Moro considera explicações de Ronan Maria Pinto “frágeis” e que deixaram “lacunas”.

Ronan Maria Pinto, Marcos Valério, José Carlos Bumlai, Lula, morte de Celso Daniel, Diário do Grande ABC, ônibus no ABC, Diário do Grande ABC, contratos do Grupo Schahin com a Petrobrás, Gilberto Carvalho…nomes e fatos se cruzam na Operação Lava-Jato e mais investigações são necessárias.

Lava-Jato investiga offshores de Danilo, filho de Ronan

ADAMO BAZANI

Ao determinar a prisão preventiva do empresário de ônibus Ronan Maria Pinto, que também é dono do jornal local Diário do Grande ABC, o juiz federal Sérgio Moro considerou em seu despacho que as justificativas e explicações apresentadas por Ronan em depoimento à Polícia Federal e Ministério Público Federal sobre dinheiro com suspeita de origem fraudulenta foram “frágeis” e “deixaram lacunas”.

Já o ex-secretário geral do PT, Silvio Pereira, o Silvinho Land Rover, preso no mesmo dia de Ronan, foi solto por Moro, mas está impedido de deixar o país. Segundo Moro, são necessárias mais investigações sobre os pagamentos que o ex-secretário do PT recebeu de empreiteiras como a UTC e a OAS, por isso, a manutenção de sua prisão não se justificaria.

Ronan Maria Pinto foi preso temporariamente na última sexta-feira, 1º de abril de 2016.

Primeiramente, o juiz Sérgio Moro decretou a prisão temporária por cinco dias e nesta terça-feira atendeu pedido do Ministério Público Federal, determinando a prisão preventiva de Ronan Maria Pinto.

A prisão preventiva é aquela que impede a liberdade do investigado até o julgamento da ação. No entanto, a defesa pode tentar fazer com que a pessoa responda em liberdade.

Para determinar a prisão preventiva de Ronan Maria Pinto, o juiz levou em consideração três fatos: a possibilidade (segundo Moro) de o empresário obstruir a Justiça, a condenação de Ronan a prisão de 10 anos e 4 meses por suposto esquema de corrupção envolvendo empresas de ônibus em Santo André, que, segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, teria motivado o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, e a existência de duas offshores em nome de Danilo Régis Fernandes Pinto, filho de Ronan Maria Pinto.

A suspeita do Ministério Público Federal é de que as offshores Topanga Hills Lot e Manper Corporation são usadas por Ronan Maria Pinto e pelo filho para ocultar movimentações financeiras suspeitas.

Danilo, em nota, negou.

“Diante das notícias publicadas, decorrentes da 27ª fase da Operação Lava Jato, destaca que todos bens que possui, inclusive participações em empresas no Brasil e no Exterior, foram devidamente informadas em suas declarações de Renda” e que “ apresentará às autoridades legais todas as declarações de Imposto de Renda e do Banco Central, bem como quaisquer informações e/ou documentos que se façam necessários para comprovação da sua idoneidade, esclarecendo que o simples fato de cópia de tais documentos estarem na sala de seu pai não é sinal de ilegalidade”.

Durante a 27ª fase da Operação Lava-Jato denominada, Carbono 14, na qual Ronan foi preso, dentro de uma gaveta trancada na sala de Ronan Maria Pinto, da presidência do Diário do Grande ABC, foram encontrados documentos relativos a estas empresas offshores.

A Operação Lava Jato investiga, entre outras coisas, empréstimo considerado fraudulento do Banco Schahin para o amigo de Lula, o pecuarista José Carlos Bumlai, de R$ 12 milhões realizado em 2004.

Ainda de acordo com as investigações, o dinheiro foi para quitar dívidas do PT, que nunca pagou o banco.

A maneira de o Partido dos Trabalhadores retribuir este “favor” foi conceder um contrato de R$ 1,6 bilhão para o Grupo Schahin operar o navio sonda Vitória 10.000. É justamente com base nessa “troca de favores” e no suposto direcionamento irregular do empréstimo que a polícia considera a operação fraudulenta.

Em 2012, durante as investigações sobre o esquema do mensalão, o publicitário Marcos Valério, considerado um dos operadores das compras de votos, disse que o empresário de ônibus Ronan Maria Pinto ameaçou envolver os nomes de lideranças petistas como, José Genoino, Gilberto Carvalho, José Dirceu e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que ocorreu em 18 de janeiro de 2002.

