Incertezas sobre monotrilhos fazem Haddad excluir regiões de incentivos da nova lei de zoneamento

Monotrilho em construção próximo ao terminal de ônibus em São Mateus. Serviços deveriam estar em operação até 2014. Foto: Adamo Bazani

Novas regras publicadas ontem no Diário Oficial estimula o adensamento populacional em áreas servidas por eixos de transporte

ADAMO BAZANI

As áreas onde devem circular os monotrilhos na cidade de São Paulo foram excluídas das regras da nova Lei de Zoneamento, publicada nesta quarta-feira, 24 de março de 2016, no Diário Oficial de São Paulo, que entre os vários pontos prevê o adensamento ao longo de eixos de transporte estruturais, como trens da CPTM, Metrô e corredores de ônibus.

Em consulta ao Diário Oficial, é possível perceber que as regiões onde serão instaladas ou já foram instaladas as pilastras dos trens de média capacidade que circularão nos elevados, não foram incluídas nas zonas que permitem, por exemplo, a construção de imóveis residenciais com até duas vagas de garagem e custos menores.

Nestas áreas também as construtoras podem criar uma vaga de estacionamento para cada 60 metros quadrados de construção, sem ter de pagar a mais por isso, reduzindo o preço dos imóveis.

A Prefeitura de São Paulo confirma a não inclusão das áreas dos monotrilhos 15 Prata, da zona leste, 17 Ouro, da zona sul, e 18 Bronze que deve chegar ao ABC Paulista.

Em entrevista coletiva durante a apresentação da nova lei, o prefeito Fernando Haddad, disse que a decisão não é apenas por causa dos atrasos nas obras, mas, sobretudo, pelas incertezas técnicas sobre o funcionamento dos monotrilhos. Há dúvidas também em relação aos projetos e sobre os impactos na configuração dos locais que seriam servidos pelo novo sistema de transportes.

Há interferências acima das normais e fora do que está nos projetos.  A linha 15 Prata, da zona leste de São Paulo, enfrentou entraves porque, segundo engenheiros ferroviários, o metrô descobriu galerias de água sob a Avenida Professor Luiz Inácio de Anhaia Mello. O metrô alegou que já tinha conhecimento das estruturas pluviais, mas teve de realizar intervenções não previstas.

“Não tem como saber ao certo o que pode ocorrer do ponto de vista de intervenções onde vai ter monotrilho. É difícil fazer um planejamento para os próximos anos e incluir [na lei de zoneamento]. Há dúvidas técnicas” – disse Haddad.

Os monotrilhos em São Paulo levantam diversas polêmicas e são alvos de críticas.

O Governo de São Paulo prometeu entregar entre 2012 e 2015, um total de 59,7 quilômetros de monotrilhos em três linhas. Apenas 2,9 quilômetros, entre as estações Oratório e Vila Prudente, da linha 15 Prata, estão em operação e ainda com horário menor que dos trens, metrô e ônibus.

Duas linhas, a 15- Prata e a 17 – Ouro, que somam 44 quilômetros estão em construção, sendo que 21,9 quilômetros foram congelados.

A situação da linha 18 – Bronze, de 15,7 quilômetros, entre o ABC Paulista e a Capital, é mais problemática ainda. As obras não começaram.

Problemas não só em relação às obras, mas aos altos custos de implantação do modal, dificuldades financeiras de construtoras e empresas fabricantes de trens, incertezas sobre a viabilidade operacional e até mesmo interpretação de contratos, como a cláusula que impede o início das obras da linha 18 até a operação, mesmo que em testes, da linha 17, são alguns dos marcos dos monotrilhos de São Paulo.

Em entrevistas e artigos, estudiosos das áreas de transportes e urbanismo criticam a escolha de monotrilhos para a cidade de São Paulo e região metropolitana.

