Pesquisador brasileiro afirma que gás natural é vantajoso e lança dúvidas sobre estudo europeu

Frota de ônibus a gás natural na Europa e América do Norte cresceu nos últimos anos. Viabilidade de novos investimentos para a produção e distribuição do combustível bem como fabricação de veículos com esta fonte de energia divide opiniões.

Trabalho realizado na Europa diz que os benefícios do gás natural para o meio ambiente são contestáveis, classificando o combustível como ineficaz

ADAMO BAZANI

O gás natural realmente é uma boa forma de fazer com que os transportes sejam mais sustentáveis?

Do ponto de vista ambiental e também sob a análise econômica, vale a pena investir na ampliação desta matriz energética?

A polêmica em relação ao gás natural é grande e ganhou nesta semana mais um ingrediente após a divulgação pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente – T & E de um estudo que diz que o gás natural é ineficaz para redução das emissões por carros, caminhões e ônibus.

Intitulado  “Veículos a Gás Natural – A Estrada para Lado Nenhum”, o estudo alerta para os riscos de poucos retornos aos grandes investimentos na produção e distribuição do combustível e que as emissões de gás carbônico por ônibus e caminhões a gás natural não são muito menores que as emissões atuais desses veículos movidos a óleo diesel, que já atendem o padrão de restrição de poluição Euro 6. O Brasil ainda adota o padrão Euro 5 menos exigente. – Veja o estudo e a matéria em: http://wp.me/p18rvS-62a

Especialistas e pesquisadores de todo mundo tiveram reações diferentes em relação ao estudo. Alguns reafirmaram o que disseram os responsáveis pelo trabalho encomendado pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente – T & E. Outros, contrários, fizeram questão de destacar que o gás natural deve sim ser considerado na matriz energética para a busca da melhoria do meio ambiente com viabilidade econômica.

No Brasil, o diretor da L’Avis Eco-Service, especialista em transporte sustentável, e membro fundador da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, Olimpio Alvares, diz que o gás natural veicular em veículos de transporte coletivo permite reduções consideráveis, principalmente das emissões de material particulado fino, que é cancerígeno, e  de óxidos de nitrogênio.

“A proporção de redução da emissão de MP2,5 dos ônibus a gás é de 50% a menos em relação a um veículo equivalente de última geração a diesel Euro 5; e de 93% a menos, comparado a um ônibus a diesel Euro3.” – relata em artigo enviado ao Blog Ponto de Ônibus.

Se o uso for de biometano, gás originado na decomposição do lixo, os benefícios ambientais e econômicos serão maiores ainda, segundo o pesquisador.

 

“A operação de ônibus dedicados a queimar gás pode tornar-se 100% sustentável, caso essa seja feita direta ou indiretamente com biometano produzido do biogás renovável, zerando as emissões de GEE – gases de efeito estufa – do gás natural veicular (GNV) fóssil.”

Do ponto de vista econômico, Olimpio destaca que o gás natural é adequado para a realidade brasileira.

“No Brasil, são enormes as reservas disponíveis de gás natural. A pré-existência de uma rede para suprimento doméstico do gás natural ajuda a viabilizar o uso do GNV como alternativa financeiramente competitiva.”

Confira o artigo completo:

Uso do gás em substituição ao diesel no Brasil

 

As alternativas ao diesel veicular fóssil ditas sustentáveis ou de menor impacto ambiental, incluem o gás natural (metano – CH4) fóssil? Isso parece em princípio algo contraditório.

 

Pode mesmo parecer, mas não é. O gás natural nos transportes tem impacto ambiental local reduzido, ruído interno e externo baixos, ampla disponibilidade e custo competitivo com a tecnologia diesel, em que pesem as emissões de CO2 de origem fóssil quando do uso do gás natural nos motores a combustão. Mas, este último detalhe não se aplica ao metano oriundo de biomassa (biometano) – do biogás; os motores que queimam gás natural veicular (GNV) fóssil, podem queimar indiferentemente o biometano purificado de qualidade certificada, 100% renovável, produzido a partir de dejetos e resíduos orgânicos domésticos, industriais e agropecuários.

 

O GNV é visto na ciência climática como uma alternativa veicular parcialmente sustentável, de transição, por reduzir em apenas alguns pontos percentuais as emissões de CO2 fóssil, comparado ao concorrente diesel. Mas, do ponto de vista do controle da poluição tóxica local, por material particulado fino cancerígeno (MP2,5), e pelos óxidos de nitrogênio (NOx) precursores do ozônio – abundantes nas emissões do diesel – o GNV é considerado pela ciência ambiental como uma alternativa bem menos desfavorável à qualidade do ar e à saúde pública. Nunca é demais lembrar, que, de acordo com os estudos recentes publicados pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade,  só na Região Metropolitana de São Paulo, são cerca de oito mil mortes prematuras anuais devido às altas concentrações deste poluente. No Estado de São Paulo, cerca de vinte mil.

 

Tenha em mente, que os biocombustíveis líquidos, como o biodiesel, por exemplo, e até o etanol de origem vegetal, também apresentam emissões fósseis em quantidades variáveis, se for considerado seu ciclo de vida – nem por isso, são descartados na estratégia global de controle ambiental. Muito pelo contrário: desde que tenham sua qualidade e especificações físico-químicas certificadas e, garantidamente, não prejudiquem os motores dos veículos, os biocombustíveis líquidos, assim como o biometano, tem um papel fundamental na redução dos impactos do setor de transportes, diminuindo as emissões tóxicas e climáticas em percentuais relevantes.

