Após polêmica, Viação Cometa retira do ar campanha sobre transporte pirata com ônibus histórico da empresa

Imagem que levantou polêmica foi postada no final da tarde de sexta-feira. Sábado pela manhã já estava fora do ar

Imagem de ônibus Flecha Azul cortado em um círculo despertou reações negativas, mas também houve mensagens de apoio

ADAMO BAZANI

Não durou sequer 12 horas a permanência de uma imagem utilizada pela Viação Cometa na página oficial no Facebook da empresa contra o transporte pirata.

A peça de comunicação trazia dentro de um círculo e sob um risco, indicando sinal de proibido, a foto de um ônibus modelo Flecha Azul, que marcou a história e a evolução da companhia de ônibus pelo País.

Dentro da velocidade das redes sociais, bastaram poucos minutos para que a campanha tivesse despertado diversas reações contrárias.

Em algumas mensagens, internautas diziam que empresa estaria negando a própria história pelo fato de o modelo, que foi fabricado pela Cometa, por meio da CMA, indústria de carrocerias pertencente à viação, ter sido um dos responsáveis pelo sucesso e expansão da empresa de ônibus. Outras pessoas disseram que é importante fazer campanhas contra o transporte pirata, mas que o uso da imagem levantou uma polêmica que desviava as atenções para o foco principal da campanha.

Em compensação, houve também algumas mensagens de apoio à peça de comunicação no Facebook, dizendo que atualmente um dos modelos mais utilizados para o transporte pirata é justamente o Flecha Azul.

Flecha Azul foi marco nas estradas brasileiras e até hoje a imagem do veículo é relacionada à Viação Cometa.

Com o objetivo ou não, a polêmica da postagem acabou levantando também discussões sobre o transporte pirata, não apenas criticando a concorrência desleal para com as empresas de ônibus regulares e a falta de segurança para passageiros e demais motoristas nas estradas, com ônibus antigos e muitas vezes mal conservados.

Alguns internautas chegaram a comentar sobre o que o setor de transporte rodoviário pode fazer para evitar a pirataria, seja através de um melhor atendimento para o passageiro e promoções nas tarifas.

Outra questão também levantada pelos internautas é que os transportadores piratas só têm acesso aos veículos por causa de uma cultura dos empresários que vendem os ônibus para qualquer interessasdo.

Em diversos países, inclusive da América Latina, os empresários de ônibus usam os veículos até o final da vida e depois não repassam para outros operadores.

Em entrevista ao Blog Ponto de Ônibus, no dia 8 de setembro de 2015, por exemplo, o diretor de serviços da Scania no Brasil Fábio Souza disse que a cultura dos empresários nos outros países da América Latina tem algumas diferenças em relação aos do Brasil.

Ele atuou pela marca no México e disse que dentro do período de dez anos, os ônibus são usados pelos frotistas em diferentes aplicações, mas depois não são repassados para os alternativos, virando sucata.

“No México, por exemplo, há muitas necessidades semelhantes com as do Brasil. Mas também há um perfil diferente do frotista de lá. O mercado é muito mais fechado. São cinco ou seis grupos empresariais de ônibus rodoviários, advindos de famílias. Há uma espécie de acordo de cavalheiros nas regiões de operação e para fechar ainda mais o mercado, não dando brechas para alternativos, quando o ônibus completa dez anos de uso, ele vira sucata, é desmontado ou fica encostado na garagem. Não se vende ônibus com mais desta idade por lá. O que ocorre é nestes dez anos o ônibus, vai mudando dentro de categorias de serviços criadas pelos próprios grupos empresariais.” – contou. – Veja a matéria completa em: https://blogpontodeonibus.wordpress.com/2015/09/08/segmentar-para-servir-bem/

O Flecha Azul foi um dos veículos que mais fizeram sucesso na história da Cometa, quando ainda era sob a direção da família Mascioli, do fundador Tito Mascioli.

O modelo foi produzido pela CMA – Companhia Manufatureira Auxiliar, de propriedade da Cometa, entre os anos de 1982 e 1999. O modelo foi uma continuidade dos “Dinossauros”, feitos pela Ciferal desde os anos de 1970 e projetado por uma parceira com a Cometa. Os Dinossauros por sua vez foram inspirados no GMPD 4104, o Morubixaba, cujas unidades foram adquiridas pela Cometa em 1954, trazendo um diferencial competitivo, em especial para a linha Rio – São Paulo.