Para ficar em silêncio, Ronan Maria Pinto teria exigido do PT, R$ 6 milhões. Ainda de acordo com as declarações, o dinheiro foi pago pelo partido ao empresário de ônibus que usou os recursos para se tornar sócio majoritário do jornal Diário do Grande ABC, com sede em Santo André, e que é distribuído nos sete municípios da região do ABC Paulista: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Em novembro de 2015, o pecuarista José Carlos Bumlai confirmou as declarações de Marcos Valério e disse que os R$ 6 milhões utilizados por Ronan Maria Pinto para se tornar sócio majoritário do Diário do Grande ABC, são provenientes dos R$ 12 milhões que o banco Schahin o emprestou para depois direcionar ao PT. Os outros R$ 6 milhões seriam para cobrir dívidas da campanha do prefeito petista, assassinado em novembro de 2001, Toninho do PT.

Em depoimento na última segunda-feira , 4 de abril de 2016, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, Ronan Maria Pinto negou que o dinheiro tem a origem política. Ronan disse que os R$ 6 milhões foram usados para renovar frotas de ônibus em Santo André.

Ronan Maria Pinto disse que o dinheiro fez parte de um empréstimo da empresa carioca Remar para renovar parte da frota de uma de suas empresas de ônibus. Ronan admitiu que já fez negócios com a Remar Assessoria, do empresário Oswaldo Rodrigues, e afirmou que parte deste valor foi diretamente para a Mercedes-Benz.

Por meio de rastreamentos financeiros legais, dados da Polícia Federal e da Receita Federal e dos depoimentos de Marcos Valério e de José Carlos Bumlai, o juiz federal Sérgio Moro classificou as saídas de recursos do Banco Schahin para Bumlai, depois para o PT, para Ronan Maria Pinto e para os antigos proprietários do Diário do Grande ABC como um “malabarismo financeiro”  na tentativa ocultar a ilegalidade da operação.

PROCURADOR DIZ NÃO TER DÍVIDAS QUE RONAN ERA O DESTINATÁRIO FINAL DO DINHEIRO:

O procurador Diogo Castor de Mattos, do Ministério Público Federal, que integra a Força-Tarefa da Operação Lava-Jato afirmou na sexta-feira, 1º de abril de 2016, em entrevista coletiva na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde estão reunidas as investigações, que o empresário de ônibus e dono do Diário do Grande ABC foi o destinatário final de R$ 5,7 milhões  dos  R$ 12 milhões oriundos de um empréstimo considerado fraudulento pelos investigadores liberado pelo banco Schahin para o PT.

Segundo procurador o valor total para o ABC Paulista foi de R$ 6 milhões, no entanto, R$ 300 mil foram utilizados por Ronan para pagar comissões para a liberação do dinheiro.

O empresário Ronan Maria Pinto foi um dos presos nesta sexta-feira, 1º de abril de 2016, na 27ª fase da Operação Lava Jato, denominada Carbono 14.

O empréstimo foi realizado em 2004. Os outros R$ 6 milhões, de acordo com o procurador, foram destinados para quitar dívidas antigas de campanha do prefeito Toninho, do PT.

Toninho do PT foi assassinado a tiros em 10 de setembro de 2001.

O dinheiro destinado a Ronan Maria Pinto também pode ter relação com morte de prefeito.

De acordo com indícios nas investigações, Ronan Maria Pinto teria conseguido este dinheiro chantageando lideranças do PT para não envolver o nome de Luiz Inácio Lula da Silva no assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, que foi morto em 18 de Janeiro de 2002.

A Operação Lava Jato não investiga diretamente o caso Celso Daniel, e sim os recursos movimentados, mas os fatos relacionados à política e às empresas de ônibus de Santo André vão ser considerados.

“ A razão pela qual ele [Ronan Maria Pinto] recebeu esses valores é a grande pergunta que a investigação pretende responder. Até o final da investigação pretendemos, Polícia Federal e Ministério Público Federal, pretendem descobrir a razão pela qual ele recebeu esses valores.A princípio, ele não era um marqueteiro de campanha que justificaria o repasse de valores para pagar dívidas de campanha, como seria o sr Armando Peralta e Giovani Favieri que, de acordo com o depoimento do sr José Carlos Bumlai receberam a outra metade dos R$ 12 milhões para pagar dívida de campanha do prefeito de Campinas, na época” – disse o procurador.

O procurador afirmou que antes desta operação, Ronan Maria Pinto já tinha 20% do jornal Diário do Grande ABC. O dinheiro teria sido usado, segundo ainda o procurador Diogo Castor de Mattos, para Ronan arrematar outros 40% do jornal.

O integrante do MPF na Operação Lava Jato disse que parte do dinheiro foi direto para Ronan e depois para os antigos controladores do Diário do Grande ABC e outra parte antes de chegar aos antigos acionistas majoritários do Diário do Grande ABC passou pela Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus que tinha como um dos principais controladores Ronan Maria Pinto.

“Todas as investigações e a prisão se justificam Ronan. Ele tem envolvimento em outros fatos, é condenado há mais de 10 anos por crime de administração pública [envolvendo as operações de ônibus no ABC] e é investigado em crimes de ordem tributária, mais recentemente entre 2011 e 2013” disse o procurador na entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, 1º de abril de 2016.

Os procuradores pediram prisão preventiva, no entanto, o juiz Sérgio Moro concedeu prisão temporária.

Além de Ronan, também foi preso temporariamente Silvio Pereira, ex secretário geral do PT, conhecido como Silvinho Land Rover.

O apelido é relacionado ao modelo de carro que Silvio teria recebido num esquema de corrupção. Ele fez um acordo com a justiça na época e cumpriu pena de prestação de serviço. Depois foi tocar um restaurante com a família.

Já o mandado de condução coercitiva foi contra o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o jornalista Breno Altman.

OUTRO LADO:

Todos os investigados negam participação em supostos esquemas de corrupção.

Em nota emitida na manhã desta sexta-feira, 1º de abril de 2016, a assessoria de Ronan Maria Pinto diz que o empresário de ônibus há meses afirma que está à disposição da Operação Lava-Jato e que se ofereceu de forma espontânea para prestar esclarecimentos anteriormente.

De acordo ainda com a assessoria de Ronan, o empresário é vítima de uma situação que pode agora ser esclarecida definitivamente. A assessoria ainda disse que o nome de Ronan está sendo utilizado de maneira indevida.

A nota completa é a seguinte:

“Há meses reafirmamos que o empresário Ronan Maria Pinto sempre esteve à disposição das autoridades de forma a esclarecer com total tranquilidade e isenção as dúvidas e as investigações do âmbito da Operação Lava Jato, assim como a citação indevida de seu nome. Inclusive ampla e abertamente oferecendo-se de forma espontânea para prestar as informações que necessitassem.

Mais uma vez o empresário reafirmará não ter relação com os fatos mencionados e estar sendo vítima de uma situação que com certeza agora poderá ser esclarecida de uma vez por todas.

Solicitamos à imprensa atenção a essa nota e mais seriedade e sobriedade na apresentação do empresário, assim como nas informações e afirmações que vêm sendo feitas e divulgadas. Todas as denúncias que o envolveram ao longo dos anos foram ou estão sendo investigadas e Ronan Maria Pinto vem sendo defendido e absolvido. A mais recente, uma sentença de primeira instância, onde houve condenação, encontra-se em grau de recurso.” 

O Diário do Grande ABC, como empresa, também divulgou uma nota, com partes do conteúdo muito semelhantes à nota de Ronan:

Ao longo de seus 57 anos de existência, o jornal Diário do Grande ABC carrega um histórico de compromisso com a verdade dos fatos, com a imparcialidade e, principalmente, com o seu leitor. O maior jornal regional do País é o principal porta-voz dos legítimos interesses dos moradores de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Região esta, composta por 2,7 milhões de habitantes, que corresponde ao 5º maior PIB do Brasil.

E é por conta dessa história vitoriosa e desse compromisso com o leitor que o Diário do Grande ABC vem a público esclarecer que, na manhã desta sexta-feira (01), por volta das 6h, seis agentes da Polícia Federal, em duas viaturas, estiveram na sede do jornal, à Rua Catequese, 562, bairro Jardim, Santo André, para cumprir mandados de busca e apreensão de documentos. A ação fez parte da 27ª fase da Operação Lava Jato.

