Prefeitura de Curitiba inicia a pesquisa de Origem e Destino nesta sexta-feira

Publicado em: 7 de abril de 2016

onibus

Ônibus em Curitiba. Pesquisa pode resultar na criação de linhas novas.

Objetivo é traçar a realidade do sistema de transportes e planejar ações futuras. Levantamento vai abordar 17 cidades da região metropolitana

ADAMO BAZANI

A partir desta sexta-feira, 8 de abril de 2016, a prefeitura de Curitiba, no Paraná, dá início à fase de campo na pesquisa de Origem e Destino no sistema de transportes.

Nesta fase, os pesquisadores vão às casas dos moradores, identificados com colete, boné e crachá da Pesquisa de Origem e Destino.

Além de ser realizada na capital paranaense, a pesquisa também vai consultar moradores de 17 municípios da região metropolitana de Curitiba: Almirante Tamandaré, Araucária, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Contenda, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Itaperuçu, Mandirituba, Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, Rio Branco do Sul e São José dos Pinhais.

A pesquisa vai custar R$ 6,3 milhões com recursos da Prefeitura de Curitiba e Agência Francesa de Desenvolvimento.

Características dos deslocamentos dentro do município de Curitiba e na região metropolitana, os hábitos dos passageiros e os locais principais de interesse do passageiro, são informações que podem gerar alterações futuras no sistema de transportes, como a criação de novas linhas de ônibus e eliminação de sobreposições que aumentam os custos do sistema.

Confira a relação dos primeiros locais da Pesquisa Origem Destino e serem visitados pelas equipes de pesquisadores:

Curitiba

Alto Boqueirão

Capão Raso

Caximba

Campo de Santana

Centro

Cidade Industrial

Pinheirinho

São Miguel

Sítio Cercado

Tatuquara

Umbará

Região Metropolitana de Curitiba

Colombo

Fazenda Rio Grande

Piraquara

Quatro Barras

São José dos Pinhais

A Pesquisa de Origem e Destino dos transportes de Curitiba e da região metropolitana vai ser dividida em três fases. A primeira é a que tem início nesta sexta-feira, o levantamento domiciliar, que deve ouvir ao menos 56 mil pessoas. A segunda parte é a contagem volumétrica, que consiste na medição de velocidade dos veículos, além da operação dos transportes. A terceira é uma pesquisa de opinião sobre o grau de satisfação em relação ao transporte coletivo, sistema viário e com trânsito em geral.

Acompanhe as explicações da prefeitura em nota:

O que é uma Pesquisa Origem Destino?

É uma pesquisa com o objetivo de levantar o volume e as características dos deslocamentos realizados pela população em suas atividades diárias. Os hábitos de deslocamento das pessoas que moram e passam por uma região são investigados para que se possa saber de onde vêm, para onde vão, como vão e quando fazem isso.

Por meio do cruzamento dos resultados da Pesquisa Origem Destino com algumas variáveis, tais como características socioeconômicas ou aspectos físicos e urbanos da ocupação do território, é possível estabelecer projeções futuras para as necessidades de deslocamentos da população. Também é possível direcionar o desenvolvimento da cidade para melhor adequação a essas necessidades.

Pesquisa domiciliar

A principal frente de pesquisa, por ser a mais ampla e mais completa, será composta pelas entrevistas domiciliares. Para que possam ser obtidas 16 mil pesquisas válidas, estima-se que serão realizadas cerca de 80 mil entrevistas. No total, devem ser ouvidas pelo menos de 56 mil pessoas.

As entrevistas vão apresentar informações sobre todas as pessoas que vivem no domicílio para identificar seus hábitos de deslocamento: aonde vão, com que frequência, em quais horários, porque usam determinados meios de transporte, porque não usam outros, o que gostariam de usar e quais as dificuldades enfrentadas em seus deslocamentos.

Contagem volumétrica

A segunda frente de pesquisa é a contagem volumétrica e medição de velocidade de veículos que já está sendo realizada. Serão duas etapas: de março a junho e de agosto a novembro – meses em que os fluxos de deslocamentos são considerados típicos, pois as escolas, o comércio e o setor de serviços funcionam normalmente.

A pesquisa contabiliza quantos veículos passam pelos locais escolhidos, quantas pessoas há dentro dos veículos, quais são os tipos de veículos (carros, ônibus, caminhões, motos e bicicletas) e, ainda, quantas pessoas transitam a pé. No caso dos veículos de carga, o condutor é abordado para o levantamento de dados específicos: o tipo de carga que está levando, de onde veio e para onde vai.

Os levantamentos estão sendo realizados em vias de ligação importantes dentro das cidades pesquisadas, em vias de ligação entre as cidades, nas rodovias, nos entroncamentos etc. Isso inclui o anel externo à área de abrangência do transporte coletivo da Região Metropolitana de Curitiba. Vias de grande tráfego ou de ligação entre bairros – tanto para pedestres quanto para veículos – também estão sendo pesquisadas. Ao todo, serão mais de mil locais e rotas.

As datas e locais onde são realizadas as contagens volumétricas não serão divulgados para evitar distorções no levantamento.

Pesquisa de opinião

O terceiro tipo de levantamento compreendido pela Pesquisa de Origem Destino é de opinião. As perguntas dirão respeito ao grau de satisfação com o transporte coletivo, com o sistema viário e com o trânsito em geral, além dos problemas enfrentados e trajetos não atendidos.

Resultados previstos

A Pesquisa Origem Destino vai apresentar um retrato da atual situação de mobilidade em Curitiba e nos municípios mais próximos da região metropolitana que também geram impactos sobre o trânsito na capital. Além disso, serão produzidas ferramentas de análise dos resultados obtidos e haverá treinamento dos servidores municipais para uso dessas ferramentas.

Desta forma, os levantamentos vão permitir a criação e a análise de diversos cenários e simulações de intervenções. Desde a alteração de mão de tráfego numa via ou a implantação de passeios para pedestres até a criação de novas linhas de ônibus e o aumento de frota em determinada região ou horário, tudo poderá ser simulado e avaliado previamente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Jhonatan Ferreira de Mello disse:

    Excelente reportagem, Adamo!

    Aqui na cidade de Curitiba, são raríssimas as alterações das linhas. Basicamente, muda uma rua ou outra.
    Como as linhas são bem antigas, podemos ter surpresas na pesquisa-OD da capital.

    Uma curiosidade daqui: Como os itinerários são muito antigos, ninguém conhece o nº da linha dos ônibus, todo mundo chama pelo nome. Ex: “Linha do Abranches, ou “Pega o Cabral-Portão sentido Portão”…

    A mesma coisa vale para o BRT – Foi criado aqui e, no entanto, todo mundo conhece como “biarticulado” ou “expresso”. Ex: Expresso Pinheirinho, Biarticulado de Pinhais…rs

    Abraço,

    Jhonatan Ferreira de Mello

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