Grupo chileno está interessado na compra /arremate de fábrica da Busscar.

Portal da Vivipra destaca a parceria com a Busscar.

Dólar valorizado frente ao real e ligação comercial com a encarroçadora podem ajudar intenção da Vivipra

ADAMO BAZANI

O leilão da Busscar se aproxima e aumenta o número de interessados na compra dos três ativos de uma das principais encarroçadoras de ônibus brasileiras da história, que devem ser leiloados entre os dias 15 e 30 de março.

De acordo com o colunista Cláudio Loetz, de A Notícia, um dos novos interessados na aquisição de pelo menos uma fábrica da empresa é o grupo chileno Vivipra, representante de marcas brasileiras de ônibus no país andino e revendedor de ônibus, caminhões e carros usados.

O Blog Ponto de Ônibus apurou que o Grupo Vivipra tem atuação desde 1985 com negócios não apenas no Chile, como em outros países da América Latina.

Na descrição da história, o grupo destaca que foi representante exclusivo da Busscar brasileira e agora é da Busscar Colômbia, esta em operação.

Esta proximidade da Vivipra pode ajudar nos negócios para um eventual arremate da planta principal da encarroçadora brasileira, que teve falência decretada em 2012 pela primeira vez e, depois de longas disputais nos tribunais, confirmada pela justiça em 2013.

Em mais de 30 anos de atuação, o Grupo Vivipra diz que já comercializou 15 mil ônibus.

Desde 2010, é distribuidor das marcas King Long, da China, da encarroçadora Modasa, do Peru e da Mascarello, no Brasil.

Além da experiência com produtos da Busscar, a desvalorização do real frente ao dólar pode ajudar nos interesses do Grupo Vivipra.

A leiloeira Tatiane Duarte enviou carta convite para o leilão dos três ativos da Busscar endereçada às principais encarroçadoras de ônibus do país. A especulação do mercado é de que a Caio seja uma das encarroçadoras interessadas no negócio.

A informação ganhou força no mercado desde 28 de setembro de 2011, antes mesmo da falência da Busscar. Na ocasião, o Blog Ponto de Ônibus trouxe com exclusividade a declaração de Maurício Cunha, diretor da Caio, sobre o interesse desde aquela época da fabricante paulista de carrocerias na Busscar. Relembre a matéria neste link: http://wp.me/p18rvS-Cv

Embora não oficialmente, há a informação também de que a Busscar é alvo de interesse de outros investidores, inclusive operadores de transportes. Seria um grupo liderado pela Gontijo empresa de ônibus de atuação nacional que foi uma das maiores clientes da Busscar em toda história, desde quando a fabricante de carrocerias se chamava Nielson.

A três fábricas da Busscar que devem ser leiloadas foram avaliadas em R$ 369 milhões 395 mil e 922, sendo que a fábrica de carrocerias em Joinville teve valor estimado em R$ 249 milhões 863 mil 368, a planta de peças do distrito de Pirabeiraba, recebeu estimativa de valor de R$ 26 milhões 328 mil 599, e a fábrica de peças que fica em Rio Negrinho, também em Santa Catarina, foi avaliada em R$ 17 milhões 876 mil 977.

Pelas regras de leilão, as vendas podem arrecadar mais, havendo lances maiores, mas esta não é a aposta do mercado.

Os possíveis interessados podem adquirir as três fábricas num lote de uma só vez, ou então se não houver lances, as três plantas serão leiloadas separadamente no mesmo dia.

No entanto, a perspectiva é de que o negócio seja fechado na segunda tentativa de leilão, que vai acontecer no dia 29 de março, que estipula os valores gerais em R$ 221 milhões 583 mil

Mas as fábricas podem ser vendidas por menos ainda se forem descontados os ativos circulantes, que são valores que a massa falida teria a receber, como restituição de tributos, por exemplo.

O mercado aposta ser muito difícil que a massa falida da Busscar consiga estes ativos circulantes na Justiça. Por isso nesta segunda tentativa de leilão, as três fábricas podem ser compradas por R$ 176 milhões 501 mil 366, se não houver lances maiores.

