Com Euro 6, Mercedes-Benz desiste de ônibus híbrido

Ônibus híbrido da Mercedes. Executivo mundial da marca não crê na viabilidade econômica no momento: Der Mercedes-Benz Citaro FuelCELL-Hybrid

Chefe mundial da Daimler Buses, Hartmut Schick, diz que hoje ônibus a energia elétrica não é viável economicamente. No Brasil, parceria com Eletra continua

ADAMO BAZANI

Com o advento da norma europeia Euro 6, de restrição a emissões de poluentes por veículos a diesel, a Mercedes-Benz não vai continuar, pelo menos momentaneamente, com os projetos de produção e ampliação de ônibus elétricos e ônibus híbridos, que mesclam tração elétrica e a combustão.

A informação é do chefe mundial da Daimler Buses, Hartmut Schick, durante evento de 60 anos da Mercedes-Benz no Brasil, nesta quinta-feira, 28 de abril de 2016, que teve cobertura do Blog Ponto de Ônibus.

Segundo ele, o objetivo agora é melhorar a eficiência do óleo diesel.

“Não vamos continuar com híbridos. O óleo diesel é o combustível para os próximos 30 ou 40 anos. Nosso objetivo é melhorar a eficiência com o óleo diesel, hoje a energia elétrica ainda não é economicamente viável para ônibus” – afirmou o executivo alemão.

Hartmut Schick se referiu ao fato de, segundo ele, a tração elétrica em ônibus ainda ter maior custo de desenvolvimento, depender de incentivos do poder público para a aquisição dos veículos, que são mais caros, e também para operação.

“Não queremos mais fazer testes protótipos, queremos fazer ônibus pra valer” – completou.

O chefe mundial da Daimler Buses, Hartmut Schick, afirmou que marca não quer mais oferecer ao mercado modelos que param nos protótipos.

O executivo, entretanto, não descartou que o Grupo Daimler continue realizando estudos de produtos e de mercado, mas reiterou que as formas de tração alternativas a óleo diesel não são o foco da marca alemã.

Na Ásia, em parte da Europa e da América do Norte tem crescido substancialmente a frota de ônibus híbridos ou puramente elétricos. Algumas companhias, como a chinesa BYD, que se instalou recentemente em Campinas, no interior de São Paulo, se dedicam exclusivamente a produção de baterias e veículos elétricos.

BRASIL:

Apesar da postura mundial da marca, o ônibus híbrido não foi descartado no Brasil, onde ainda a tecnologia é Euro 5, que trouxe eficiência e redução de emissões de poluentes em relação à tecnologia anterior Euro 3, no entanto, é menos rígida que a nova norma europeia.

O vice-presidente de ônibus da Mercedes-Benz na América Latina, Ricardo José da Silva, disse que a parceria com a fabricante brasileira de tecnologia para tração elétrica no transporte coletivo, Eletra, de São Bernardo do Campo continua.

A Eletra, que atua no mercado brasileiro há 30 anos, colocou em circulação o primeiro ônibus elétrico híbrido do país, em 1999. Foi um veículo articulado, adaptado num ônibus diesel.

Em 2013, a Mercedes-Benz e a Eletra apresentaram ao mercado o Híbrido BR, que segundo as marcas, foi primeiro ônibus híbrido com tecnologia 100% nacional.

A Mercedes-Benz continua fornecendo chassis para trólebus articulados com equipamentos da Eletra. Foi a fornecedora também de chassis para projetos da empresa de tecnologia de São Bernardo do Campo.

Um deles é o Dual Bus, um ônibus superarticulado, de 23 metros, que opera como ônibus híbrido e trólebus.

O E-Bus, um projeto da Eletra com a Mitsubishi, de ônibus articulado movido a baterias também tem chassi da Mercedes-Benz, mas a marca alemã não desenvolveu a plataforma para o projeto. O E-Bus foi construído a partir da adaptação de um trólebus, que já estava em operação no Corredor ABD, entre a capital paulista e região do ABC.

Ricardo José da Silva falou das dificuldades de aceitação de tecnologias alternativas o uso somente do óleo diesel nos ônibus. O executivo lembrou do Dual Fuel, ônibus bicombustível movido a diesel e gás natural.

O veículo ainda não teve aceitação no mercado brasileiro, no entanto, o continente africano importou em torno de 250 unidades do ônibus.

O Dual Fuel foi apresentado na Transpúblico, feira de mobilidade urbana e de veículos de transporte coletivo, na edição de 2013.

A Mercedes-Benz confirmou, naquela ocasião, os avanços nos testes ainda de bancada (dentro de fábrica) do motor OM 926 LA de 6 cilindros e 7,2 litros, que atende à legislação Proconve P-7 (equivalente ao Euro 5).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

6 comentários em Com Euro 6, Mercedes-Benz desiste de ônibus híbrido

  1. Amigos, boa noite.

    Gostei deste posicionamento.

    “Não queremos mais fazer testes protótipos, queremos fazer ônibus pra valer”

    Assim, aproveito a oportunidade para fazer uma pergunta ao Sr. Hartmut Schick -Chefe mundial da Daimler Buses.

    Eu gostaria de saber e entender o por que a Vito Tourer 119 Luxo 7+1,recém lançada no Brasil não possui os seguintes itens:

    – Motor Diesel;

    – Câmbio automático;

    – Porta de correr no lado do motorista;

    – Acionamento elétrico nas postas de correr.

    Sinceramente eu não consigo entender e não concordo com a versão lançada.

    Na mina opinião a Vito Tourer 119 Luxo 7+1 e as outras versões de passageiros, nasceram mortas.

    Sugiro que o senhor avalie esta questão ou a encaminhe para o Chefe mundial da Vito.

