Obras paralisadas do monotrilho da linha 17 Ouro devem ser retomadas em março

Vigas incompletas do monotrilho. Região virou ponto de consumo de drogas, depósito de luxo e até de carros abandonados. Reprodução TV Globo

Trechos eram de responsabilidade de construtoras que tiveram contrato suspenso pelo Metrô

ADAMO BAZANI

Parte das obras do monotrilho da linha 17 Ouro, da Zona Sul de São Paulo, que estão paradas desde o final do ano passado deve ser retomada no mês de março.

A previsão é do secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, que nesta sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016, participou com o governador Geraldo Alckmin da cerimônia de conclusão da abertura do túnel para a implantação do prolongamento da linha 5 Lilás do metrô.

As obras do monotrilho às quais Pelissioni se referiu são relativas à construção de um pátio de manobras e de estruturas que estavam sob a responsabilidade do consórcio formado pelas empresas Andrade Gutierrez e CR Almeida.

Segundo o secretário, as empresas que ficaram em segundo lugar na concorrência se interessaram em assumir as obras.

No início deste ano, o Metrô rescindiu o contrato com Consórcio Monotrilho Pátio alegando que as empresas tinham reduzido os ritmos das obras.

Em nota, a Andrade Gutierrez, uma das responsáveis pelo consórcio, disse que os atrasos se deram por responsabilidade do Metrô e que no dia 10 de dezembro entrou na justiça para rescindir o contrato das obras.

“Há meses as empresas buscam uma negociação com o Metrô em relação aos problemas enfrentados nas obras, como a falta de liberações de frentes de serviço, fornecimento de projetos executivos e interfaces com demais contratos da Linha 17, atividades estas de responsabilidade do Metrô de São Paulo.”

O metrô respondeu dizendo que a construtora omitiu informações e que foi derrotada na Justiça.

O monotrilho da linha 17 – Ouro deveria ter sido concluído em 2012, mas as obras seguem em ritmo muito lento e a escolha do modal passou a ser contestada.

O Governo do Estado de São Paulo, em agosto de 2015, anunciou o congelamento da previsão de início das obras de 17 das 36 prestações que foram previstas inicialmente para os monotrilhos das linhas 15 Prata – Zona Leste e 17 – Ouro – Zona Sul.  As obras da linha 18 Bronze – ABC/Tamanduateí estão sem previsão de início.

Estas estações ficam nos extremos das linhas 15 e 17.

Na linha 15, não devem ser iniciadas tão já as obras entre o Hospital Cidades Tiradentes e Iguatemi e entre Vila Pudente e Ipiranga.

No caso da linha 17, as estações entre o Morumbi e a região da Favela do Paraisópolis e entre o Aeroporto de Congonhas e o Jabaquara estão sem cronograma definido.

Não há previsão para o início das obras nestes trechos das duas linhas.

ATRASOS, PARALISAÇÕES E CONGELAMENTOS:

O Governo de São Paulo prometeu entregar entre 2012 e 2015, um total de 59,7 quilômetros de monotrilhos em três linhas. Apenas 2,9 quilômetros entre as estações Oratório e Vila Prudente, da linha 15 Prata estão em operação e ainda com horário menor que dos trens, metrô e ônibus.

Duas linhas, a 15- Prata e a 17 – Ouro, que somam 44 quilômetros estão em construção, sendo que 21,9 quilômetros foram congelados.

Na linha 15 Prata está paralisado o cronograma do trecho entre São Mateus e Cidade Tiradentes, na zona Leste de Sã Paul. Já linha 17- Ouro estão sem previsão de conclusão as obras do trecho entre o aeroporto de Congonhas até Jabaquara e no outro extremo, da Marginal Pinheiros até a região posterior ao Morumbi, atendendo a área da favela do Paraisópolis.

A situação da linha 18 – Bronze, de 15,7 quilômetros, entre o ABC Paulista e a Capital, é mais problemática ainda. As obras não começaram. Há problemas financeiros, de contrato, como a cláusula que prevê o início das obras depois de testes da linha 17, que não está em funcionamento, de desapropriações e entraves que vão desde a aplicação do tipo de composições até galerias de água não equacionadas. Apesar de o contrato ter sido assinado com o grupo que vai construir e operar o sistema, a questão levantada por especialistas é se não seria mais vantajoso desistir da construção que ainda não foi iniciada e optar por metrô ou BRT. Os outros monotrilhos cujas obras já foram iniciadas deveriam ser concluídas.

