Campanha da Cometa contra transporte pirata causa repercussão nas redes sociais

Campanha da Cometa usa clássico que foi empresa na imagem

Página da empresa utilizou para demonstrar que ônibus piratas devem ser evitados um modelo clássico construído pela própria companhia quando esteve sob outra direção. Reações foram negativas

ADAMO BAZANI

As empresas de ônibus brigam contra o transporte pirata por razões óbvias.

Elas alegam que além de não oferecer segurança e garantias para os passageiros, com o uso de ônibus antigos e nem sempre com a manutenção adequada, o transporte pirata também trava uma concorrência desleal contra as empresas regulares.

Afinal, as viações pagam impostos e uma série de taxas e por causa disso acabam cobrando passagens com valores mais altos que os praticados pelos transportadores sem registro.

Ocorre que a Viação Cometa utilizou para isso um modelo Flecha Azul como veículo pirata, riscando a imagem do ônibus em um círculo.

O Flecha Azul foi um dos veículos que mais fizeram sucesso na história da Cometa, quando ainda era sob a direção da família Mascioli, do fundador Tito Mascioli.

O modelo foi produzido pela CMA – Companhia Manufatureira Auxiliar, de propriedade da Cometa, entre os anos de 1982 e 1999. O modelo foi uma continuidade dos “Dinossauros”, feitos pela Ciferal desde os anos de 1970 e projetado por uma parceira com a Cometa. Os Dinossauros por sua vez foram inspirados no GMPD 4104, o Morubixaba, cujas unidades foram adquiridas pela Cometa em 1954, trazendo um diferencial competitivo, em especial para a linha Rio – São Paulo.

Horas depois da postagem, fãs da empresa, admiradores de transportes e até profissionais de propaganda e marketing criticaram a campanha nas redes sociais, dizendo que poderia ser escolhida outra imagem o mesmo um desenho simulando um ônibus pirata.

Ninguém teria se mostrado contra a campanha a respeito dos ônibus piratas, mas a opinião mais comum foi a de que a Cometa poderia usar outra imagem.

O Blog Ponto de Ônibus não conseguiu contato com a Cometa para comentar a campanha.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

11 comentários em Campanha da Cometa contra transporte pirata causa repercussão nas redes sociais

  1. Faz sentido o uso do “Flecha Azul”. Podemos dizer que realmente ele se antes era (e é) o símbolo da Cometa, na verdade hoje também é um símbolo de transporte pirata.

    Basta ver nas estradas e pontos “piratas” que o serviço prestado, inclusive em linhas “famosas” (como a do centro de São Paulo ao Paraguai) é feito por antigos veículos adquiridos da frota da Cometa, incluindo diversos Flechas Azuis, Dinossauros e outros modelos.

    (* penso em comentar sobre quem oferta, mas sei os riscos que se corre, então deixo para que se subentenda o que quero dizer)

    No entanto, penso que o combate ao transporte pirata, ao menos nesta situação, não é (apenas) proibindo. Se tal serviço existe, tal como infelizmente existem camelôs dentro de trens, é porque há uma demanda reprimida que estas atividades marginais atendem.

    No caso do transporte pirata, há de se analisar as seguintes questões:

    – Qual é a demanda para tal região? Existem padrões (horários, por exemplo) que pode gerar uma demanda sazonal ou pendular?
    – Quantas pessoas tem condições de pagar a tarifa ofertada pela empresa?
    – Quantas pessoas não tem condições, porém se ofertarem uma tarifa mais barata pagariam?
    – A empresa que faz a linha original e/ou sua concorrente, atendem de forma eficiente a um custo justo?

    Hoje há pessoas criando novos métodos de transporte, como o “Blá Blá Car” (compartilhamento de veículos para viagens de longa distância) por exemplo.

    E as empresas de transporte como a Cometa estão ainda atrasadas de alguma forma. Vejo muita reclamação na página da Cometa sobre mal atendimento, dificuldade na aquisição de passagens e outros problemas. Isso significa que as empresas tem problemas na hora de ofertar seus serviços.

    E na comparação com a pirataria, uma pessoa que faz uso de um serviço marginal o faz de certa forma consciente do que está fazendo. Sabe os riscos que se tem ao usar um transporte deste tipo. Sabe que pode enfrentar defeitos no veículo, risco de acidentes, etc… Porém para o usuário deste serviço, compensa muito mais pagar um valor menor e usar este tipo de transporte, do que usar um serviço mais caro, oficial, porém que uma pessoa implicará com qualquer mínimo problema. Uma cara amarrada do motorista, um banheiro sujo (geralmente porque os usuários o deixam assim), um ar condicionado desregulado… enfim.

    Não seria hora das empresas de transporte mudarem sua mentalidade e tentarem pensar em uma forma de lucrar, mas ao mesmo tempo atender de forma inteligente a necessidade de um transporte público?

    Vamos todos pensar muito sobre isso 😀

    • Tem razão! Não existem G7 quebrando a todo momento nas estradas afora, não é mesmo, Sr. Vagner Abreu? Faz-me rir.

      É certo, que existem realmente um problema com esse mercado do transporte pirata, pois ele prejudica até mesmo a nós, que somos pequenos empresários, e possuímos veículos um pouquinho antigos, porém pagamos seguro, impostos e estamos sempre preocupados em nos adequar as normas de certificação técnica das agencias reguladoras tais como a ANTT.

