Redes de Transportes são difíceis para a mente humana

Rede de metrô de Nova York. Mapas enormes e gestão que não leva em conta especificidades regionais são inúteis, sugere estudo.

É o que dizem cientistas de duas universidades que sugerem simplicidade na comunicação e descentralização da gestão

ADAMO BAZANI

Mudança de ônibus para metrô, de metrô para ônibus novamente, de ônibus para trem até o cidadão chegar ao ponto onde precisa.

As conexões de transportes em rede são cada vez mais necessárias nas médias e grandes cidades, que não podem depender apenas de um modal.

No entanto, o que poderia ajudar as pessoas, acaba atrapalhando e incentivando a realização de trajetos pouco eficientes, porém já conhecidos, se não for apresentado de maneira clara e objetiva.

A conclusão é de cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e do Instituto de Física Teórica de Paris que desenvolveram com base em diversas redes de ônibus, trens e metrôs da Europa, América do Norte e Ásia, no ano passado, o artigo técnico chamado “Perdido nos transportes: medidas de informação e limites cognitivos na navegação de muitos níveis”. A informação é da agência russa Sputink.

Segundo os pesquisadores, a capacidade cognitiva humana é limitada a entender em torno de 250 conexões. No entanto, redes de transportes possuem em sua totalidade mais que este número. Em Nova York, são 8461 conexões, em Paris 4292 conexões e em Tóquio 1831 conexões entre ônibus e sistemas de trilhos.

Antes que haja interpretações equivocadas e leituras superficiais, não é que os pesquisadores defendam redes de transportes que eliminem a integração entre os diferentes modais ou mesmo entre linhas de um mesmo meio. Eles também não querem que um ser humano saiba de cor todos os pontos de integração entre linhas de ônibus de uma cidade.

Os estudiosos, no entanto, sugerem duas ações fundamentais:  comunicação com passageiro de uma maneira simples e também que a elaboração das redes de Transportes não deve ser centralizada nas mãos de poucos gestores.

“A capacidade cognitiva humana é limitada e as cidades, com as suas redes de transporte, têm crescido a um ponto em que elas chegaram a um nível de complexidade tal que superam a capacidade de processamento humano” – diz parte da conclusão acadêmica.

Isto significa dizer que para que haja uma comunicação efetiva ao passageiro, não adianta colocar os enormes mapas com a rede inteira de transportes. As informações devem focar os principais deslocamentos de cada região e irem mudando paulatinamente, de acordo com a área atendida pela rede de ônibus ou metrô.

O crescimento dos sistemas de transporte torna a sua representação visual em um mapa demasiado complexa e, finalmente, inútil” – continua o artigo.

A elaboração das redes de transportes e a gestão devem ser também por áreas. Após serem feitas de maneira eficiente as conexões dentro de cada uma delas, aí sim será possível integrar as diferentes regiões. Não significa que não deve haver uma política de transportes. Além disso, os gestores devem ter uma diretriz, caso contrário não seria uma rede, mas o pensar global em transportes deve ser formado pelas características regionais.

Pode parecer óbvio, mas nem sempre na prática é assim. Por isso que há conexões e trajetos sem sentido na prática.

Os cientistas compararam este limite cognitivo em relação à rede de transportes com o número Dunbar, que foi apresentado pela primeira vez nos anos de 1990 pelo antropólogo britânico Robin Dunbar.

Pelos estudos de Dunbar, o indivíduo só pode manter relações estáveis com no máximo 150 pessoas, sobre as quais ele vai lembrar dos detalhes pessoais e da história

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Redes de Transportes são difíceis para a mente humana

  1. Difícil entender o ponto deste texto.
    Para que o usuário comum teria que entender/usar o mapa completo da rede?
    Ele teria que conhecer bem o que é oferecido para seus deslocamentos habituais; para eventuais, consultaria as empresas e os serviços de rotas.
    Nos últimos anos há muitas opções de informação de deslocamentos on line, quase todas com versões para celulares.

    Numa comparação bem simples, é mais difícil chegar a um destino nas grandes cidades brasileiras de carro e moto que de ônibus/metrô/trem.

    Defendo que a rede completa da grandes regiões metropolitanas identifiquem individualmente seus usuários: com nome e senha no cartão (padrão cartão de débito bancário). Uma política que se pretenda eficiente poderia, desta forma, oferecer descontos maiores para combinações melhores de modais nos deslocamentos habituais/frequentes dos usuários. Os dois lados ganham: estado/prefeituras e usuários.