Por três horas, os funcionários – inclusive os jornalistas – foram impedidos de adentrar ao prédio para realizar suas funções. A entrada somente foi liberada por volta das 9h. Os agentes tiveram acesso ao departamento jurídico e à sala da presidência da empresa. Vale ressaltar que nem a instituição Diário do Grande ABC e nenhum de seus funcionários foi ou está sendo investigado na Operação Lava Jato. Apenas e tão somente o presidente da instituição, Ronan Maria Pinto, está sob investigação. Cabe lembrar que Ronan sempre se colocou à disposição das autoridades e sempre negou qualquer envolvimento em atos de corrupção ou chantagem.

Como acionista, Ronan não tem e nunca teve qualquer interferência editorial do veículo de comunicação. E o jornal, cumprindo sua missão social, sempre divulgou, sem qualquer tipo de restrição, todas as fases da apuração até aqui ­– incluindo esta última, a 27ª. Os arquivos do jornal estão à disposição para comprovar que nenhuma informação deixou de ser publicada. O Diário do Grande ABC é e sempre será maior do que qualquer um de seus acionistas e colaboradores. E seguirá firme no compromisso e na responsabilidade de bem informar os moradores das sete cidades da região.  

 

AS PRISÕES, CONDENAÇÕES EM OUTROS CRIMES E OS ÔNIBUS DO ABC PAULISTA:

O empresário de ônibus Ronan Maria Pinto e dono do jornal Diário do Grande ABC foi preso na manhã desta sexta-feira, 1º de abril de 2016, durante 27 ª fase da Operação Lava Jato,  denominada de Carbono 14.

A prisão temporária foi determinada pelo juiz federal Sergio Moro dentro do âmbito da Operação Lava Jato.

Policiais Federais cumpriram dois mandados de prisão temporária, oito de busca e apreensão, além de dois de condução coercitiva. A ação ocorre em São Paulo, Carapicuíba, Osasco e Santo André.

Além de Ronan, também foi preso temporariamente  Silvio Pereira, ex secretário geral do PT, conhecido como Silvinho Land Rover.

O apelido é relacionado ao modelo de carro que Silvio teria recebido num esquema de corrupção. Ele fez um acordo com a justiça na época e cumpriu pena de prestação de serviço. Depois foi tocar um restaurante com a família.

Já o mandado de condução coercitiva foi contra o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o jornalista Breno Altman.

A Operação Lava Jato chegou ao caso do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Esta fase investiga lavagem de dinheiro de empréstimo do Banco Schahin que foi pago com recursos da Petrobras.

A Operação Lava Jato chegou ao empresário de ônibus e dono do Diário do Grande ABC investigando as declarações do amigo de Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai, que contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões.

Segundo ele, em torno de R$ 6 milhões foram destinados a Ronan Maria Pinto, que teria chantageado lideranças do PT para não envolver o nome de Lula na morte do prefeito.

O dinheiro foi usado pelo empresário de ônibus Ronan para comprar o jornal local Diário do Grande ABC, segundo as investigações, Bumlai e o publicitário Marcos Valério, em depoimento já nas investigações sobre o Mensalão.

O Ministério Público Federal do Paraná emitiu a seguinte nota sobre as operações desta sexta-feira:

“27ª fase da Lava Jato investiga lavagem do dinheiro de empréstimo do Banco Schahin que foi pago com recursos da Petrobras  

Estão sendo cumpridos, nesta sexta-feira, dia 1º de abril de 2016, mandados de prisões temporárias, busca e apreensão e conduções coercitivas para aprofundar a investigação sobre o esquema de lavagem de capitais de cerca de R$ 6 milhões provenientes do crime de gestão fraudulenta do Banco Schahin, cujo prejuízo foi posteriormente suportado pela Petrobras. Durante as investigações da Operação Lava Jato, constatou-se que Jose Carlos Bumlai contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões. O mútuo, na realidade, tinha por finalidade a “quitação” de dívidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Esses fatos já haviam sido objeto de acusação formal, sendo agora foco de uma nova frente investigatória.

A partir de diligências, descobriu-se que, do valor total emprestado de R$ 12 milhões a Bumlai, pelo menos R$ 6 milhões tiveram como destino o empresário do município de Santo André (SP), Ronan Maria Pinto. Como ressaltou a decisão que decretou as medidas cautelares, “a fiar-se no depoimento dos colaboradores e do confesso José Carlos Bumlai, os valores foram pagos a Ronan Maria Pinto por solicitação do Partido dos Trabalhadores”. Para fazer os recursos chegarem ao destinatário final, foi arquitetado um esquema de lavagem de capitais, envolvendo Ronan, pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e terceiros envolvidos na operacionalização da lavagem do dinheiro proveniente do crime contra o sistema financeiro nacional.