Em alusão aos 65 anos da Cometa, comemorados em 2013, a empresa restaurou um Flecha Azul, realizando viagens especiais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

5 comentários em Após polêmica, Viação Cometa retira do ar campanha sobre transporte pirata com ônibus histórico da empresa

  1. Deveriam pegar esses donos de ônibus clandestinos e formar uma empresa e distribuir linhas pra eles trabalharem honestamente e pagando seus impostos, por outro lado as empresas deveria sim apos 10 anos de uso não revender os onibus e sim desmancha-los pra sucata

    • Existem experiências neste sentido (de legalizar piratas), mas mais voltados para o transporte urbano. Vide:

      * Em São Paulo, o mais notório é a transformação dos perueiros (anos 80-90) para cooperativas (anos 90-00), e posteriormente em empresas constituidas (00-10).

      Sabemos que a principal vantagem foi a padronização do serviço, com veículos de maior capacidade. Porém sabemos também os pormenores, como a manutenção da superlotação das linhas, os acordos escusos nos bastidores economico e político, as suspeitas de que muitas cooperativas eram de responsabilidade de criminosos organizados, etc…

      * Na RM de São Paulo, há os chamados “ORCAs” (Operadores Regionais Coletivos Autônomos”, que foi a tentativa da EMTU de oficializar a operação de perueiros. Teve suas vantagens e desvantagens, mas foi uma boa tentativa.

      Em outras cidades no Brasil, perueiros foram aos poucos se oficializando, seja de forma autônoma e vínculada à prefeitura, em forma de cooperativas, ou se transformando em empresas.

      Infelizmente ainda há muitas suspeitas sobre este tipo de operação, mas a operação oficial pelo menos dá um mínimo de segurança para o serviço.

      No transporte rodoviário, há um dilema: é sabido que uma concorrência acirrada gera distúrbios que prejudicam empresas, tal como a falta de concorrência gera valores altos para usuários de serviços.

      Acho que não tem problema em comentar aqui (diferente do outro post), mas diz-se que nos bastidores, alguns dos serviços piratas existentes são originários de pessoas do crime organizado. Não vou citar nomes, mas há gente que diz que moleques cuidam para o dono da bola a área que comandam na capital e importados na amizade.

  2. Jackson de sousa leite // 20 de Março de 2016 às 00:28 // Responder

    O pessoal da cometa é muito idiota começando pelos donos que compraram a empresa da família mascioli e acabaram com a CMA podiam estar fabricando até hoje os modelos únicos mas preferiram as carroças da marcopolo e hj ainda que de forma não proposital queimam parte da história mostrando um CMA-cometa clandestino poderiam muito bem colocar outro onibus como um viaggio G4,um G6 ,condottiere,jumbuss sei lá mas a burrice do Homem aflora nos momentos mais destintos como pode se atacar a própria empresa assim sendo que puco tempo atras um modelo idêntico fez rotas da cometa em comemoração aos 65 anos dela como cometa só tenho o que lamentar.

  3. tenho um g6 2008,sou agregado em uma empresa legalidade,pra tirar ANTT
    pra rodar para outros estados vistorio meu onibus em uma empresa credenciada pelo inmetro onde tiro lit e csv alem de pagar todas as taxas do governo.Sou contra campanhas difamadoras acho que se deve fiscalizar a segurança dos onibus e da fiscalizaçao e e sabido que essas fiscalizaçoes contra os pequenos sao financiadas pelos grandes empresarios que tremem de medo ate a alma de ter concorrencia pelo mau atendimento prestado a populaçao,liberam um onibus de empresa grande sem documento,mas prendem e multam um onibus com toda documentaçao em dia pra viajar de um pequeno empresario,com multas exorbitantes e sem criterio desde as balanças nas BRs ate as multas inventadas pelos fiscais da PRF E ANTT
    pra prejudicar quem e pequeno mais trabalha direito,e ainda dizem estou aqui pra multar sua empresa,esqueça a 1001,a COMETA,a GONTIJO,a KAIÇARA.a UTIL……………..E depois voce paga.

  4. Lucas Rafael Leonardo Juliano // 24 de Fevereiro de 2017 às 12:34 // Responder

    Já não basta se acabar com a fabricação dos CMAs, a JCA ainda que destruir a imagem de um guerreiro que fez história, a maior burrada JCA foi ter acabado CMA muitos viajavam pela Cometa por gostarem da empresa, ou melhor dos ônibus, esses muito confortáveis, seguros, faltou um pouco de sabedoria, o modelo poderia ter passado por inovações. Eu sempre viajei pela Cometa, hoje não viajo mais, prefiro pegar um avião. Não tem graça mais.

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