Sistema Transjakarta local adquiriu 100 novas unidades destes veículos e ampliou corredores de ônibus
ADAMO BAZANI
Na busca por melhorar a mobilidade urbana de uma forma sustentável, sem agredir o meio ambiente, diversos sistemas em todo o mundo buscam soluções alternativas à dependência única do óleo diesel para o abastecimento dos ônibus.
Um dos exemplos recentes é Jacarta, capital da Indonésia.
No final de 2015, o sistema Transjakarta, que conta com corredores de ônibus que atendem atualmente 350 mil pessoas por dia, concluiu a compra de 100 ônibus, já com motores que seguem os padrões de redução de emissões Euro 6, movidos a gás natural.
Hoje Jacarta conta 12 corredores de ônibus, sendo que uma parte possui características de BRT – Bus Rapid Transit, com segregação total dos ônibus no trânsito, o que possibilita maior velocidade operacional e mais prioridade ao transporte público no espaço urbano, estações de embarque e desembarque com pagamento antecipado, permitindo maior acessibilidade aos passageiros e menos tempo de parada dos ônibus.
Os veículos articulados com este tipo de tração podem reduzir entre 35% e 80% os índices de emissões dependendo do poluente a ser analisado em comparação com ônibus a diesel do mesmo padrão.
Os ônibus adquiridos pelo sistema de Jacarta são fabricados pela Scania. A montadora informou que fez mais de 8 mil quilômetros de testes com modelo.
Segundo a Scania, além de cidades da Europa e dos Estados Unidos, onde uso de ônibus a gás natural é mais comum, recentemente cidades da América Latina têm ampliado a frota de veículos movidos com este combustível.
Na cidade de Cartagena das Índias, na Colômbia, por exemplo, a operadora Transcaribe conta com 147 ônibus em seu sistema de BRT. Na Cidade do México, a Mexibús opera 62 ônibus em seu sistema de transporte rápido.
NO BRASIL:
Uso de gás natural para frota de ônibus no Brasil foi muito comum entre os anos de 1980 e 1990. Um dos destaques foi a cidade de São Paulo que teve até meados de 1990, em torno de 250 veículos com esse tipo de combustível. Além da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, que reuniu a maior parte desta frota, também tiveram ônibus a gás natural empresas como Viação Gatusa, Viação Santa Madalena, e CCTC – Cooperativa Comunitária de Transportes Coletivos, formada após a privatização da CMTC.
No entanto, o alto nível de ruído e problemas em relação ao desempenho desses veículos e ao abastecimento fizeram com que o uso do gás natural na frota de ônibus brasileira fosse descontinuado.
A Scania testou um modelo internacional no Brasil, que pode ser movido tanto com gás natural como com biometano, gás obtido na decomposição de resíduos. A empresa, que pretende produzir e comercializar ônibus a gás natural a partir da planta de São Bernardo do Campo, garante que os problemas antes vistos nas ruas brasileiras são coisas do passado. De acordo com a montadora, a injeção computadorizada do combustível nos motores, a otimização da queima do gás natural e novas formas de armazenamento, mais modernas do que em cilindros que ficavam em carretas nas garagens, fazem com o que ônibus a gás natural seja viável em praticamente todos os sistemas de transportes.
Confira o vídeo do Transjakarta:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes