Velocidade dos ônibus na capital paulista tem pouca evolução e Tatto quer reduzir máxima permitida em corredores

Corredor na Guarapiranga é o mais lento em São Paulo. Interferência de Outros veículos, falta de pontos de ultrapassagem e de sistema de pagamento antecipado de tarifa são problemas que interferem no desempenho dos ônibus nos atuais modelos de corredores. Foto: Youtube/MF3MF

Dados da SPTrans apontam para a necessidade de sistemas de BRT de fato

ADAMO BAZANI

Com informações de

André Monteiro, Flávia Faria e Rodrigo Russo (Folha de São Paulo)

Os ônibus na capital paulista estão andando um pouco mais rápido, mas ainda longe do ideal.

De acordo com dados da SPTrans, que gerencia o transporte na capital paulista, em 2015, a velocidade média dos ônibus nos horários de pico da manhã, incluindo vias comuns, faixas e corredores, ficou em 16 km/h, a mesma registrada no ano de 2014.

Já nos horários de pico da tarde a velocidade dos ônibus subiu de 15 km/h para 17 km/h.

Os dados foram revelados pela SPTrans ao jornal Folha de São Paulo e têm base nas informações geradas pelo GPS dos 14 mil 729 ônibus municipais, considerando apenas os dias úteis.

Os resultados são inferiores à promessa do prefeito Fernando Haddad que era de elevar a velocidade média comercial dos ônibus para 25 km/h.

A evolução da velocidade dos ônibus na capital paulista é tímida, mesmo com o total de 503,3 quilômetros de faixas exclusivas à direita para o transporte público.

O problema, de acordo com especialistas ouvidos pelo jornal, é a baixa qualidade dos atuais corredores de ônibus, que estão defasados e são de um modelo ultrapassado.

Estes especialistas defendem a ampliação de BRTs, que são corredores de ônibus mais modernos que permitem ultrapassagem entre os veículos de transporte coletivo para evitar longas filas nas paradas, pré-embarque que é o pagamento da tarifa antes de o passageiro entrar no ônibus e prioridade nos cruzamentos, por exemplo.

O consultor, urbanista e especialista em transporte Flamínio Fichmann, diz que os BRTs estão entre as soluções de mobilidade urbana para São Paulo. Ele também defende a reorganização das linhas com base nas atuais necessidades dos passageiros.

“Em um corredor convencional, como na av. Santo Amaro, você tem cobrança interna, provocando demora no embarque, e tem pouco espaço para ultrapassagem. Isso não dá desempenho. O sistema de ônibus fica meio amarrado … O planejamento das linhas é feito com base no interesse dos empresários. É um sistema meio feudalista: cada um tem sua área. A prefeitura tem que investir em BRT. Não tem outra solução para um sistema estruturado.”

A gestão Fernando Haddad prometeu até o final de 2016, 150 quilômetros de corredores de ônibus, sendo a maior parte BRT. No entanto, a cidade ainda está longe de cumprir essa meta de conclusão de obras com apenas um terço deste total tendo estimativa real de entrega para este ano. Problemas financeiros da prefeitura, erros nos projetos e indisposições políticas com TCM – Tribunal de Contas do Município explicam em parte este atraso.

Dos atuais dez corredores de ônibus, sete registraram na média anual do período de pico da tarde em 2015, velocidade inferior a 20 km/h:

– Expresso Tiradentes: 24 km/h

– Parelheiros / Rio Bonito / Santo Amaro: 20,6 km/h

– Paes de Barros: 20,1 km/h

– Santo Amaro / Nove de Julho / Centro: 19,7 km/h

– Inajar / Rio Branco / Centro: 19,1 km/h

– Campo Limpo / Rebouças / Centro: 17,6 km/h

– Ver. José Diniz / Ibirapuera / Santa Cruz: 17,4 km/h

– Pirituba / Lapa / Centro: 16,7 km

– Itapecerica / João Dias / Santo Amaro: 16,4 km/h

– Jd. Ângela / Guarapiranga / Santo Amaro: 15,5 km/h

O secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, afirma que tem sido satisfatória evolução da circulação dos ônibus na cidade de São Paulo e ressalta que o índice leva em consideração vias que ainda não possuem prioridade para o transporte coletivo. Tatto ressalta que em agosto de 2012 a velocidade média dos ônibus era de 14 km/h. O secretário acredita que a meta de 25 km/h como velocidade média anual é alta e reproduz um cenário sem interferências nas vias para o transporte público. Segundo Tatto, a meta para a cidade é que a velocidade média dos ônibus fique entre 20 km/h a 25 km/h.

REDUÇÃO DE VELOCIDADE MÁXIMA DOS ÔNIBUS EM CORREDORES:

O secretário Jilmar Tatto admitiu que há estudos para que alguns corredores de ônibus tenham a velocidade máxima reduzida. Hoje os veículos de transporte coletivo não podem trafegar acima de 50 km/h.

Tatto disse que objetivo é aumentar a segurança e reduzir riscos de acidentes, como atropelamentos.

O secretário disse também que esta redução da velocidade máxima possível sem alterar a velocidade média dos ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Velocidade dos ônibus na capital paulista tem pouca evolução e Tatto quer reduzir máxima permitida em corredores

  1. Pelo visto o limite deverá ficar em 24 km/h devido ao exemplo do expresso Tiradentes! ou seja, trecho sem nenhuma interferência com outros veículos!
    Utopia 25 km/h ou mais!!!!

  2. Ué…as faixas não deviam aumentar a velocidade média?? Isso que da sair pintando faixa a esmo sem planejamento nenhum…esses dois conseguem ser dois jumentos mesmo. Dois tapados incompetentes!

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