Diretor do metrô de Londres diz ter dúvidas sobre promessas de monotrilho em São Paulo

monotrilho

Monotrilho em São Paulo percorre trecho de 2,9 quilômetros. Todas as três linhas que somariam 60,1 quilômetros já deveriam estar em operação e atrasaram. Especialistas dizem que em algumas ligações, metrô pesado e BRTs poderiam ser mais indicados.

George McInulty afirmou que demanda prometida dificilmente é atendida por monotrilhos. O executivo elogiou a estrutura do metrô de São Paulo e disse que rede deve aumentar

ADAMO BAZANI

Em visita ao Brasil para participar da feira NT Expo -Negócios nos Trilhos, o diretor de Programas de Infraestrutura do metrô de Londres, George McInulty, não poupou elogios ao metrô de São Paulo.

Ele aprovou dos espaços das estações, plataformas e a comunicação visual.

O executivo foi do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, num ônibus da Airport Service, gerenciado pela EMTU, e depois seguiu até o local de hospedagem de metrô.

O Reino Unido foi o País homenageado no evento.

George McInulty disse que São Paulo deve investir mais em expansão de sistemas de trilhos, em especial no metrô de alta capacidade. Segundo ele, transporte público traz crescimento econômico, já que facilita deslocamentos melhores da mão-de-obra, requalifica o espaço urbano e cria regiões com mais investimentos e maior redes de serviços.

Enquanto Londres tem 11 linhas de metrô com cerca de 400 quilômetros, São Paulo possui 79 quilômetros distribuídos em cinco linhas.

Mas quando o assunto é monotrilho, o executivo disse ter dúvidas sobre se o modal realmente vai ser suficiente para atender a demanda que o governo do estado promete, principalmente para a linha 15 Prata, entre o Ipiranga e a região de Cidade Tiradentes. O governador Geraldo Alckmin declarou que o monotrilho na linha atenderá, quando totalmente pronto, 550 mil passageiros por dia, quantidade que nem alguns sistemas de metrô atendem e sem registros anteriores em monotrilhos.

“Um trem carregando 360 passageiros a cada 80 ou 90 segundos é difícil de conseguir em um sistema de metrô, e fica a dúvida sobre se isso será possível com monotrilhos. Eu espero que sim” – disse entrevista à Folha de São Paulo.

A linha 15 Prata deveria ter 26,7 quilômetros de extensão, 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes ao custo R$ 3,5 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Agora, o orçamento está 105% mais alto, com o valor de R$ 7,2 bilhões. O custo por quilômetro sairia hoje por R$ 269 milhões. A previsão de 9 estações agora é para 2018. Está congelado o trecho entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga. O governo do estado promete atendimento a uma demanda de 550 mil passageiros por dia

A linha 17 ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Hoje, o orçamento está 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2017. Atualmente, o custo por quilômetro seria de R$ 310 milhões. O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417 mil e 500 passageiros por dia.

A linha 18 Bronze deveria ter 15,7 quilômetros de extensão, com 13 estações entre a região do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista ao custo de R$ 4,5 bilhões com previsão de entrega total em 2015. Agora, o orçamento está 14% mais caro, chegando a R$ 4,8 bilhões, sem previsão de entrega. O custo hoje por quilômetro seria de R$ 305 milhões. Como as obras não começaram, especialistas defendem outro meio de transporte para a ligação, como um corredor de ônibus BRT, que pode ser até 10 vezes mais barato com capacidade de demanda semelhante.

O executivo também se impressionou com a quantidade de estacionamentos em São Paulo, o que para ele é um negócio lucrativo e indicativo de que os investimentos em transportes públicos não recebem a atenção que a população merece.

O diretor de Programas de Infraestrutura do metrô de Londres, George McInulty, disse que os sistemas de transportes devem ter participação efetiva da população e que é necessário facilitar o acesso aos serviços. Em Londres, por tecnologia de aproximação – contactless, é possível pagar as passagens nas catracas com cartão de crédito, sem a necessidade de um bilhete para transporte, segundo ele.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Diretor do metrô de Londres diz ter dúvidas sobre promessas de monotrilho em São Paulo

  1. Amigos, bom dia.

    O nosso problema e que aqui tudo querem fazer so sistema Penha – Lapa, ate no Aerotrem, e pelo que temos lido isto nao da certo.

    Deviam fazer Aerotrem para ligar o metro a pontos de grande movimento.

    Mas o importante e o aumento no$ cu$to$.

    Att,

    Paulo Gil

  2. De conversa fiada de especialistas estamos cheios, não precisamos de mais este papo do inglês.

    Útil mesmo seria ele promover um consórcio em PPP com fundos de bancos de fomento ingleses – tipo o nosso BNDES – para fazer as reformas pesadas e supercomplexas que o sistema metroferroviário paulista precisa: tipo reformar desde a base as vias permanentes das CPTM 7, 11 e 12 no trecho da capital.
    Os ingleses têm know how, competência e experiência e uma iniciativa assim teria boas chances de atropelar as eternas picuinhas políticas Estado versus municípios.

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