Há evidências que apontam que o Partido dos Trabalhadores influiu diretamente junto ao Banco Schahin na liberação do empréstimo fraudulento. Para chegar ao destinatário final Ronan Maria Pinto, os investigados se utilizaram de diversos estratagemas para ocultar a proveniência ilícita dos valores e a identidade do destinatário final do dinheiro obtido na instituição financeira. Em suma, há provas que apontam para o fato de que a operacionalização do esquema se deu, inicialmente, por intermédio da transferência dos valores de Bumlai para o Frigorifico Bertin, que, por sua vez, repassou a quantia de aproximadamente R$ 6 milhões a um empresário do Rio de Janeiro envolvido no esquema.

Finalmente, há evidências de que este empresário carioca realizou transferências diretas para a Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus controlada por Ronan Maria Pinto, além de outras pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo empresário para recebimento de valores. Dentre as pessoas indicadas para recebimento dos valores por Ronan, estava o então acionista controlador do Jornal Diário do Grande ABC, que recebeu R$ 210.000 em 9/11/2004. Na época, o controle acionário do periódico estava sendo vendido a Ronan Maria Pinto em parcelas de R$ 210.000. Suspeita-se que uma parte das ações foi adquirida com o dinheiro proveniente do Banco Schahin. Uma das estratégias usadas para conferir aparência legítima às transferências espúrias dos valores foi a realização de um contrato de mútuo simulado, o qual havia sido apreendido em fase anterior da Operação Lava Jato.

Outras pessoas possivelmente envolvidas na negociação para a concessão do empréstimo fraudulento pelo Banco Schahin também são alvo da operação realizada hoje. Identificou-se que um dos envolvidos recebeu recursos de pessoas e empresas que mantinham contratos com a Petrobras e que já foram condenadas no âmbito da Operação Lava Jato. Esses pagamentos ocorreram ao menos até o ano de 2012. As pessoas cuja prisão foi determinada já tiveram prévio envolvimento com crimes de corrupção”

INCÊNDIO EM ESCRITÓRIO DE TESTEMUNHA SERÁ INVESTIGADO:

Horas antes da deflagração da 27 ª fase da Operação Lava-Jato que culminou na prisão temporária do empresário de ônibus e dono do Diário do Grande ABC, Ronan Maria Pinto, um incêndio destruiu o escritório de uma das testemunhas do empréstimo do banco Schahin recebido pelo PT e transferido para Ronan, segundo Polícia Federal e Ministério Público Federal .

As chamas consumiram parte da edificação onde está o escritório de Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, considerado peça-chave da Operação Lava-Jato.

O incêndio atingiu a sala comercial na Avenida Santo Amaro, no Itaim-Bibi, zona Sul de São Paulo, por volta das 22h desta quinta-feira. A operação ocorreu a partir das 6h da manhã desta sexta-feira.

Meire Poza entregou à Polícia Federal  -PF  um documento que comprovaria a destinação de R$ 6 milhões do PT ao empresário Ronan Maria Pinto. Segundo as apurações da Lava Jato, com o dinheiro, Ronan se tornou principal acionista do Diário do Grande ABC.

A polícia investiga as declarações do publicitário Marcos Valério, ainda nas apurações sobre o mensalão petista em 2012, que afirmou que Ronan conseguiu o dinheiro do PT após o empresário ter ameaçado envoler o nome de Luís Inácio Lula da Silva na morte do prefeito de Santo Celso Daniel.

“O que me veio na cabeça é que pode ter sido algum tipo de retaliação”, afirmou Meire Poza na manha desta sexta-feira em entrevista à Rádio Jovem Pan. – Confira em:http://jovempan.uol.com.br/programas/jornal-da-manha/escritorio-de-ex-contadora-de-youssef-pega-fogo-pode-ter-sido-retaliacao-diz.html

A contadora tinha o escritório no local desde 2009. Atualmente tinha 4 funcionários e em torno de 50 clientes. Meire Poza afirmou que hoje no prédio não havia mais nenhum documento relacionado ao esquema apurado na Lava Jato.

A Polícia Civil ainda vai investigar as causas do incêndio.

O procurador do Ministério Público Federal, Diogo Castor de Mattos, que integra a força-tarefa da Lava Jato, disse nesta sexta-feira que os documentos relacionados ao esquema e relatados por Feire já foram entregues e que o incêndio não traz prejuízo às investigações.

