Transportes no Brasil devem depender menos do Petróleo, diz Observatório do Clima

caminhão poluição

Somente os segmentos de cargas são responsáveis por 46% das emissões de dióxido de carbono nos transportes. Para os deslocamentos urbanos e metropolitanos, solução está nos trilhos e em ônibus menos poluentes, como elétricos e híbridos. Foto: Transporta Brasil

Uso de diesel em ônibus e caminhões representam quase 40% das emissões de dióxido de carbono

ADAMO BAZANI

Altamente ainda dependo do óleo diesel, os transportes de cargas e de passageiros precisam mudar mais rapidamente as matrizes energéticas.

A recomendação do Observatório do Clima com base em dados de 2013 que foram divulgados neste ano alerta para a necessidade da expansão do sistema de trilhos, inclusive para os deslocamentos de cargas, de hidrovias e de uso de veículos sobre pneus cuja operação não agrida ou tenha menos impactos no meio ambiente, como trólebus, ônibus elétricos a bateria, ônibus híbridos, ônibus a células de hidrogênio, a etanol, biodiesel, diesel de cana ou biometano (gás obtido da decomposição do lixo).

De acordo com o relatório, no Brasil, 72% das emissões de dióxido de carbono são atribuídas à cadeia do petróleo, sendo que deste total de emissões, 39,8% são originados pelo óleo usado nos transportes, 20,3% na indústria, 16,5% na geração de eletricidade (apesar das hidrelétricas), e 6,5% para produzir combustíveis. Assim, ainda segundo o relatório, enquanto na maior parte do mundo a principal fonte de poluição é a indústria de carvão, o petróleo assume este papel no panorama brasileiro.

O petróleo correspondeu em 2013 a 81% do consumo de combustíveis no Brasil. O uso desta matriz subiu 5,6% entre 2003 e 2013. Somente o setor de transportes de cargas foi responsável em 2013 por emitir 97 milhões de toneladas de dióxido de carbono, correspondendo a 46% das emissões de poluentes de toda a cadeia de transportes.

Os ganhos ambientais obtidos pela queda no nível do desmatamento da Amazônia foram praticamente anulados pelas formas poluentes de geração de energia no Brasil.

Em 2003, o setor de energia correspondia a 11% das emissões totais de poluentes. Em 2013, era responsável por 29% da poluição.

O relatório aponta o maior uso de biocombustíveis como uma solução e um problema. Solução por ter impactos rápidos e de relativamente baixo custo na redução de poluentes. Problema porque a produção nacional pode não dar conta do recado. Hoje a demanda pelos biocombustíveis é de 25 bilhões de litros. Em 2020, este número deve ir para patamares entre 50 e 70 bilhões de litros por ano. Com isso, a necessidade de importação, em especial do etanol norte-americano, deve ser mais evidente, o que pode elevar os custos para os ônibus, caminhões e indústria, tornando o biocombustível menos atraente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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