O engenheiro e mestre em Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia – IME, Marcus Vinicius Quintella Cury, elaborou um estudo intitulado “A verdadeira realidade dos monotrilhos urbanos – Sonho ou Utopia: De volta ao Futuro?”. No levantamento de sistemas em diversas partes do mundo, o especialista mostra que vários fatores levaram à desativação de linhas de monotrilho:

http://marcusquintella.com.br/sig/lib/uploaded/estudos/MONOTRILHO__Sonho_ou_Utopia_.pdf

OS MONOTRILHOS DE SÃO PAULO:

linha 15 Prata deveria ter 26,7 quilômetros de extensão, 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes ao custo R$ 3,5 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Agora, o orçamento está 105% mais alto, com o valor de R$ 7,2 bilhões. O custo por quilômetro sairia hoje por R$ 269 milhões. A previsão de 9 estações agora é para 2018. Está congelado o trecho entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga. O governo do estado promete atendimento a uma demanda de 550 mil passageiros por dia

linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Hoje, o orçamento está 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2017. Atualmente, o custo por quilômetro seria de R$ 310 milhões. O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417 mil e 500 passageiros por dia.

linha 18 Bronze deveria ter 15,7 quilômetros de extensão, com 13 estações entre a região do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista ao custo de R$ 4,5 bilhões com previsão de entrega total em 2015. Agora, o orçamento está 14% mais caro, chegando a R$ 4,8 bilhões, sem previsão de entrega. A previsão de demanda é de até 340 mil passageiros por dia, quando completo. O custo hoje por quilômetro seria de R$ 305 milhões. Como as obras não começaram, especialistas defendem outro meio de transporte para a ligação, como um corredor de ônibus BRT, que pode ser até 10 vezes mais barato com capacidade de demanda semelhante.

COMPARAÇÕES ENTRE MODAIS NA PRÁTICA:

Para se determinar a vantagem de um modal em relação a outro deve ser levar em conta o custo de construção por quilômetro e a demanda atendida por dia, além do custo de operação, que vai implicar em maior tarifa e necessidade de mais subsídios.

Em linhas gerais, o quilômetro de um BRT – Bus Rapid Transit, sistema moderno de corredores de ônibus, custa em torno de R$ 35 milhões podendo ser atendida uma demanda diária entre 50 mil e 340 mil pessoas. O custo por quilômetro de um monotrilho é de em torno de R$ 250 milhões com uma demanda diária entre 50 mil e 400 mil passageiros.

O custo por quilômetro de um VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, espécie de um bonde moderno, é de entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões, com demanda atendida entre 50 mil 300 mil passageiros.

O custo por quilômetro de metrô subterrâneo é de R$ 1 bilhão, podendo ser atendidos por dia entre 500 mil e 900 mil passageiros.

Mas na prática, como serão o atendimento e os custos projetados dos modais? Com base em dados das próprias gerenciadoras de transportes, o Blog Ponto de Ônibus traz as seguintes comparações:

 MONOTRILHO – LINHA 18 – ABC

Extensão – 15,7 quilômetros

Custo das obras – R$ 4,8 bilhões

Preço por quilômetro – R$ 305 milhões 732 mil

Demanda atendida -314 mil pessoas por dia

SISTEMA DE BRT DO RIO DE JANEIRO

– Extensão atual já em operação – 91 quilômetros (TransOeste e Transcarioca)

– Custo já investido – R$ 2 bilhões 651 milhões

– Preço por quilômetro – R$ 28,9 milhões

– Demanda atendida: 430 mil pessoas por dia

QUANDO REDE ESTIVER PRONTA – previsão 2017

– Extensão de rede municipal concluída – 157  km (TransOeste, TransCarioca, TransBrasil e TransOlímpica)

– Custo previsto (incluindo o já investido e que está em operação): R$ 5,6 bilhões

– Custo por quilômetro: R$ 35,66 milhões

– Demanda geral – 2 milhões de passageiros por dia

Maior BRT do sistema do Rio em capacidade será o TransBrasil, na avenida Brasil, com 28 km de extensão, 33 estações, cinco terminais, entre Deodoro e centro do Rio, deve atender 820 mil pessoas por dia

VLT BAIXADA SANTISTA:

Extensão – 16,6 quilômetros – sistema completo

Custo das Obras – R$ 1,2 bilhão

Custo por quilômetro – R$ 72,28 milhões

Demanda atendida com sistema completo – 80 mil pessoas por dia

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Obras paralisadas do monotrilho da linha 17 Ouro devem ser retomadas em março

  1. Linha 15 previsão de 9 estações até 2018, VERGONHOSO

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