Engenheiros que elaboraram o plano de mobilidade para Cuiabá e região sugerem venda de VLTs

Engenheiros apontam para viabilidade de BRT entre Cuiabá e Várzea Grande mesmo com obras VLT já iniciadas. Foto: A Gazeta – Otmar de Oliveira

Para Alindo Fernandes e Antônio Luiz Mourão Santana ainda vale mais a pena trocar de modal já que 70% das obras ainda não foram concluídos. Opinião, no entanto, não é unânime

ADAMO BAZANI

Os sócios-diretores da Oficina Engenharia, empresa que realizou estudos para mobilidade urbana de Cuiabá e região metropolitana, em depoimento à CPI das Obras da Copa, nesta terça-feira, 1º de dezembro de 2015, destacaram que do ponto de vista econômico e até mesmo operacional, uma das opções para a região seria vender os trens de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos e trabalhar para implantação do BRT – Bus Rapid Transit, primeiro modal considerado para a ligação até Várzea Grande. A opinião é controversa e divide posicionamentos.

Arlindo Fernandes e Antônio Luiz Mourão Santana se basearam no fato de que ainda restam 70% das obras do VLT para serem concluídos. Na opinião deles, as obras que já foram realizadas poderão ser adaptadas por um custo menor.

Arlindo disse que o primeiro plano de transporte da rede integrada da região, solicitado pela Secretaria Municipal de Transportes Urbanos, já previa o modelo de concessão de transporte coletivo por ônibus entre Cuiabá e Várzea Grande. No ano de 2010, estudo foi contratado pelo poder público ao valor de R$ 800 mil. O objetivo era entregar o plano diretor da região metropolitana de Cuiabá com base na pesquisa de origem e destino realizada em 2005, mas já projetando um aumento de demanda para o futuro.

A Oficina Engenharia também participou do estudo de rede integrada, contratada pela Secretaria Regional de Copa que também apontou o BRT como solução economicamente mais viável. No entanto Arlindo, disse que no estudo contratado não caberia escolher as alternativas entre BRT e VLT já que a definição seria feita pela Secopa em Cuiabá.

“A Secopa pediu um estudo rápido de comparação entre BRT e VLT, o que não é um estudo de alternativas para escolha, se fosse seria outro modelo de estudo. Nesta ocasião, havia manifestações no sentido de se aplicar o VLT em Cuiabá … Então fizemos a comparação entre os dois modais, mas não havia projeto do VLT para Cuiabá, e sim a implantação possível do BRT. Neste estudo comparativo trouxemos o cálculo do que seria o investimento e custeio, que apontamos valor duas vezees maior que o do BRT” – disse, segundo agências.

Logo depois, num procedimento polêmico de alteração de pareceres técnicos, houve a opção pelo VLT, que deveria estar pronto em 2014. Hoje o VLT deve custar até R$ 2,5 bilhões e o BRT teria um Custo de R$ 450 milhões.

Na CPI, Arlindo ainda destacou que o custo de tarifa pelo passageiro sairia ao menos R$ 3,80 no VLT, necessitando de mais subsídios . O valor é de 2010, época em que foi realizado estudo que também apontou que custo operacional do VLT estava em cerca de R$ 7 milhões por mês. Na opinião de Arlindo, a melhor solução seria trocar o VLT e implantar o BRT .

“Não existe obra no eixo do Coxipó, por exemplo, nunca existiu conosco esta discussão de termos que escolher. O que posso dizer é que na Agecopa existia uma boa compreensão de que o BRT era mais viável o investimento. Vender os veículos VLT pode ser uma solução viável” complementou

O outro sócio-diretor da Oficina Engenharia, Antônio Luiz Mourão Santana, disse que falta muito ainda para terminar as obras do VLT, mesmo com R$ 1 bilhão já investidos no modal.

“Ainda falta muito da obra, pelo que observei no caminho do aeroporto até aqui, e o material rodante já está comprometido, a pergunta é o que fazer com isso? O que o governo precisa avaliar é se possui esta capacidade para investimento de recursos, porque ainda faltam 70% da obra para ser concluída e por outro lado, não tem como deixar a cidade com essa cicatriz do VLT, ou então usar este espaço para o BRT”, concluiu. –

Os dois técnicos, no entanto, não fizeram uma crítica direta ao VLT. Eles apontaram que o modal traz vantagens como capacidade de atendimento e também menos impactos do ponto de vista da poluição, já que os VLTs são elétricos, em sua maioria.

VLT TEM PARECERES FAVORÁVEIS:

As críticas ao VLT de Cuiabá, no entanto, não são unânimes.

O advogado e ambientalista Ewerson Duarte da Costa, diretor institucional na Eco 2 Neutralização, empresa que acompanhou o estudo de impacto ambiental do VLT, afirmou ao jornal A Gazeta on Line, que a falta de informação, aliada à corrupção e aos atrasos das obras são os principais motivos que colocaram o modal como um “vilão”.

Segundo ele, não há mais o que se discutir quanto a viabilidade ou não do modal, já que estudos comprovaram que o VLT era a melhor opção e que as avenidas de Cuiabá não teriam condições estruturais para comportar o BRT, que tomaria um maior espaço. “Cuiabá não foi uma cidade pensada, não cresceu com planejamento e não tem calha viária para o BRT, pois este modal ocupa muito espaço, tecnicamente seria inviável”. – disse à repórter Dantielle Venturini.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes .

4 comentários em Engenheiros que elaboraram o plano de mobilidade para Cuiabá e região sugerem venda de VLTs

  1. eu discordo… começou agora vai até o fim… imaginem o custo de vender os trens e quebrar o que já foi feito pra receber outro modal… sou contra, o que já começou termina e o que ñ começou deixa de lado…

  2. esses caras são loucos, a cidade ira perder uma oportunidade de melhorar o transporte, outra coisa, em outros paises, convivem no mesmo circuito, VLT e BRT, Talvez isso seria possivel, apesar de não conhecer a estrutura já construida.

  3. E quem sera que usou o dinheiro super faturado mesmo?E quem pagou mesmo ou esta pagando?Ate quando?

  4. Sugestão? Peguem as empresas que superfaturaram e mandam elas fazerem de graça o trabalho!

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