O Ministério Público Federal no Paraná deve procurar a contadora para saber se ela recebeu ameaças ou algo do tipo.

A destinação de parte do empréstimo de R$ 12 milhões do Banco Schahin ao PT foi para Ronan, de acordo com depoimento do amigo de Lula, segundo a PF, e pecuarista, José Carlos Bumlai.

A vantagem num contrato de R$ 1,6 bilhão para exploração de um navio sonda foi a forma de pagamento a Bumlai escolhida pelo PT, com recursos bem maiores que a dívida, segundo a investigação.

ESQUEMA ENVOLVENDO EMPRESAS DE ÔNIBUS:

O esquema de corrupção envolvendo empresas de ônibus em Santo André teve apuração da justiça estadual e no final do mês de novembro deste ano a juíza da Primeira Vara Criminal de Santo André, Maria Lucinda da Costa, determinou a prisão de Ronan Maria Pinto, do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e do ex-secretário de obras e serviços públicos de Celso Daniel, Klinger Luiz de Oliveira.

No entanto, por causa de brechas na lei, tanto Ronan quanto os outros acusados podem responder em liberdade.

Sobre os empréstimos e os contratos com a Petrobras, José Carlos Bumlai, que está preso há quase três semanas em Curitiba, nega irregularidades e diz que foram normais as transações bancárias. A dívida com banco Schahin foi quitada por venda de embriões de bovinos, mas a Polícia Federal diz que esta venda nunca existiu.

O empresário de ônibus Ronan Maria Pinto nega que tenha participado de eventual esquema de corrupção envolvendo transportadoras em Santo André. Ele chegou a dizer no curso nas apurações que foi perseguido na região do ABC.

No entanto, a versão do empresário foi contestada por outros donos de empresas de ônibus durante as investigações sobre a morte do prefeito Celso Daniel.

Sombra e Klinger foram condenados a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de 78 dias multa pelos crimes de concussão, corrupção passiva, por várias vezes. Já Ronan Maria Pinto foi condenado a 10 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de 48 dias multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa, por várias vezes.

Ronan Maria Pinto e os outros condenados negam que tenha existido o esquema de corrupção em Santo André e que se envolveram em alguma irregularidade.

A Polícia Civil de São Paulo concluiu por duas vezes que o assassinato do prefeito de Santo André tratou-se de um crime comum comandado por criminosos comuns também.

Mas a família de Celso Daniel e o Ministério Público Estadual de São Paulo não entenderam desta forma.

De acordo com as investigações dos promotores, foi justamente este esquema de corrupção envolvendo os transportes por ônibus na cidade de Santo André que motivou o assassinato de Celso Daniel em 2002. Segundo as apurações sobre o esquema de corrupção, os donos de empresa de ônibus que não pagassem a propina sofriam grandes retaliações pela prefeitura sob o comando do PT em Santo André.

Um dos casos mais emblemáticos foi da Viação São José de Transportes, à época da família Gabrilli.

O empresário Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho, pai da deputada Mara Gabrilli, se negou a pagar as propinas que depois, segundo as investigações, eram encaminhadas para o PT nacional.

A Viação São José teve serviços sobrepostos por empresas que pagavam no esquema. Uma das linhas mais importantes da São José era a T 45 que foi sobreposta pela linha B 47 da Viação Padroeira do Brasil.

A Viação Padroeira do Brasil pertencia na época a Baltazar José de Souza, concunhado de Ronan Maria Pinto e parceiro de negócios do parente. Foi justamente na garagem da Viação Padroeira, localizada no Jardim Bom Pastor, que foi guardada Pajero onde estava Celso Daniel com Sombra no dia em que somente o prefeito foi levado pelos criminosos. As sobreposições de linhas constam na decisão da juíza que resultou na condenação à prisão de Ronan Maria Pinto, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Klinger Luiz de Oliveira.

OUTROS EMPRESÁRIOS DE ÔNIBUS CONFIRMARAM:

Não foi apenas a família Gabrilli que confirmou esquema de corrupção envolvendo as empresas de ônibus em Santo André. Outros donos de viações na região do ABC Paulista também relataram saídas de recursos para funcionários da prefeitura e para Ronan Maria Pinto.

