Evoluções e lacunas dos transportes municipais São Bernardo do Campo

Frota está mais nova, mas idade média ainda supera 5 anos, de acordo com ETCSBC

Houve evolução, como bilhetagem e frota mais nova, mas ainda nem todos os ônibus são acessíveis e corredores estão com três anos de atraso

ADAMO BAZANI

O número de viagens realizadas pelos ônibus municipais em São Bernardo do Campo no ABC Paulista cresceu em 2015 na comparação com o ano de 2009, de acordo com a ETCSBC – Empresa de Transporte Coletivo de São Bernardo do Campo.

Segundo os dados da empresa gerenciadora, em 2009, foram realizadas 72,5 milhões de viagens. Em 2015, este número subiu um pouco, indo para 72,6 milhões.

O número de gratuidades, descontos nas passagens e integrações sem cobrança também aumentou neste período.

De acordo com ETCSBC, em 2009, 77,5% do total de viagens foram pagos. Em 2015, o índice pagamento de viagens caiu para 68,5%.

O maior número de viagens e o aumento no total de gratuidades se devem à implantação do Cartão Legal, sistema de bilhetagem eletrônica, que começou a operar em 2010, segundo a prefeitura.

Pelo sistema, o passageiro pode usar mais um ônibus pagando apenas uma tarifa no período de até 3 horas.

No ano passado, foram emitidos 427 mil 852 cartões. As modalidades são: Comum, Vale-Transporte, Empresarial, Escolar, Social, Sênior, Especial, Especial Acompanhante e Criança Cidadã.

Os interessados em obter um dos cartões podem acessar o site www.cartaolegal.com. O sistema também disponibiliza o aplicativo Recarga Agora, compatível com os sistemas operacionais Android e do iPhone.

FROTA MAIOR:

Os ônibus em são Bernardo do Campo são operados por uma única empresa, a SBCTrans.

De acordo com ETCSBC, a frota de ônibus em São Bernardo do Campo cresceu 12% no período de 2009 a 2015.

Em 2009, eram 348 veículos em operação e, em 2015, o número foi para 387 ônibus.

A renovação ocorreu após investimentos da SBC Trans. Hoje a cidade conta com ônibus que oferece wi-fi, por exemplo.

A frota da cidade ainda não é totalmente acessível, mas os ônibus com equipamentos destinados a pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida passaram de 78, em 2009, para 299, em 2015.

Já renovação de frota contribuiu para a redução da idade média dos ônibus, que passou de 6,6 anos em 2009, para 5,8 anos, em 2015.

A SBCTrans opera desde 2006.

CORREDORES ATRASADOS:

Os corredores de ônibus de São Bernardo do Campo, que facilitariam os deslocamentos municipais e a integração com outras cidades, deveriam estar prontos em 2014. No entanto, os primeiros trechos devem ser concluídos apenas no final deste ano e no início de 2017.  Ao todo são 12 corredores de ônibus.

Em nota, o diretor operacional da Empresa de Transporte Coletivo de São Bernardo do Campo – ETCSBC, Alécio Batista, diz que os corredores vão promover uma revolução nos deslocamentos na cidade.

“Há os investimentos nos corredores de ônibus, que vão mudar a forma como as pessoas se locomovem pela cidade … Em todo o município serão implantados 12 corredores de ônibus, três dos quais em construção: o Leste-Oeste, com 13 quilômetros de extensão; o Alvarenga, que vai atender umas das regiões mais adensadas da cidade; e trecho do Corredor João Firmino. Outra obra de porte em andamento é a do Terminal Alves Dias, no Bairro Assunção. ”

Anunciado como uma das soluções para mobilidade em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o Programa de Transportes Urbanos da cidade apresentado em abril de 2012 não vai ser entregue pela gestão do Prefeito Luiz Marinho. Entre as promessas do programa estava a conclusão de 12 corredores de ônibus e quatro terminais até 2014.

Para o programa, o governo municipal conta com US$ 250 milhões do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Com o decorrer do tempo, diante de dificuldades financeiras e também em relação aos projetos, a prefeitura mudou a meta e prometeu a entrega de 12 quilômetros de corredores de ônibus 2014. Só que esta meta também não foi cumprida.

Agora, em 2016, a estimativa é de que apenas o corredor da Estrada dos Alvarengas seja entregue à população.

O Corredor Alvarenga vai sair do Terminal Alves Dias, que está em construção, e seguir pela estrada dos Alvarengas, avenida Robert Kennedy até a região da Avenida Piraporinha, dando acesso para o município vizinho: Diadema, somando 3,6 quilômetros.

O maior corredor de ônibus e que promete desafogar até 40% do trânsito em São Bernardo será o corredor Leste Oeste, que deve ter 13,6 quilômetros de extensão e cruzar a cidade. As obras já iniciaram, mas o caminho para o transporte público só deve estar completamente pronto em junho de 2017, de acordo com a mais recente promessa da prefeitura de São Bernardo do Campo.

