“Máfia das lotações” em São Vicente envolve até concessionária de ônibus e sistema de bilhetagem, diz polícia

Publicado em: 9 de março de 2016

apta

Segundo a Polícia Civil, “esquema criminoso” determinava até mesmo a marca dos micro-ônibus

De acordo com informações da DIG – Delegacia de Investigações Gerais, criminoso determinava até mesmo onde micro-ônibus deveriam ser comprados. Profissionais que atuaram em áreas onde operavam cooperativas investigadas na Capital Paulista também podem estar envolvidos, segundo Polícia

ADAMO BAZANI

Com informações – A Tribuna

Arquivo Blog Ponto de Ônibus

Junta Comercial de São Paulo

Relatório da Polícia Civil do Estado de São Paulo sobre a operação Martim Afonso, que apura um suposto esquema de fraude e lavagem de dinheiro de facção criminosa por meio de serviços de transportes urbanos por vans e micro-ônibus em São Vicente, no Litoral Paulista, revela uma estrutura sofisticada que envolve desde a operação dos veículos até a compra dos micro-ônibus e o sistema de bilhetagem. Nomes que atuaram em áreas operadas por cooperativas na Capital Paulista, que foram investigadas pelo Ministério Público de São Paulo, também aparecem nas apurações da polícia.

O conteúdo do relatório foi divulgado pelo repórter Eduardo Velozo Fuccia, do jornal A Tribuna.

Segundo as investigações, as principais ordens em relação aos transportes da cidade partiam de Levi da Silva, citado no relatório da DIG – Delegacia de Investigações Gerais, como membro de “alto escalão” de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Estado de São Paulo.

Levi foi apontado como um dos chefes do suposto esquema e tem passagens pela polícia por roubo, corrupção de menor, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Ele foi preso em casa, em Mogi das Cruzes, nesta terça-feira, 8 de março de 2016. Ao todo, a Polícia cumpriu 18 mandados de prisão.

“Levi comandaria as ações da diretoria da Cooperativa de Trabalho e Serviços de Transporte Alternativo de São Vicente – Cooperlotação para atingir todos os seus objetivos ilícitos. Uma das metas da quadrilha seria criar dificuldades para impedir, quem não fosse do bando, de continuar operando o transporte alternativo de passageiros, que já virou oficial. Para isso, o líder da organização coordenou a corrupção de membros do Poder Público municipal, editando regras. Como o lobista, estaria o vereador Eronaldo José de Oliveira, o Ferrugem (SD – Solidariedade).  Além de impor condições que só os envolvidos no esquema poderiam cumprir, Levi determinou que os micro-ônibus a serem usados no transporte alternativo, conforme as especificações do decreto, só poderiam ser adquiridos, mediante consórcio, em uma única concessionária da Volkswagen em São Bernardo do Campo.  Diretor-presidente da empresa, João Alves Neto, também integra a relação de suspeitos capturados, junto com os vendedores Ricardo Hannuch e Ricardo Monteiro Siqueira. Para individualizar as condutas dos suspeitos detidos dentro da engrenagem criminosa, a DIG os dividiu em cinco núcleos

–  Cooperlotação,

– Concessionária,

– Pagamento informatizado de tarifa,

– Administração Pública

–  Operador.

Porém, o dossiê da equipe do investigador Paulo Carvalhal frisa que “os investigados agem de comum acordo, cada qual no seu ramo de atividade, visando dominar o sistema de transporte alternativo da cidade de São Vicente”.” – diz o trecho da reportagem com base nas informações da Polícia.

De acordo com a Jucesp- Junta Comercial do Estado de São Paulo, Sérgio Paulo do Couto Xavier e Jorge Braga de Mesquita são sócios na empresa de bilhetagem Radsoft Solution Informatica Ltda, com sedes na Vila Guilhermina, na Capital Paulista, e em São Vicente.

Já João Alves Neto é um dos sócios da Apta Caminhões e Ônibus Volkswagen, de São Bernardo do Campo.

Outro suspeito capturado que integra o núcleo Administração Pública, além do secretário Sinval Braz de Moraes, do vereador Ferrugem e do diretor de Transportes Leandro Cofane Gonçalves, é o empresário do ramo de transportes, André Martins de Lissandre. O papel do secretário de Assuntos Jurídicos, Sinval Braz de Moraes, teria sido fundamental na elaboração e aprovação do decreto – redigido por André Lissandre – que modificou as regras do transporte alternativo, principalmente quanto ao tipo de veículo, forçando cooperados que não fossem do esquema a negociar os seus alvarás com integrantes da quadrilha. A viabilização disso, conforme as investigações até agora apuraram, contou com a nomeação de Cofane como diretor da Secretaria de Transportes. Com o avanço da apuração da DIG e o surgimento do nome do prefeito Luis Cláudio Bili como quem também favorecia a máfia do transporte e dela se beneficiava, a Polícia Civil compartilhou dados da investigação com o Ministério Público, devido ao foro privilegiado do chefe do Executivo. À Subprocuradoria-Geral de Justiça incumbe investigar crimes de prefeitos, entre outras atribuições, conforme ato normativo da Procuradoria-Geral de Justiça. . – prossegue a reportagem.

Lissandre já foi presidente do Consórcio Leste 4, na Capital Paulista, que reunia as empresas Himalaia Transportes S.A., Empresa de Transportes Coletivos Novo Horizonte S.A. e Happy Play Tour Passagens, Turismo e Transportes de Passageiros Ltda, além das cooperativas Aliança Paulistana e Transcooper. As companhias foram descredenciadas pela prefeitura de São Paulo após o promotor Saad Mazloum, da Justiça e Cidadania, ter movido ação pública que apontou enriquecimento ilícito por parte de sócios das cooperativas. O Gaeco, grupo do Ministério Público que investiga o crime organizado, abriu em 2014 investigação para apurar o envolvimento do Consórcio Leste 4 com a facção criminosa. Relembre: http://wp.me/p18rvS-3SP

Parte da investigação foi arquivada, mas outras frentes continuam sendo apuradas.

Todos os envolvidos negam participação em esquemas criminosos e afirmam que têm como comprovar inocência. Também afirmam que atuam há vários anos legalmente nos seus ramos de atividade.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. claudio disse:

    Concessionária VW e a encarrocadora????

    1. A Polícia só cita a concessionária

  2. Rubens Segura disse:

    Porque será que na Capital Paulista não chegaram tão perto dos culpados neste esquema que é bastante parecido, mesma empresa, Apta vendeu ônibus demais para os operadores da Cooperpam e seus Diretores ficaram ricos de tanto ganhar comissão dela, entre outras roubalheiras que praticaram;.

  3. J disse:

    COLETA E MANEJO E DESCARTES DE LIXO E TRANSPORTES PÚBLICOS EM GERAL…SEMPRE UMA ETERNA FONTE DE ESCÂNDALOS ! A EX TRANSCOOPER AQUI NA Z. NORTE AREA 2 E NA Z. NOROESTE, AREA 1…NUNCA HOUVE VEÍCULOS CARROCERIA CAIOInduscar …MEU DEUS …ME PERGUNTO…P Q SERÁ ?? E MESMO AGORA…NÃO HÁ…MESMO AGORA SENDO EMPRESA, A NORTE-BUSS

  4. Pra mim não e novidade, tem muita coisa obscura ai.

  5. Na maioria das vezes os carros Estao no nome de laranjas.
    Se a policía investigar a fundo essa apta tem envolvimento com varias cooperativas
    Na lavagem de dinheiro.

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