O engenheiro e mestre em Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia – IME, Marcus Vinicius Quintella Cury, elaborou um estudo intitulado “A verdadeira realidade dos monotrilhos urbanos – Sonho ou Utopia: De volta ao Futuro?”. No levantamento de sistemas em diversas partes do mundo, o especialista mostra que vários fatores levaram à desativação de linhas de monotrilho:

http://marcusquintella.com.br/sig/lib/uploaded/estudos/MONOTRILHO__Sonho_ou_Utopia_.pdf

O especialista e professor de mobilidade urbana, Marcos Kiyoto, diz que é um erro o governo Alckmin ter feito a sociedade acreditar que mudando a tecnologia de modal, os problemas de mobilidade seriam resolvidos.

“O monotrilho não é um caso isolado, as outras linhas de metrô em construção estão atrasadas, mas eu concordo que ele simboliza uma falta de capacidade em implantar transporte coletivo. O erro, a meu ver, foi acreditar que uma nova tecnologia pudesse resolver nossos problemas” – disse o especialista.

O urbanista Moreno Zaidan Garcia disse que os números de demanda para os monotrilhos em São Paulo podem ter sido superestimados e não corresponderem à realidade. Ou então, os sistemas já nascerão saturados.

Para chegar ao número de passageiros hora que serão transportados, o sistema já começará operando no limite de 6 pessoas por m² dentro dos vagões. “Claro, eu não estou falando de um problema exclusivo do Governo do Estado, é um problema brasileiro. Agora, uma suposição para a opção pelo monotrilho é que talvez ele tenha parecido atraente porque, ao contrário de obras de metrô subterrâneo, ele foi vendido como algo que poderia ser inaugurado dentro de uma mesma gestão”. 

OUTRO LADO:

O Metrô de São Paulo defende o monotrilho, dizendo que o sistema pode trazer vantagens para a população.

“O Monotrilho é um sistema de transporte coletivo composto por trens que trafegam com pneus de borracha em via elevada. Movido a eletricidade, opera sem condutor e viaja a uma velocidade de até 80km/h, com intervalo entre trens de 90 segundos. O sistema Monotrilho já opera em diversos países como Alemanha, Austrália, China, Emirados Árabes, Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Malásia, Rússia e Singapura.”

Entre os benefícios prometidos pelo Metrô estão: “Mesma qualidade de serviço do Metrô subterrâneo, diminuição da poluição atmosférica,  conforto e rapidez nas viagens, menor tempo nos deslocamentos, maior integração entre os bairros, melhoria no trânsito, aumento da mobilidade, ampliação dos investimentos da região, geração de novos empregos, geração de novos polos de comércio e serviços.”

O Metrô atribui os congelamentos das obras dos extremos das linhas 15 e 17 e o fato de a linha 18 não ter sido iniciada a questões financeiras agravadas pela crise econômica e por dificuldades em receber repasses da União e classificou outros entraves, como as galerias de águas, como “questões pontuais”.

ATRASOS, PARALISAÇÕES E CONGELAMENTOS:

O Governo de São Paulo prometeu entregar entre 2012 e 2015, um total de 59,7 quilômetros de monotrilhos em três linhas. Apenas 2,9 quilômetros entre as estações Oratório e Vila Prudente, da linha 15 Prata estão em operação e ainda com horário menor que dos trens, metrô e ônibus.

Duas linhas, a 15- Prata e a 17 – Ouro, que somam 44 quilômetros estão em construção, sendo que 21,9 quilômetros foram congelados.

Na linha 15 Prata está paralisado o cronograma do trecho entre São Mateus e Cidade Tiradentes, na zona Leste de Sã Paul. Já linha 17- Ouro estão sem previsão de conclusão as obras do trecho entre o aeroporto de Congonhas até Jabaquara e no outro extremo, da Marginal Pinheiros até a região posterior ao Morumbi, atendendo a área da favela do Paraisópolis.