Assim, a fábrica de carrocerias em Joinville pode ser adquirida por R$ 149 milhões 918 mil, a planta de peças do distrito de Pirabeiraba por R$ 15 milhões 797 mil 160 e a de Rio Negrinho pelo valor de R$ 10 milhões 786 mil 186.

Pagamentos podem ser feitos em até 60 parcelas. Outras propostas também podem ser enviadas no processo de falência da Busscar que tramita na Quinta Vara Cível de Joinville.

Já foram arrematados da massa falida da Busscar Ônibus os seguintes ativos: a fábrica de peças e materiais de fibra Tecnofibras, a Climabuss – de equipamentos e refrigeração e as ações da Busscar Colômbia, empresa que atua naquele país.

Modelo Urbanus foi um dos destaques nos anos de 1980.

A Busscar foi fundada oficialmente como Nielson no dia 17 de setembro de 1946, com iniciativa de Augusto e Eugênio Nielson que começaram uma pequena oficina em Joinville, atuando na construção de móveis e utensílios e fazendo reparos em carrocerias de caminhões e cabines. Em 1948, a Nielson fez seu primeiro veículo de transporte coletivo, uma jardineira – ônibus simples feito de madeira. O veículo da Nielson foi uma encomenda da empresa Abílio & Bello Cia Ltda, que fazia a linha Joinville – Guaratuba, em Santa Catarina.

Foi na época do surgimento empreendimento dos Nielson, que o Brasil começava assistir mais intensamente o crescimento das cidades e também das relações comerciais entre as diferentes localidades. Tudo isso demandava uma maior oferta de transportes. Assim muitos empreendedores compravam chassis de caminhão, como da Ford e da GM, e precisavam transformá-los em ônibus para enfrentar as difíceis estadas de terra e verdadeiros atoleiros. Nesta época, a Nielson & Cia Ltda. tinha o comando do patriarca da família, Bruno, e do filho Harold.

Em 1958, um dos marcos para a Nielson foi o projeto de estrutura metálica para os ônibus.

No início dos anos de 1960, ganhavam as estradas os modelos Diplomata, carroceria de dois níveis que lembravam os Flxibles norte-americanos que, quando foram importados pela Expresso Brasileiro Viação Ltda eram chamados de Diplomata. A Nielson então conquistava definitivamente o mercado.

Nos anos de 1980, Nielson cresce mais e no segmento de rodoviário travava disputa acirrada com a Marcopolo e no segmento urbanos, a briga era com a Caio, praticamente de igual para igual.

A linha Diplomata tinha recebido novas versões e o Urbanuss ganhava atenção dos frotistas.

Por uma estratégia de negócios, a Nielson mudou a marca para Busscar. Inicialmete a marca foi conhecida como Busscar-Nielson. Surgiram os rodoviários El Buss e Jum Buss  e os urbanos da linha Urbanuss.

Em 2002, a Busscar começa enfrentar dificuldades financeiras. A família Nielson alegava problemas motivados pela variação cambial e também dificuldades de créditos, mas já havia também erros administrativos internos. O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social chegou a realizar empréstimos para empresa, que não foram plenamente honrados. A recuperação não foi plena, havendo novamente outro problema financeiro em 2004. A última crise da Busscar começou em 2008, quando a empresa começou a atrasar salários. Estes problemas levaram a decretação da falência em 27 de setembro de 2012 pela Justiça. A decisão, no entanto, foi anulada em 27 de novembro de 2013, após recursos judiciais. No entanto, os recursos caíram em 5 de dezembro de 2013 e a Busscar definitivamente tinha falência confirmada.

Os negócios continuam na América Latina. Na Expo Foro 2016, feira especializada em transporte coletivo realizada entre 1º e 4 de março de 2016 no México, a Busscar anunciava planos de expansão de negócios. Veja em: http://wp.me/p18rvS-5YE

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Grupo chileno está interessado na compra /arremate de fábrica da Busscar.

  1. Para a Caio seria um ótimo negócio, visto que ela não tem tradição no segmento rodoviário de carrocerias e poderia usar a Busscar para concorrer com a Marcopolo nesse segmento.

    • Mas a caio já tem interesse nem criar uma joint venture juntamente com a marcopolo nesse caso seria apenas pegar uma fábrica já em condições de receber os materiais e começar a produzir os modelos da própria caio….

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