Falhas na atuação de motoristas de ônibus são as principais queixas dos passageiros, diz SPTrans

Publicado em: 27 de fevereiro de 2016

Gatusa

Ônibus da Gatusa, empresa entre as concessionárias que teve o menor índice de reclamações. Já entre as permissionárias, empresas criadas a partir das antigas cooperativas, é a Transwolff, ex Cooper Pam.

Dos quatro principais tipos de reclamações, três se referem a problemas de condução dos ônibus. Blog Ponto de Ônibus ouviu profissionais do volante

ADAMO BAZANI

A forma como os motoristas de ônibus trabalham na capital paulista tem desagradado os passageiros.

É o que mostra o ranking de reclamações na SPTrans  – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema da capital paulista.

De acordo com os dados repassados pela SPTrans à Folha de São Paulo referentes a 2015, o não atendimento a pedidos de parada de embarque e desembarque é queixa com mais registros, ultrapassando o intervalo entre os ônibus que até  ano passado foi a principal reclamação, com 24% dos registros em 2014.

As outras duas principais queixas em relação aos transportes em São Paulo também se referem como os motoristas de ônibus estão trabalhando, inclusive com problemas como dirigir e falar ao celular. (Ver abaixo)

O total de reclamações registradas pelo telefone 156 ou pelo site da SPTrans caiu 28% de 2014 para 2015, passando de 67 mil 485 queixas registradas para 48 mil 393.

A SPTrans atribui esta redução as medidas como a implantação de mais de 390 quilômetros de faixas de ônibus que ajudaram a reduzir os intervalos em diversas linhas, a substituição  no sistema desde 2013 de 3 mil 874 ônibus trocados por modelos zero quilômetros e a Rede Noturna, já que parcela significativa das queixas sobre intervalos se referia a partidas noturnas.

Para o SPUrbanuss,  que é o sindicato que representa as empresas de ônibus, este índice representa uma reclamação a cada 59 mil passageiros transportados, considerado bom pela entidade patronal.

No entanto, passageiros dizem que em muitos casos desistiram de reclamar, o que pode ter interferido nos índices.

Em relação aos motoristas, dois profissionais ouvidos pelo Blog Ponto de Ônibus na manhã deste sábado, 27 de fevereiro de 2016, disseram que a realidade de que trabalha nos transportes deve ser melhor compreendida. Eles acham que são necessários cursos de qualificação mais eficientes do que os atuais.

“Sei que há muitos motoristas que trabalham mal, que precisam ter mais responsabilidade,  mas também tem umas questões que os próprios patrões e a SPTrans sabem e não fazem nada. Temos horários muito apertados para cumprir, pontos finais sem nenhuma estrutura e a porcaria que é dirigir e cobrar ao mesmo tempo. Isso é um assassinato, isso dá estresse do início ao fim da jornada. Dirigir e falar ao celular é [conduta] inadequada, mas eu posso ter de contar moedas, olhar no retrovisor, falar com o passageiro, ver o motoqueiro do lado, a droga da ciclovia, tudo ao mesmo tempo?” – disse um condutor de ex-cooperativa na zona sul de São Paulo.

“Trabalhar com transporte não é nadinha fácil. A gente devia também fazer o ranking dos passageiros, com certeza a falta de educação estaria no topo. Por que a SPTrans e as empresas não investem em campanhas para todo mundo ser educado no ônibus, não só o motorista. Eu trabalho com cobrador, mas já vi parceiros ficarem doentes por ter de dirigir e cobrar ” – disse outro motorista, de empresa concessionária.

Com medo de retaliação e de perder o emprego, os motoristas pediram para não ser identificados na matéria.

Acompanhe as quatro principais reclamações dos passageiros, segundo a SPTrans:

– Não atendimento ao pedido de parada para embarque e desembarque: 24%

– Intervalo entre os veículos: 17%

– Conduta inadequada dos motoristas, como dirigir e falar ao celular ou desrespeitar idosos:

14%

– Direção perigosa: 11%

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. claudinei da silva guimaraes disse:

    Só sabem reclamar,seria mais fácil eles colocar seus trazeiros no nosso lugar e dirigir,afinal nunca vão estar contente,trabalhar com gente é difícil,mais fácil lidar com animais!

  2. Eu entendo perfeitamente a reclamação contra passageiros. Mas geralmente nas linhas que pego tenho visto mais respeito dos passageiros com os motoristas (um bom dia, uma ajuda ao mesmo, etc…)

    Porém as reclamações dos motoristas tem seus questionamentos.

    Que eu saiba, o ideal é fazer a cobrança com o veículo parado. Salvo engano, até mesmo na Inglaterra, onde um motorista também é o cobrador, tem que ser feito assim por questão de segurança. Salvo engano, é proíbido fazer a cobrança do passageiro com o ônibus em movimento. Isso em primeiro lugar.

    Em segundo, vejo muitos motoristas também, por assim dizer, “folgados” e “relapsos”. Usam celular no volante, dirigem com total desatenção ao tráfego (não adianta culpar motoboy – até porque eles são tão ou mais relapsos ainda em trânsito). Além de agirem com preconceito contra algumas pessoas, ou indelicadeza no mínimo.

    Mas o pior de tudo é a questão da velocidade. Tudo bem, a maioria das pessoas querem chegar em casa a tempo, e há a questão de horário. Mas nisso, é hora de conversar um pouco melhor com todo mundo. Ter horário para cumprir não significa botar a vida de 100 pessoas em risco acima dos limites de velocidade e das forças físicas atuantes em um curva fechada ou frenagem apressada.

    Dias atrás peguei um ônibus que reparei que o mesmo andava em uma velocidade razoavelmente alta em dia de chuva. Em uma situação de emergência, o motorista desviou rapidamente, jogando quase todo mundo no chão. Reclamei que o motorista errou pois na verdade ele deveria estar andando em velocidade menor em dia de chuva (o marcador de velocidade no ônibus deu máxima de 60 km/h).

    Conduzir um veículo com centenas de passageiros requer atenção e respeito. Eu entendo o estresse que os motoristas sofrem, mas isso não deve ser desculpa para ter uma condução responsável. Aposto que em muitas linhas, os motoristas que mudarem seu jeito de conduzir receberão mais elogios que xingos.

    Quanto a cumprir horários, é hora da SPTrans analisar como é feito este cálculo, para justamente não forçar situações de risco. O importante é chegar no destino. Atrasar ninguém quer, mas morrer ou sofrer ferimentos as pessoas querem menos ainda.

  3. J disse:

    P q ninguém faz uma mega-manifestação pra garantir os empregos dos Cobradores dos ônibus , nos mesmos??? …Eles q ajudam muitíssimo aos Motoristas…p q não?? Vão se lascar ! Eu se pudesse extinguiria a SPTrans e a CET…Não é possível ! Fora PT E AFINS ! FORA PSDB E AFINS ! INCOMPETENTES E CARRASCOS DA FORÇA DESEMPREGADORA DESSE PAÍS ! CHEGA DE DUPLA – FUNÇÃO !

  4. José Alves disse:

    Adamo, onde a gente encontra o relatório completo?

    1. Até o momento, tinham sido liberados estes dados.

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