros anteriores desistiram da parceria.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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