Prefeituras e estados investiram menos em redes de transportes no ano de 2015

Projeto de extensão da linha 9 Esmeralda da CPTM até Varginha, na zona Sul, foi um dos que mais sofreram com cortes de investimentos.

Apenas a cidade do Rio de Janeiro, motivada pelos Jogos Olímpicos, teve o volume investimentos expressivo.  O estado de São Paulo cortou 36% dos investimentos em transportes metropolitanos

ADAMO BAZANI

O brasileiro contou em 2015 com menos investimentos em transportes públicos. Os recursos destinados pelos estados e municípios para área tiveram queda significativa em relação ao ano de 2014. O resultado é a ampliação de problemas crônicos que existem nas cidades e estados: lotação, redes metro-ferroviárias insuficientes, falta de prioridade ao transporte coletivo no espaço urbano e ausência de corredores exclusivos que poderiam aumentar a eficiência dos ônibus.

Os administradores locais atribuem o fato à crise econômica que reduziu a arrecadação dos estados e municípios e também o ritmo de liberação de recursos por parte do governo federal para o financiamento de obras de mobilidade.

Levantamento divulgado pelo jornal Valor Econômico com base em relatórios fiscais de 16 capitais brasileiras mostra que em 2015, os investimentos das cidades em diversas áreas, não apenas em Transportes, tiveram uma queda de 8,7% em 2015 na comparação com 2014, já descontado o impacto da inflação. Se a inflação no país não crescesse tanto e não superasse o teto da meta, a elevação dos investimentos nestas capitais seria de 1,1%.

De acordo com o levantamento, apenas cinco capitais registraram um crescimento dos investimentos gerais em 2015: Cuiabá (+ 140,1%), Goiânia (+134,71%), Porto Velho (+94,58%), São Luís (+85,41%) e Rio de Janeiro (49,76%).

O destaque em volume de recursos, entretanto, foi para o Rio de Janeiro cujos investimentos superaram os da capital paulista, a cidade mais rica do País. O Rio de Janeiro investiu R$ 5 bilhões 182 milhões em 2015. A cidade de São Paulo teve queda de 18,15% nos investimentos e somou R$ 3 bilhões e 050 milhões.

No entanto, é importante destacar que o Rio de Janeiro teve investimentos superiores em 2015 por causa dos Jogos Olímpicos deste ano. A própria prefeitura admite que neste ano de 2016, o nível de investimento deve cair para R$ 4 bilhões, havendo uma redução nos próximos anos.  A prefeitura destaca que R$ 1,8 bilhão em recursos vieram no ano de 2015 de operações de crédito com o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Caixa Econômica Federal, principalmente para obras de mobilidade,  como ampliação dos corredores de ônibus BRT da cidade e construção do VLT – Veículo Leve sobre Trilhos.

Se os investimentos estão caindo por causa da crise, o mesmo não pode ser dito em relação aos custos com pessoal dos municípios. As despesas com folha de pagamento neste universo de 16 capitais cresceram 11% em 2015, com destaque para as cidades como a capital paulista, onde os gastos com pessoal subiram 14,6%.

A queda dos investimentos por parte dos Estados também é grande e afeta a prestação de serviços como de transportes públicos. Em 2015, o Governo do Estado de São Paulo aplicou menos recursos do que o previsto no orçamento em seis das 10 maiores secretarias. As áreas de Transportes estão entre as mais prejudicadas.

Na Secretaria de Logística e Transportes, responsável por obras como o Rodoanel e construção de ferrovias e rodovias, a queda nos investimentos foi de 42%. Dos R$ 7,43 bilhões previstos, apenas R$ 4,29 Bilhões foram executados.

O Rodoanel Norte, uma das bandeiras eleitorais do governador Geraldo Alckmin, teve corte de 60% dos investimentos em 2015. Estavam previstas aplicações de recursos na ordem de R$ 2,2 bilhões, mas para obra foram investidos apenas R$ 862 milhões.

Os investimentos pela Secretaria de Transportes Metropolitanos, o que inclui os trens da CPTM, o metrô e os corredores de ônibus intermunicipais, tiveram uma queda de 36% em 2015 diante do que estava previsto no Orçamento para o mesmo ano. Para os transportes metropolitanos, a previsão era de R$ 12,2 bilhões, mas só foram desembolsados R$ 8,5 bilhões.

A extensão da linha 9 – Esmeralda até Varginha, na zona Sul, recebeu 75% menos que o previsto. A obra tinha previsão de R$ 336 milhões, mas contou com apenas R$ 85 milhões.

O estado de São Paulo atribui o corte de receitas às dificuldades para conseguir recursos da União.

Segundo a Secretaria de Logística e Transportes, o Governo Federal deixou de repassar R$ 1,2 bilhão para obras e não foram realizadas operações de crédito com Banco do Brasil de R$ 643 milhões.

Já a Secretaria de Transportes Metropolitanos diz que a União deixou de repassar em 2015, R$ 736,5 milhões para obras de trens, ônibus e metrô e São Paulo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Prefeituras e estados investiram menos em redes de transportes no ano de 2015

  1. Em resumo os impostos arrecadados serão usados so para pagar propinas, investir em novos lava jatos, pagar empreiteiras de fachadas e etc…..,, há isto já vem ocorrendo então vai ficar tudo do jeito que estava, Adamo levei um susto, ufa!!!!

  2. AQUI EM SP/SP… IMAGINA … COM ESSAS AMEBAS…KASSAB E AGORA ESSE HADDAD…CREDO ! E O SERRA ENTÃO ANTES DELES…SEM COMENTÁRIOS ! NADA ! ZERO ! KASSAB E SERRA, E O ALCKMIN, JUNTO COM O LULADRÃO…ACABARAM O “EXPRESSO TIRADENTES” E OLHEM LÁ! E SÓ! MAIS NADA !

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