Ronan Maria Pinto, Sombra e Klinger devem recorrer em liberdade. Dinheiro de amigo de Lula pode ter ido para dono de ônibus e jornal

Luís Inácio Lula da Silva e José Dirceu no velório do prefeito de Santo André, Celso Daniel. MP diz que corrupção envolvendo empresas de ônibus teria motivado assassinato em 2002. Foto: Veja.

Justiça condenou grupo por corrupção envolvendo empresas de ônibus na gestão Celso Daniel

ADAMO BAZANI

Condenados nesta segunda-feira, 23 de novembro de 2015, à prisão por um esquema de corrupção envolvendo o setor de transportes na gestão Celso Daniel, entre 1999 e 2001, o dono do Diário do Grande ABC e de empresas de ônibus, Ronan Maria Pinto, o empresário  Sérgio Gomes da Silva,  o Sombra, e o ex secretário de obras públicas de Celso Daniel, Klinger Luiz de Oliveira, vão poder recorrer da sentença em liberdade por causa da legislação brasileira.

A juíza Maria Lucinda da Costa, da 1ª Vara Criminal de Santo André, foi enfática ao classificar os réus como responsáveis pelo que chamou de “esquema criminoso”.

“É inafastável a condenação de Klinger, Ronan e Sérgio, pois fartas são as provas de recebimento de valores de modo ilícito, bem como a destinação pessoal do proveito da corrupção. Não há tese defensiva que leve à absolvição”

Sombra e Klinger foram condenados a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de 78 dias multa pelos crimes de concussão, corrupção passiva, por várias vezes. Já Ronan Maria Pinto foi condenado a 10 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de 48 dias multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa, por várias vezes.

De acordo com dados das investigações, que foram usados na decisão, os empresários tinham de pagar ao esquema R$ 500 por ônibus em operação por mês. Quem não realizasse os pagamentos, sofreria sanções e tinha dificuldades de operar.

Foi o caso da família Gabrilli. O dono da Viação São José de Transportes Ltda, Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho, não concordou em pagar os valores.

Repentinamente, as operações da São José começaram a ser prejudicadas. A empresa teve linhas sobrepostas pela Viação Padroeira do Brasil com autorização da prefeitura, que tinha na ocasião, como sócio o empresário Baltazar José de Sousa, concunhado de Ronan. Na garagem da Padroeira, localizada no Jardim Bom Pastor, foi guardada a Pajero onde estava Celso Daniel com Sombra no dia em que somente o prefeito foi levado pelos criminosos.

Na decisão, a juíza faz referências a Ronan.  De acordo com o texto da magistrada, Ronan é “empresário bem sucedido, formador de opinião”, mas que transgrediu “regra básica de conduta”, mostrando “personalidade dissimulada”. Segundo ela, “são pessoas como Ronan que, não obstante devessem servir de exemplo e tivessem plena consciência do ilícito que praticavam, alimentam o pensamento coletivo que admite o ilícito como algo natural, o que faz desmoronar a imagem do Brasil como país sério.”

O empresário sempre negou as acusações e disse ter sofrido prejuízos com o envolvimento de seu nome.

Klinger e Sombra também negam participação.

Para o Ministério Público de São Paulo, este esquema de corrupção motivou a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.  Já a polícia conclui em dois inquéritos que a morte tratou-se de crime comum, sem motivações políticas.

OPERAÇÃO LAVA JATO:

Dinheiro do empresário, pecuarista e amigo de Lula, José Carlos Bumlai, pode ter parado nas mãos de Ronan Maria Pinto.

É uma das linhas de investigação da Operação Lava Jato, revelada nesta terça-feira.

Os investigadores apuram um empréstimo de R$ 12 milhões feito por Bumlai, pelo banco Schaim em setembro de 2004. O destino do dinheiro ainda é duvidoso para a Polícia Federal.

De acordo com delatores da operação, parte do dinheiro foi para pagar dívidas do PT – Partido dos Trabalhadores e outra parte para Ronan Maria Pinto não envolver o nome do ex presidente Luís Inácio Lula da Silva no caso da morte de Celso Daniel.

Nas investigações sobre o mensalão, em setembro de 2012, o publicitário Marcos Valério, condenado a 40 anos de prisão pelo esquema, disse que Ronan havia chantageado o PT para não citar Lula no caso de Santo André. O empresário de ônibus teria procurado os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho.

Segundo Marcos Valério, o ex-secretário-geral do PT , Sílvio Pereira, o procurou para pedir ajuda em relação à suposta chantagem.

Ronan, ainda segundo o depoimento, teria pedido R$ 6 milhões em uma reunião com Pereira e Valério para comprar o jornal Diário do Grande ABC, em 2004.

Segundo Valério, ex-secretário-geral do PT , Sílvio Pereira disse que o valor havia sido obtido por Bumlai junto ao Schahim e repassado ao empresário de ônibus, hoje dono do jornal.

O juiz Sérgio Moro lembrou em seu despacho que em 2004, segundo análise da Receita Federal, “Ronan teria adquirido 60% das ações do Diário do Grande ABC pelo valor de R$ 6.883.490,45”. Sérgio Moro relata ainda no texto que “a Receita Federal colheu alguns indícios de que parte dos valores do empréstimo do Banco Schahin a José Carlos Bumlai pode mesmo ter sido direcionada a Ronan Maria Pinto para aquisição de ações” do jornal DGABC.

Ronan negou em comunicado à imprensa. Ele diz que tem “total tranquilidade sobre as investigações que vêm sendo feitas no âmbito da Operação Lava Jato” e que “Não conheço José Carlos Bumlai; não conheço Marcos Valério. Não tenho ou tive qualquer relação com esses fatos”. Sobre a decisão da justiça de Santo André, disse que aguardaria a posição dos advogados.

Ronan é dono da Viação Guaianazes, que se chamava Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá, na época de Celso Daniesl, e da  ETURSA – Empresa de Transportes Urbanos e Rodoviários de Santo André, cujas linhas eram operadas pela Expresso Nova Santo André . A Expresso Nova Santo André teve origem na privatização da EPT – Empresa Pública de Transportes de Santo André, em 1997,e reunia vários empresários, sendo Ronan um dos principais.

Confira a decisão da Justiça que condenou Ronan, Klinger e Sombra

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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Ronan Maria Pinto, Sombra e Klinger devem recorrer em liberdade. Dinheiro de amigo de Lula pode ter ido para dono de ônibus e jornal

  1. Esperamos que a Operação Lava Jato consiga descobrir mais corrupções, pois até hoje não foi explicado o motivo da morte do Celso Daniel. Tanto que o PT evita tocar no assunto, mas a verdade vai aparecendo e o Lula indo para a cadeia.

    • Espero tmb q a situação toda envolvendo essa imunda traição, covardia e assassinato desse coitado aí…jogue alguma luz sobre o caso de Toninho do PT…finado Prefeito de Campinas -SP…e morto tmb mais ou menos nessa época, e a culpa jogada nos perueiros então clandestinos de Campinas e Região Metropolitana de lá…Meu Deus como o PT E AFINS são imundos! quanta imundície!

  2. O nome Ronan Maria Pinto não me é estranho, ele era sócio de uma extinta empresa de ônibus aqui de Fortaleza denominada Viação Angelim após a compra desta por um amigo de Celso Daniel em 2001 originando a Viação Costa do Sol extinta em 2004.

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