      Eu concordo com muita coisa que você disse, mas realmente, tenho que lhe dizer, que, por mais que o CMA Flecha Azul tenha se tornado um “símbolo” do transporte pirata, muito antes disso, este clássico modelo foi e sempre será o símbolo do legado da Viação Cometa!

      E esta vossa alusão, de que carros antigos estão mais propensos a acidentes e falhas, eu só lhe sugiro que faça um rápida busca no Google para que tenha a ciência, do quão alto está o contingente de falas e acidentes, envolvendo carros atuais como por exemplo o G7, INCLUSIVE da própria Cometa.

      E para finalizar: A questão mencionada sobre “banheiro” ou dito higiene do veículo, esta é uma questão que envolve acima de tudo, o zelo por parte da empresa, e principalmente a EDUCAÇÃO dos passageiros!
      Banheiro de ônibus nunca foi feito para ser utilizado como um WC comum.

      • leandro oliveira // 25 de março de 2016 às 19:56 //

        parabéns Julio Berbel pelos seus comentários, possuo uma pequena empresa, mas pequena mesmo, mas é organizada e manutenção em dia

      • Veículos antigos tem mais propensão a acidentes e falhas do que modernos sim. Só não ve isso quem não quer, quem quer ser dono da razão estúpido.

    • Banheiro sujo, ar desregulado e cheiro de mofo no ar eu encontro nos ônibus da atual Cometa.

  2. Claro que até o mais leigo no transporte sabe que estes ônibus são HOJE usados no transporte pirata, mas a COMETA fazer este tipo de anúncio com esta imagem?!?!? – Não cabe, claro.
    O profissional que fez esta postagem deve ao menos saber da história da empresa.
    Se isso viesse de outra empresa…mas da Cometa

    MARKETING-SEM-NOÇÃO

  3. Se o Flecha Azul é usado em transporte clandestino,é mais um sinal de que é durável. E essa mania de criminalizar uma atividade como a de transporte, só porque as leis favorecem os peixes grandes é bastante simplista e injusta. Certamente no futuro não veremos G7 sendo usados como clandestinos, pois ônibus de plástico e mal projetado como esse não tem grande durabilidade.

  4. Edson Profeta Ramos de Araujo // 19 de março de 2016 às 11:43 // Responder

    Penso que ninguém gosta de trabalhar na clandestinidade, e a história dos transportes no Brasil nos mostra que os pioneiros começaram eles mesmos dirigindo um ônibus ou um caminhão e ao longo do tempo os verdadeiros empreendedores se transformaram nas gigantes que temos hoje no mercado. Então vieram as normas de regulamentação dos serviços, obviamente que necessárias, mas que praticamente inviabilizam a entrada de pequenos empresários nas licitações. Quanto ao Flecha Azul, na época em que a Cometa os colocou à venda, será que seus executivos pensavam que seriam adquiridos por outras empresas legalizadas? Óbvio que não.

  5. E tenho carro antigo e novo….o antigo dificilmente quebra e deixa na mão,,,, o novo só me dá dor de cabeça…..esse papo que por que é antigo quebra mais é furado….em São Paulo é muito comum ver onibus novos quebrados..enquanto que empresas como Expresso SBC, que até a uns 3 anos atrás só tinha padron vitória na frota, nunca se via um ônibus quebrado…na vdd se um onibus antigo tem manutenção não há risco de acidentes…..essa conversa é furada, pois as leis estão aí para beneficiar apenas os grandes com exigencia de 10 anos de uso, tira os pequenos do mercado, para os grandes não ter concorrência..E QUEM PAGA O PATO É O USUÁRIO, com tarifas altissimas…..enquanto existir essa leis opressivas aos pequenos, o clandestino sempre existirá….

  6. Julio Jesimiel Gotardo // 21 de março de 2016 às 23:15 // Responder

    Isso é tipico de quem não respeita a história e seus símbolos.

  7. leandro oliveira // 25 de março de 2016 às 19:52 // Responder

    Nem todos são piratas como dizem, tem bastante empresa que trabalha séria como locadora e tem aval de liminar judicial para trabalhar, veiculos em alguns casos melhores dos que rodam nas empresas grandes, as locadoras pagam impostos, tem manutenção em dia, motoristas treinados, hoje eu que sou dono de empresa locadora tiver apenas 01 onibus zero(estou falando zero mesmo) não consigo documentção para trabalhar em lugar nenhum, agora penso o que seria dessas empresas senão estivesse nós para comprar os veiculos que eles julgam q não tem manutenção, quando vc vai na andorinha por exemplo eles te dão 1 ano de garantia do carro, é claro que existe excessôes dos que chamam de clandestinos de rodarem sem manutenção como temos também empresa de renome que não fazem manutenção adequada, ai a desculpa que vão dar é que tá dificil trabalhar por causa dos “clandestinos”?Quem consegue um melhor preço, eu que compro um pneu, ou a empresa grande que compra de lote fechado,quem consegue um melhor preço no diesel, eu que abasteço no posto da esquina ou eles que compra de carreta fechada, isso quando eles mesmo transporta com próprios veiculos, está na hora de parar com xurumelas e trabalhem no mesmo preço q nós , ai voces quebram nós rapidinho, me dê uma empresa dessa para administrar pra ve se não vai pra frente ligeiro.

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