    Aguardo ansiosamente a sua resposta.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

    • Boa noite Paulo Gil,

      Existe uma lei que diz que somente carros de uso misto com capacidade de carga superior a 1.000 kg (incluindo ocupantes), podem ter motor a diesel. Por isso a Vito 119 Tourer é flex e a Vito 111 Cdi Furgão possui motor a diesel

      Concordo contigo com relação aos outros itens, porém, eles trouxeram a versão mais básica. Só o preço não é básico. A versão Tourer 119 Luxo custa R$140 mil e R$110 mil com ar, a versão Furgão 111 CDi.

      A versão que conta com os itens que vc citou é a Classe V, que é muito mais luxuosa que a versão vendida aqui e consequentemente bem mais cara.

      https://www.youtube.com/watch?v=dhX8Ec_JrhA

      Com relação às vendas, já foram vendidas 100 unidades da versão Tourer 119 Comfort 8 +1 para a Movida Rent a Car.

      • Paulo Gil // 1 de Maio de 2016 às 11:51 //

        Zé Tros, bom dia.

        Só agora li este seu comentário.

        Muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito obrigado pelo vídeo.

        Ainda bem que só vi o vídeo agora, senão eu teria ficado mais “P” da vida ainda, apesar do meu desconhecimento, não do Classe V, mas de suas qualidades.

        O que me deixa inconformado e sem entender o porque, é que na Europa a MBB tem a “roda redonda” e aqui no Brasil fabrica ou traz dos hermanos a “roda quadrada”.

        Quando fui ver a Vito, ao vivo, o vendedor me disse que o público alvo da Vito tem ido vê-la, mas quando sabem que não tem câmbio automático vão embora, pois dizem que querem câmbio automático.

        Na minha opinião o “furo” da MBB foi tão grande, pois nem o público alvo que ela pretende atender, ela não atendeu, dai eu achar que é natimorto o produto.

        Meu pai tem uma teoria que diz:

        Há dois tipos de empresas:

        Tipo 1: As que precisam vender.

        Tipo 2: As que NÃO precisam vender, e este é o tipo da MBB a qual é uma indústria fortíssima.

        Outro dia fui numa concessionária ver o MOBI, ai sai estarrecido, mas conversa vai e conversa vem com amigos, desenvolvi uma teoria para as montadoras, tendo em vista eu não entender tais coisas como por exemplo a Vito “pé de boi” ou (-) 5.

        Creio que o Brasil é o centro de pesquisa mais barato do mundo para as montadoras, pois além do brasileiro comprar qualquer produto que colocam à venda, seja por falta de noção em qualidade ou por comprar somente em função da prestação caber no bolso, entendo que as montadoras trazem os produtos para o Brasil, para realizar “teste de campo real” real e em ruas mega esburacadas e ainda receberem por isso.

        O que comprova a minha teoria, é a VITO; na Europa tem a com “roda redonda”, então vamos levar para o laboratório Brasil a com a “roda quadrado” para um “teste de campo real” no Brasil, teste este o qual ainda dará lucro.

        Pode ser que eu esteja errado, mas a minha cabeça NÃO entende e NÃO aceita, ter a VITO 5 na Europa e trazerem a VITO (-) 5 para o Brasil.

        Eu tenho um projeto que necessito da VITO 5 e não o da VITO (-) 5 e se ela tivesse sido trazida, pode até ser que eu faria um “carnezinho” com 200 prestações.

        Mas …

        Acho que é mais fácil eu mandar fazer uma van como eu quero lá no México naquele customizador que passa na TV, afinal aquele cara é o cara, transforma fusca em Citaro.

        KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKkkk

        E o caos do Brasil são as leis em excesso e que proíbem um monte de besteira, por isto temos te andar de VITO (-) 5 com “roda quadrada”.

        E tem um detalhe, na porta traseira tem um puxador igual de fusca, para que possamos puxar aquela porta imensa e pesada.

        Pelo menos teu erei onde comprar um puxador novo para substituir os do meu fusca.

        KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

        Por essas e outras o Brasil vive o caos e a vergonha de hoje.

        Mas sou otimista, pois só sairemos deste “buraco” se começarmos a pensar redondo e produzir produtos automobilísticos com rodas “redondas”

        Só com a eliminação da mentes Jurássicas, o Brasil irá “rodar redondamente”.

        Forte abraço e obrigado por seu comentário técnico.

        Att,

        Paulo Gil

      • É talvez a MB tenha errado em não ter oferecido o câmbio automatico como opcional. Mas o problema eu acredito nem que seja esse, mas, o preço que é cobrado pelo carro com câmbio manual. Talvez se fosse mais barato, o público alvo relevaria a falta do câmbio automático.

        Uma outra coisa é que o público associa a Mercedes como algo extra-luxo e entrar num Mercedes e ver um câmbio manual não é nada agradável.

        Agora quanto ao porque na Europa, a Mercedes tem a roda redonda e aqui a roda é quadrada, eu respondo. Na Europa, as pessoas e empresas compram a roda redonda e não querem saber da roda quadrada. Até pq os governos não aceitam que as empresas comprem a roda quadrada. Aqui é ao contrário, as empresas oferecem a roda redonda, mas as empresas só compram a roda quadrada, com a permissão da generosidade dos órgãos gestores.

  2. Claro la fora e tudo menos poluente, aqui sempre com conversinhas, quanto as empresas e possível sim ter pelo menos 30% da frota com híbridos, basta a prefeitura obrigar, porque fabricar e fácil, exemplo da Metra, vergonha isso.

  3. E o tempo dirá se esse posicionamento foi ou não bem sucedido.

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