Volvo divulga balanço de desempenho e não deve fazer grandes investimentos em 2016 no Brasil

Participação foi considerada satisfatória no segmento de ônibus urbanos. Em 2016, deve haver continuidade da queda geral no mercado entre as marcas. A partir da próxima semana, produção de caminhões vai ser paralisada até 07 de março.

Apesar da crise, empresa comemora aumento de participação no mercado em alguns segmentos de ônibus e caminhões. Para este ano, deve haver férias coletivas, lay-off e outros ajustes na mão de obra

ADAMO BAZANI

Diante da crise econômica no Brasil, que afeta setores que indicam o nível de atividade como os fabricantes de bens intermediários e bens de capital, incluindo os segmentos de ônibus e caminhões, muitas empresas que montam estes veículos estão revendo planos de investimentos e a regra agora é conter recursos.

A fabricante de ônibus e caminhões Volvo divulgou nesta terça-feira, 16 de fevereiro de 2016, balanço sobre os o desempenho de 2015 e as perspectivas em curto e longo prazos. Neste ano, quando a crise deve persistir, a empresa não pretende realizar investimentos significativos.

“2015 foi um ano difícil e 2016 será ainda mais desafiador… Mas nosso compromisso com o Brasil é de longo prazo e vamos continuar investindo em novos produtos e soluções que contribuam com os negócios dos nossos clientes. O país é muito grande e sempre superou suas dificuldades” – afirmou em nota divulga a imprensa, o presidente do Grupo Volvo América Latina, Carlos Morassutti.

A perspectiva é de queda de produção. No ano passado, a montadora ajustou a mão de obra para um mercado de 70 mil unidades, entre ônibus e caminhões. Já para este ano, a estimativa é de queda para entorno de 40 mil unidades.

Isso deve fazer com que a montadora adote neste ano medidas em relação à mão de obra, como lay-off – suspensão temporária dos contratos de trabalho, férias coletivas, banco de horas e recorrer ao PPE – Programa de Proteção ao Emprego, criado pelo governo federal e que permite a redução jornada de trabalho e de salários. A planta da Volvo hoje em Curitiba conta excedente de até 20% de trabalhadores. A unidade possui 3,4 mil funcionários.vEm Pederneiras, interior paulista, são em torno de 600 trabalhadores.

A partir da próxima semana, a empresa deve paralisar toda a produção de caminhões, só retornando no dia 7 de março.

Em 2015, a venda total de caminhões da marca teve uma queda de 64% com 6 mil 722 unidades . No segmento de ônibus, a Volvo vendeu 864 veículos, o que representa baixa de 48% em 2015 na comparação com 2014.

Para 2016, as perspectivas são de queda, principalmente nas vendas de caminhões, que deve ser em torno de 15%.

Em nota, a Volvo, no entanto, classificou como positivo o aumento de participação em alguns segmentos de mercado.

“A marca se manteve na liderança brasileira de caminhões pesados em 2015, alcançando 29,6% de market share, exatamente o mesmo percentual verificado em 2014… No segmento de caminhões semipesados, a VM também teve resultado satisfatório. A marca conquistou 12,3% de market share no ano passado, resultado muito semelhante aos 12,6% conseguidos em 2014. No mercado de pesados, o destaque é o FH, modelo procurado por transportadores ligados ao agronegócio, que buscam os principais atributos deste modelo: disponibilidade, baixo consumo de combustível e alta tecnologia embarcada. Na área de ônibus, o avanço de 3,1 pontos percentuais no mercado de urbanos, permitiu à marca reconquistar a segunda posição no mercado de ônibus pesados, atingindo 18,5% de participação. As exportações de chassis também foram importantes no período, representando 51% do total de ônibus comercializado pela Volvo no ano passado. Para o Peru, um dos principais mercados, as exportações de ônibus cresceram 11%.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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