Com os 13,6 quilômetros, o Corredor de Ônibus Leste-Oeste de São Bernardo do Campo vai desde o km 22 da rodovia dos Imigrantes, perto do limite com Diadema, até a Praça dos Bombeiros, passando pela estrada Samuel Aizemberg, passando pela avenida José Odorizzi, viaduto Tereza Delta, avenidas Francisco Prestes Maia e Tiradentes.

As obras devem custar R$ 419 milhões, sendo que R$ 247 são provenientes do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento com a seguinte divisão: R$ 165 milhões liberados por financiamentos e R$ 82 milhões provenientes do Orçamento Geral da União. A contrapartida do município é de R$ 172 milhões.

O pacote de corredores e terminais prometidos no Plano de Transportes Urbanos de São Bernardo do Campo engloba os seguintes espaços:

– Corredor de Ônibus Faria Lima

– Corredor de Ônibus Jurubatuba

– Corredor de Ônibus Montanhão

– Corredor de Ônibus Ferrazópolis

– Corredor de Ônibus Rotary

– Corredor de Ônibus Capitão Casa

– Corredor de Ônibus Castelo Branco

– Corredor de Ônibus Galvão Bueno

– Corredor de Ônibus João Firmino

– Corredor de Ônibus Senador Vergueiro

– Corredor de Ônibus Leste-Oeste

– Corredor de Ônibus Alvarenga

– Terminal de Ônibus Alves Dias

– Terminal de Ônibus Batistini

– Terminal de Ônibus Vila São Pedro

– Terminal de Ônibus Rudge Ramos

Em artigo, o secretário de Coordenação Governamental e de Serviços Urbanos da Prefeitura de São Bernardo do Campo, Tarcisio Secoli, diz que com os corredores o tempo de viagem dos ônibus pode cair 30% e devem ampliar em 40% a capacidade do transporte coletivo municipal:

Das 65 linhas de ônibus de São Bernardo do Campo, dez trafegam mais de 40 km (ida e volta). Diariamente, na cidade são transportadas cerca de 240 mil pessoas. Por outro lado, de acordo com dados do IBGE, existem aproximadamente na cidade 380 mil automóveis, 65 mil motocicletas e 13 mil caminhões para ficarmos apenas nas principais categorias. A frota de veículos cresce ano a ano assim como o aumento populacional. Desta forma, nossas respostas para os problemas são sempre à altura dos desafios desta cidade de pouco mais de 800 mil habitantes.

Para evitar a exaustão dos sistemas de transporte público e particular, demos início, em 2010, à implementação de um novo plano de mobilidade urbana para São Bernardo do Campo. Integra este trabalho o rebaixamento e criação da Nova Lions, a duplicação de importantes avenidas como Pery Ronchetti, Galvão Bueno e Café Filho e obras como a conclusão do Viaduto Moysés Cheid, no km 22,5 da Via Anchieta, que ficou 36 anos abandonado.

Além disso, estamos implementando 12 corredores de ônibus e três terminais de integração, totalizando cerca de 80 quilômetros de vias exclusivas. Estão em execução os corredores de ônibus Leste-Oeste, o maior de todos, com 13 quilômetros de extensão, Alvarenga, com o primeiro trecho entrando em funcionamento em julho, João Firmino e Rudge Ramos, além do Terminal Alves Dias.

Com o conjunto de corredores de ônibus em operação, a capacidade de transporte de passageiros será ampliada em 40%, enquanto a velocidade de tráfego dos ônibus tende a subir 30%, de acordo com os estudos da Prefeitura. O que representa a redução média do tempo de viagem em aproximadamente 20 minutos.

Essa nova malha será interligada ao transporte de massa com a chegada do metrô por meio da Linha 18 Bronze, que fará a ligação de São Bernardo à estação Tamanduateí. O projeto básico foi executado pela Prefeitura, que obteve inclusive financiamento do governo federal. Agora, estamos aguardando o Estado de São Paulo fazer as desapropriações. Essa ação é de responsabilidade do Metrô.

Estamos falando de intervenções estruturantes que só estão sendo realizadas graças ao nosso compromisso com a população e à articulação do prefeito Luiz Marinho, que conseguiu financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) de US$ 250 milhões para 11 corredores de ônibus. O 12o tem aproximadamente R$ 400 milhões de investimentos federais. As obras de mobilidade incluem ainda a reforma de mais de 60 quilômetros de ruas e avenidas e a construção de 5,1 km de ciclovia e ciclofaixa.

Os nossos projetos são de curto, médio e longo prazos para São Bernardo do Campo. Trabalhamos para tornar as viagens das pessoas mais rápidas e confortáveis, para que tenham tempo de ficar com a família, lazer ou estudos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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