A situação da linha 18 – Bronze, de 15,7 quilômetros, entre o ABC Paulista e a Capital, é mais problemática ainda. As obras não começaram. Há problemas financeiros, de contrato, como a cláusula que prevê o início das obras depois de testes da linha 17, que não está em funcionamento, de desapropriações e entraves que vão desde a aplicação do tipo de composições até galerias de água não equacionadas. Apesar de o contrato ter sido assinado com o grupo que vai construir e operar o sistema, a questão levantada por especialistas é se não seria mais vantajoso desistir da construção que ainda não foi iniciada e optar por metrô ou BRT. Os outros monotrilhos cujas obras já foram iniciadas deveriam ser concluídas.

O engenheiro e mestre em Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia – IME, Marcus Vinicius Quintella Cury, elaborou um estudo intitulado “A verdadeira realidade dos monotrilhos urbanos – Sonho ou Utopia: De volta ao Futuro?”. No levantamento de sistemas em diversas partes do mundo, o especialista mostra que vários fatores levaram à desativação de linhas de monotrilho:

http://marcusquintella.com.br/sig/lib/uploaded/estudos/MONOTRILHO__Sonho_ou_Utopia_.pdf

OS MONOTRILHOS DE SÃO PAULO:

linha 15 Prata deveria ter 26,7 quilômetros de extensão, 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes ao custo R$ 3,5 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Agora, o orçamento está 105% mais alto, com o valor de R$ 7,2 bilhões. O custo por quilômetro sairia hoje por R$ 269 milhões. A previsão de 9 estações agora é para 2018. Está congelado o trecho entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga. O governo do estado promete atendimento a uma demanda de 550 mil passageiros por dia

linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Hoje, o orçamento está 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2017. Atualmente, o custo por quilômetro seria de R$ 310 milhões. O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417 mil e 500 passageiros por dia.

linha 18 Bronze deveria ter 15,7 quilômetros de extensão, com 13 estações entre a região do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista ao custo de R$ 4,5 bilhões com previsão de entrega total em 2015. Agora, o orçamento está 14% mais caro, chegando a R$ 4,8 bilhões, sem previsão de entrega. A previsão de demanda é de até 340 mil passageiros por dia, quando completo. O custo hoje por quilômetro seria de R$ 305 milhões. Como as obras não começaram, especialistas defendem outro meio de transporte para a ligação, como um corredor de ônibus BRT, que pode ser até 10 vezes mais barato com capacidade de demanda semelhante.

COMPARAÇÕES ENTRE MODAIS NA PRÁTICA:

Para se determinar a vantagem de um modal em relação a outro deve ser levar em conta o custo de construção por quilômetro e a demanda atendida por dia, além do custo de operação, que vai implicar em maior tarifa e necessidade de mais subsídios.

Em linhas gerais, o quilômetro de um BRT – Bus Rapid Transit, sistema moderno de corredores de ônibus, custa em torno de R$ 35 milhões podendo ser atendida uma demanda diária entre 50 mil e 340 mil pessoas. O custo por quilômetro de um monotrilho é de em torno de R$ 250 milhões com uma demanda diária entre 50 mil e 400 mil passageiros.

O custo por quilômetro de um VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, espécie de um bonde moderno, é de entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões, com demanda atendida entre 50 mil 300 mil passageiros.

O custo por quilômetro de metrô subterrâneo é de R$ 1 bilhão, podendo ser atendidos por dia entre 500 mil e 900 mil passageiros.

Mas na prática, como serão o atendimento e os custos projetados dos modais? Com base em dados das próprias gerenciadoras de transportes, o Blog Ponto de Ônibus traz as seguintes comparações:

 MONOTRILHO – LINHA 18 – ABC

Extensão – 15,7 quilômetros

Custo das obras – R$ 4,8 bilhões

Preço por quilômetro – R$ 305 milhões 732 mil

Demanda atendida -314 mil pessoas por dia

SISTEMA DE BRT DO RIO DE JANEIRO

– Extensão atual já em operação – 91 quilômetros (TransOeste e Transcarioca)