O empresário de transporte, João Antônio Setti Braga, em depoimento à CPI criada em Santo André para apurar o esquema, na sessão do dia 10 de julho de 2002, confirmou que R$ 2,5 milhões foram retirados do caixa da empresa Expresso Nova Santo André, entre o final de 1997 e o início de 2000, para serem entregues a representante da prefeitura no esquema.

Setti Braga disse que a quantia em dinheiro vivo era entregue a Ronan Maria Pinto, um dos sócios da empresa Expresso Nova Santo André, que foi criada em 1997 para operar no lugar das linhas da EPT – Empresa Pública de Transportes, cujo braço operacional foi privatizado. A propina era cobrada para os donos de empresa de ônibus operarem com tranquilidade.

Eram donos da Expresso Nova Santo André, João Antônio Setti Braga, Ronan Maria Pinto, Luiz Alberto Gabrilli, Baltazar José de Sousa e Carlos Sófio.

“O dinheiro era para ser entregue a pessoas da prefeitura como um custo político para poder operar as linhas com tranquilidade na cidade” – disse na CPI.

Setti Braga disse à CPI que deixou a Nova Santo André no início de 2000 por não concordar com os métodos da administração da empresa -à época, a cargo de Ronan e Gabrilli.

Setti Braga foi o quarto empresário de ônibus a confirmar na CPI, na ocasião, que havia pagamento de propina. Os outros empresários foram Rosângela Gabrilli, Luiz Alberto Gabrilli Neto e Sebastião Passarelli.

“O custo de R$ 100 mil por mês foi trazido a nós (sócios da empresa Nova santo André) pelo Ronan, que foi nomeado pelo Klinger como uma espécie de interlocutor entre a empresa e a prefeitura. Como a maioria concordou, eu tive de acatar (o pagamento de propina).” – disse Setti Braga na ocasião.

BALTAZAR TAMBÉM CONFIRMOU SAÍDA DE RECURSOS:

Não se referindo diretamente a propina ou a possibilidade de pagar para operar com tranquilidade, outros empresários de ônibus confirmaram na ocasião que o dinheiro saía de forma misteriosa, sem destino claro.

Foi o caso do próprio Baltazar José de Sousa, parente de Ronan Maria Pinto e parceiro nos negócios. O dono da TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações, Carlos Sófio, também confirmou a saída de recursos do sistema de ônibus sem fins conhecidos.

Acompanhe matéria da Folha de São Paulo daquela época:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1107200202.htm

MORTES QUE TERIAM RELAÇÃO COM O ASSASSINATO DE CELSO DANIEL:

Antonio Palacio de Oliveira : garçom. Assassinado em fevereiro de 2003. ServiuSombra e Celso Daniel no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do sequestro. Foi assassinado em fevereiro de 2003. Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome. Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária. O garçom ganhava R$ 400 por mês. De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do sequestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.

Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranquilos e que não tinha ouvido nada de estranho. O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado. “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger. “Era o cara de costume”, respondeu Sombra.

Paulo Henrique Brito : testemunha da morte do garçom. Foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas. Assassinado em março de 2003

Iran Moraes Rédua: reconheceu o corpo de Daniel. Assassinado – dezembro de 2003. O agente funerário foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada em Juquitiba e chamou a polícia.

Dionizio Severo: suposto elo entre quadrilha e Sombra. Assassinado – abril de 2002.Detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado. Abriu a fila. Sua morte se deu três meses depois da de Celso e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do sequestro. Foi recapturado.

Sérgio Orelha: Amigo de Severo. Assassinado em 2002. O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado. Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.

Otávio Mercier: investigador que ligou para Severo. Morto em julho de 2003. O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do sequestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento.

Carlos Delmonte Printes: legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005. Constatou que Celso Daniel foi torturado antes de ser assassinado.

CONDENADOS NO CASO:

Apesar de o Ministério Público ter relacionado fatos e dados que considera como provas para determinar que o assassinato de Celso Daniel foi um crime político, envolvendo as empresas de ônibus de Santo André e o PT Nacional, apenas os chamados os “operadores” do sequestro e do assassinato foram condenados.

Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, também foi relacionado para o julgamento, no entanto, seus advogados conseguiram que ele fosse excluído, não comprovando inocência propriamente dito, mas por um detalhe técnico. Segundo a argumentação, os advogados de Sérgio Gomes da Silva não tiveram acesso aos outros depoimentos, o que prejudicaria a defesa, havendo anulação do processo.