 

A proporção de redução da emissão de MP2,5 dos ônibus a gás é de 50% a menos em relação a um veículo equivalente de última geração a diesel Euro 5; e de 93% a menos, comparado a um ônibus a diesel Euro3. Além disso, os motores do ciclo Otto (ignição por centelha) dedicados ao gás são – sensivelmente – mais silenciosos do que seus concorrentes convencionais a diesel – um conforto extra para passageiros e menos impacto de ruído e incômodos para quem circula nas ruas e calçadas; a poluição sonora está entre as maiores queixas da população urbana.

 

De fato, o gás natural vem se destacando como uma alternativa mais limpa e competitiva para o transporte público e de cargas em diversas cidades do mundo. No Brasil, são enormes as reservas disponíveis. A pré-existência de uma rede para suprimento doméstico do gás natural ajuda a viabilizar o uso do GNV como alternativa financeiramente competitiva. Essa infraestrutura pode ser usada para distribuição do biometano oriundo do biogás, em plena expansão no mundo; e no Brasil, devido à nova política de gestão de resíduos sólidos, que entre outras medidas, trata do aproveitamento do biogás de aterros sanitários. Caso o País decida por desenvolver uma política energética consequente de longo prazo nessa área, insumos não faltarão.

 

Como dito, a operação de ônibus dedicados a queimar gás pode tornar-se 100% sustentável, caso essa seja feita direta ou indiretamente com biometano produzido do biogás renovável, zerando as emissões de gases do efeito estufa (CO2 fóssil) do gás natural veicular (GNV). A operação indireta é aquela onde o biometano purificado é injetado na rede local de distribuição de gás natural, gerando os créditos de “operação renovável” correspondentes para os operadores do transporte. Eis a saída estratégica para a tecnologia de motores a gás na era da mitigação das emissões fósseis, que causam as mudanças climáticas.

 

O uso do biogás oriundo de resíduos para geração distribuída de energia elétrica ou força motriz nos transportes é duplamente sustentável. Isso porque, além de substituir o diesel fóssil, evita o lançamento direto do biometano na atmosfera – que tem potencial de aquecimento global 25 vezes maior que o CO2 – e evita sua queima em flares, que produzem emissões de CO2 tão indesejáveis quanto as de origem fóssil.

 

O gás natural fóssil, em seu papel de “alternativa energética de transição”, e pelo seu baixo preço, tende aparentemente a ganhar maiores participações na matriz mundial, ao menos no médio prazo, caso não haja por parte de governos locais, após a Conferência do Clima de Paris (COP-21), uma radicalização das políticas públicas anti-emissões de gases do efeito estufa (GEE), que incluam a área dos transportes. Estima-se, por isso, que grande parte das reservas de combustíveis fósseis permanecerão intactas debaixo da terra, em face da ameaça do aquecimento do planeta.

 

Ressalte-se, finalmente, que a exploração específica do gás de xisto – por causa do agressivo processo de extração chamado “cracking” – representa risco de danos de grande relevância ao meio ambiente e deve ser bem avaliada, previamente à proposição de políticas públicas que envolvam o uso do gás natural fóssil.

 

Assim, um conjunto de alternativas energéticas adaptado a cada conjuntura local, com um teor gradual sempre decrescente do componente fóssil, deverá forjar a realidade do “transporte sustentável” motorizado, em processo de evolução nas próximas décadas. Afinal, não se muda a realidade estrutural instalada num piscar de olhos.

 

 

Olimpio Alvares é Diretor da L’Avis Eco-Service, especialista em transporte sustentável, inspeção técnica e emissões veiculares; é membro fundador da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – SOBRATT e ex-gerente da área de controle de emissões de veículos em uso da Cetesb.

Texto inicial-reportagem: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

1 comentário em Pesquisador brasileiro afirma que gás natural é vantajoso e lança dúvidas sobre estudo europeu

  1. Edmar Rodrigues da silva // 12 de março de 2016 às 20:28 // Responder

    Eu trabalhei na empresa itapemirim e hoje esta empresa ” está quebrada ” Voces acreditam ? pois o dono tem mais de 40 nempresas, pois se a empresa está passando por este momento dificil os culpados sao os maus gerenciadores que so sabiam demetir motorista inocentes como eu fui demetido, eu nao fiz nada de errado na empresa e fui demetido pelo gerente geral um tal de Edmar azenilton xavier, pois este gerente destruiu a minha vida sem eu ter feito nada de errado , pois eu sempre trabalhei certo e nunca batir um onibus e nen se quer faltei en matei escala de horario, eu hoje estou sentindo falta do meu emprego que era de dirigir onibus de viagem e dos clientes me agradecendo pela viagem falando que fez uma viagem tranquila e segura, eu gostaria tanto de ter o meu emprego de motorista de novo, por favor eu peço humildimente que algum empresario possa me dar uma oportunidade de emprego de motorista de novo. sou casado e tenho familia e tenho 52 anos. Meu telefone é 31-992056809- Edmar

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