– Custo já investido – R$ 2 bilhões 651 milhões

– Preço por quilômetro – R$ 28,9 milhões

– Demanda atendida: 430 mil pessoas por dia

QUANDO REDE ESTIVER PRONTA – previsão 2017

– Extensão de rede municipal concluída – 157  km (TransOeste, TransCarioca, TransBrasil e TransOlímpica)

– Custo previsto (incluindo o já investido e que está em operação): R$ 5,6 bilhões

– Custo por quilômetro: R$ 35,66 milhões

– Demanda geral – 2 milhões de passageiros por dia

Maior BRT do sistema do Rio em capacidade será o TransBrasil, na avenida Brasil, com 28 km de extensão, 33 estações, cinco terminais, entre Deodoro e centro do Rio, deve atender 820 mil pessoas por dia

VLT BAIXADA SANTISTA:

Extensão – 16,6 quilômetros – sistema completo

Custo das Obras – R$ 1,2 bilhão

Custo por quilômetro – R$ 72,28 milhões

Demanda atendida com sistema completo – 80 mil pessoas por dia

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Incertezas sobre monotrilhos fazem Haddad excluir regiões de incentivos da nova lei de zoneamento

  1. O MONOTRILHO EM SP É UM FRACASSO RETUMBANTE ! SE NO CASO DO “EXPRESSO TIRADENTES”, DA VILA PRUDENTE ATÉ SÃO MATEUS E CIDADE TIRADENTES TIVESSEM CONTINUADO COM O BRT MESMO, POIS É O ÚNICO BRT Q TEMOS MESMO EM SP/SP…TERIA SIDO MUITO MAIS LUCRATIVO PRA TODOS E QUEM SABE…JA ESTARIA PRONTO E OPERANDO DANDO SOSSEGO E GANHO DE TEMPO AO POVO E A GOVERNANÇA…MAS A CORRUPÇÃO E A BURRICE E A MANIA DE QUERER COPIAR OS PAÍSES RICOS, Q JÁ ABANDONARAM ESSA MERDA FAZ TEMPO…POIS SÓ A MANUTENÇÃO DA TRABALHO PACAS E CUSTA CARO PACAS TMB…CHEGARAM PRIMEIRO… NÉ… SRs. KASSAB, SERRA, ALCKMIN … Q RIDÍCULOS ! AH ! E NÃO ME VENHAM COM ESSA DE Q A ÁREA 4 DE DA SPTrans , Q SERIA RESPONSÁVEL PELAS LINHAS DO EXPRESSO TIRADENTES DE CIDADE TIRADENTES ATÉ O CENTRO DA CIDADE…O TERM. MERCADO, É UMA ETERNA FONTE DE PROBLEMAS…EXISTE UMA EMPRESA DO GRUPO RUAS Q É BEM RESPONSÁVEL E SÓLIDA Q PODERIA FAZER ESSAS LINHAS …E COM OS VEÍCULOS COMPATÍVEIS …SEM PROBLEMAS…A “AMBIENTAL TRANSPORTES” …SEM ESSAS PORCARIAS DESSAS EX COOPERATIVAS CHEIAS DE VAGABUNDOS, MALCRIADOS, DROGADOS, BEBERRÕES DE CERVEJA E COMEDORES DE CHURRASCO ! MAS … JÁ Q ELES OS BABACAS COMEÇARAM ESSAS MERDAS… CABE AO GOVERNO DO ESTADO E A PREFEITURA OU PREFEITURAS ENVOLVIDAS TERMINAREM OS SERVIÇOS ! FZ O Q ?!

  2. olha gente falaram , falaram sobre o fura fila, tentaram até derrubá-lo, mas é o único que funciona. Poderiam ter estendido aos poucos, tenho certeza que já estaria pelo menos até sapopemba, poderiam ter estendido do Parque Dom Pedro para a zona norte. Mas o secretino do psdb, inventou e pôs na cabeça do governador esse sistema, deu no que deu.

  3. Esta correto, com obras eternas e promessas também não tem como confiar.

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