Confira os interrogados e julgados:

Marcos Roberto Bispo dos Santos – Marquinhos:  Foi  apontado pela Promotoria como sendo o motorista de um dos três carros que participaram do sequestro do ex-prefeito de Santo André. Após a prisão em 2002, ele confessou à polícia participação no crime.A confissão aconteceu na sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo, e foi contestada pela defesa que alega que o cliente foi vítima de tortura. Bispo dos Santos foi condenado a 18 anos de prisão pela morte de Celso Daniel.

Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira – Bozinho:

Rodolfo também confessou à Polícia Civil ser um dos executores de Celso Daniel. Em juízo, porém, Bozinho mudou a versão e disse que foi torturado pelos policiais e obrigado a confessar um crime que não cometeu. Em 2006, contudo, Oliveira fugiu da penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e só foi recapturado no ano seguinte. Na versão do Ministério Público, ele também é apontado como a pessoa que cercou o carro de Celso Daniel e retirou o ex-prefeito do veículo onde estava. Ao fugir da penitenciária em 2006, Bozinho também foi acusado de envolvimento na morte do agente de escolta e vigilância penitenciária Genivaldo Lourenço da Silva, baleado durante a ação. Oliveira foi apontado também pelo irmão de ser o autor dos disparos. Rodolfo foi condenado a 18 anos de reclusão e já estava preso. Por ser menor de 21 anos na época do crime, teve um atenuante na pena.

José Edison da Silva – Zé Edison: Apontado por dois acusados como o mandante dos disparos contra Celso Daniel, também foi arrolado no inquérito da morte do ex-prefeito de Santo André. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1º Vara Criminal de Itapecerica da Serra, decidiu condená-lo a 20 anos de prisão.

Ivan Rodrigues da Silva – “Monstro”: Apontado pela Polícia Civil como o chefe da quadrilha que atuava na favela Pantanal e sequestrou e matou Celso Daniel. Na versão da polícia, a quadrilha era comandada por Ivan Rodrigues da Silva e Itamar Messias dos Santos. A hipótese levantada é que o crime foi cometido por conta de uma suposta tentativa de seqüestro frustrada. Após descobrirem a identidade real do ex-prefeito, os criminosos teriam assassinado o ex-prefeito. Em depoimento À CPI dos Bingos, em 2005, “Monstro” afirmou que o ex-prefeito foi sequestrado por ocupar um carro importado depois da frustrada perseguição a uma Dakota, na mesma noite de 18 de janeiro. A versão da polícia contradiz a do Ministério Público, que concluiu que o crime foi político. Diz a Promotoria que Celso Daniel foi morto porque discordava do esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Santo André. Os desvios estariam servindo não para abastecer o caixa do PT, mas para enriquecer os envolvidos. Ivan Rodrigues foi condenado a 24 anos de reclusão e já estava preso antes do julgamento.

Elcyd Oliveira Brito – John: Foi condenado a 22 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa, e pela utilização de recurso que tornou difícil a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público, Elcyd seria o autor de uma carta endereçada ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito. Preso em 2002 pelo crime, Elcyd fugiu do Centro de Progressão Penitenciária de Pacaembu no dia 4 de agosto de 2010 escalando e pulando os dois alambrados que circundavam a penitenciária, junto com outros dois presos. Elcyd foi preso novamente em seguida.

Itamar Messias Silva dos Santos – Olho de Gato: foi condenado a 20 anos de prisão – em regime inicial fechado – por participação na morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Considerado braço-direito de Monstro, Itamar trabalhava como office-boy antes de cumprir pena na Cadeia Pública de Diadema até o ano 2000, por furto e porte de drogas. Durante a CPI dos Bingos ele confirmou a tese de crime comum e disse que teria libertado o prefeito de Santo André se soubesse quem ele era.

Laércio dos Santos Nunes – Lalo: Era “menor” na época do crime – 16 anos de idade: Foi apontado pela Polícia Civil como um dos autores dos disparos que mataram Celso Daniel. Preso na antiga Febem (hoje Fundação Casa) do Tatuapé na época do crime, ele fugiu da unidade prisional em 2005 e só foi recapturado no ano seguinte, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Após ser preso pela primeira vez, o jovem conhecido como “Lalo” confessou o crime e disse que praticou o ato a mando de José Edson da Silva, um dos líderes do sequestro, por coação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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