    • Discordo um pouco. Se é possível fazer mapas que transmitam uma informação com eficiencia a um “usuário comum”, que se faça. Isso ajuda e muito a disseminar uma informação correta e não confundir. Não é qualquer pessoa que tem capacidade plena de processar informações de um mapa.

      Quanto a identificação individual, a ideia na verdade já está em prática com o uso de bilhetes eletrônicos (como o Bilhete Único). O ponto é a questão dos descontos. O ideal é que um valor seja justo a todos. Por isso as tarifas atuais de transporte.

      • Sim, a informação pode e deve ser melhor apresentada ao usuário. Temo que a informação completa mostre mais claramente ao usuário as deficiências do sistema, como as muitas linhas sobrepostas.

        O Bilhete Único é avanço importante, mas sequer exige identificação do usuário e senha. As grandes regiões metropolitanas não são homogêneas na sua distribuição de moradias, escolas e empregos portanmto não existe um único valor justo a todos. As tarifas atuais refletem falta de empenho, investimento (não simplesmente me R$! Este está enorme, com a política de subsídios atual) e trabalho sério. Falta de coragem para enfrentar a situação.

  2. Digamos que eu, nascido em SP, a maior cidade da America do Sul, quando comecei a trabalhar na cidade, sempre me diziam QUEM TEM BOCA VAI À ROMA.
    Fixei isso na cabeça desde meus tempos de boy, quando a secretária mandava é ir em algum lugar. Ela me perguntava se eu sabia, e eu esperto dizia que sim, mas na verdade não, senão perderia o emprego. Isso em tempos de apenas coletivos e lotações, sem metrô urbano.
    Claro que não podemos absorver tudo de informação ao mesmo tempo, mas o proprio tempo faz com que nos assimilemos cantos, e norteamento da propria cidade que trabalhamos. Após 6 anos ja peguei o esquema, mas pra isso precisamos mentalizar o seguinte:
    1- você está numa cidade grande, reconhecer ela todos os dias. Mentalizar nomes de ruas, vielas, becos, comercios, empresas, predios históricos e pontos.
    2- quando sair de casa para ir trabalhar pensar no trajeto, sem mesmo deixar de fazer amizades no busão, ser extremamente curioso para ver transformações no trajeto( construiram um predio, abriram uma rua, abriu um comercio, placas novas de ruas e avisos). Isso é possivel sim.
    3- uma cidade grande é a sua ESCOLA da Vida, e é ela quem vai te direcionar pelo resto da vida, dar à vc experiencias próprias, ficar atento ao atravessar uma rua, avenida, não ser atropelado sequer.
    4- Numa cidade como SP, que não difere de uma NY ou Tókio, pelo movimento, ou você a AMA, ou ODEIA. No entanto a melhor forma de lidar com ela é ser alegre, divertido, sentir que dentro dela é como estar com sua mãe, protegido.
    (Ontem me detive num momento de ir embora, as 18:00hs, em plena Santa Cecilia do metrô. Fiquei chocado com a multidão na fila de bilhetes. Não me avexei. Sai da estação, caminhei pela São João, Duque de Caxias, e chegando lá a mesma coisa, mal se conseguia entrar pela Cásper Líbero.
    Sai fora,e decidi caminhar até o Brás, porque sabia que lá começava a partida da linha para o ABC. Pensava ser mais calmo por lá.
    Deu certo, uma calmaria, sem correria e sem pressões, adentrei o trem , peguei assento e segui para Santo André.
    Ressalto que para você conseguir seu objetivo no indo e vindo, é ter pernas, gostar de andar mesmo.
    5- Por fim, os transportes estão bem mais acessiveis e com qualidade nunca vista desde anos 60/70, quando eram capengas e essa é a razão de muitos passageiros migrando para o coletivo, o publico. SP não tem mais como aumentar espaço nas vias, seja asfalto ou ferrovia. E, não adianta falar que não estão vindo mais os nordestinos para cá. Estão sim, mas temos problemas agora com estrangeiros fugidos de países vizinhos , África, Siria, China…
    NÃO a critique, apenas ame-a..
    EDIFICIO NÃO GOSTAR DE SP

    ABRAÇOS oRLANDO

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