Greve de ônibus em Curitiba é aprovada em assembleias

Ônibus em Curitiba. Serviços podem parar nesta terça-feira, 1º de dezembro.

Empresas de ameaçaram demitir ônibus dois mil trabalhadores e dizem que poder público não cumpre a parte em relação à remuneração e reajuste de tarifa técnica

ADAMO BAZANI

Em duas assembleias realizadas nesta sexta feira, 27 de novembro de 2015, motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba e região metropolitana aprovaram o indicativo de greve.

Se for respeitado o prazo de 72 horas, como determina a lei, a partir de terça feira, 1º de dezembro de 2015, todos os ônibus municipais e metropolitanos da região vão ficar parados. Quase dois milhões de passageiros devem ser afetados.

A situação pode ser revertida dependendo das negociações que devem ocorrer até segunda-feira.

O indicativo de greve acontece em meio a um impasse que pode ser chamado de crise nos transportes de Curitiba e região, que já foram considerados modelos de mobilidade para todo mundo.

De um lado, o poder público, tanto prefeitura de Curitiba pela Urbs, e governo do Paraná pela Comec, ambas gerenciadoras dos transportes, diz que está com as contas prejudicadas por causa da crise econômica e queda de arrecadação e que não há condições de financiar o transporte por subsídios à tarifas.

Do outro lado, as empresas de ônibus afirmam que a remuneração por passageiro transportado está defasada, que não cobre os custos e que o poder público não cumpre os contratos de reajuste da tarifa técnica.

Tarifa técnica é o valor que a empresa recebe por passageiro transportado.  É diferente da tarifa paga pelo usuário na catraca.

Em 29 setembro deste ano, a Urbs – Urbanização de Curitiba S.A. reajustou a tarifa técnica de R$ 2,93 para R$ 3,21. Por contrato, os reajustes da tarifa-técnica devem acontecer em fevereiro.  A tarifa paga pelo passageiro é de R$ 3,30.

As empresas de ônibus dizem que o necessário para cobrir os custos seria uma tarifa de R$ 3,40. É a primeira vez desde que foi instituída, que a tarifa técnica tem valor abaixo da tarifa paga pelos passageiros.

Em nota, o Setransp, que é o sindicato que reúne as empresas de ônibus de Curitiba e região metropolitana,  admite as dificuldades financeiras. As viações ameaçam demitir dois mil trabalhadores e classificam que os transportes entraram em “colapso”.

Também alegam que não podem pagar o 13º salário e parte dos salários de dezembro e de janeiro de 2016.

Durante todo este ano de 2015, houve embates entre empresas de ônibus, trabalhadores e o poder público.

As empresas de ônibus dizem que não podem realizar renovação de frota e, com a tarifa técnica defasada, não têm condições de honrar os pagamentos. Os empresários de ônibus também reclamam do não pagamento de uma só vez do retroativo da diferença da tarifa técnica entre fevereiro e setembro deste ano. Ainda restam R$ 11 milhões para que o poder público deposite, segundo as empresas de ônibus.

Neste ano já houve paralisações de motoristas e cobradores de ônibus em Curitiba e região metropolitana. Além de greves gerais da categoria, os trabalhadores fizeram atos que paralisaram as atividades em algumas empresas e em cidades, cobrando não apenas o pagamento de salários atrasados. De acordo com Sindimoc, sindicato que representa os motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana, também houve atrasos em pagamentos de benefícios como o auxílio saúde.

Nesta sexta feira, 27 de novembro de 2015,  a Urbs – Urbanização de Curitiba S.A. notificou as empresas de ônibus para que elas deem explicações sobre a ameaça de demissão de trabalhadores do setor.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

1 comentário em Greve de ônibus em Curitiba é aprovada em assembleias

  1. Cadê os apartidários metendo o pau nas demissões?ou o sindicato reclamando?Agora em SP fazem uma auê por isso né piada.

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