Alckmin deve privatizar monotrilhos

monotrilho

Monotrilho em São Paulo deveria ter 60,1 quilômetros em três linhas. Mas até agora, são apernas 2,9 quilômetros de operação parcial em duas estações. Foto: Divulgação Governo do Estado de São Paulo

Medida é para tentar diminuir impactos financeiros pelos custos de operação do modal que ainda não tem operação plena em São Paulo. Incertezas técnicas também justificam

ADAMO BAZANI

O governo de Geraldo Alckmin estuda privatizar as operações dos monotrilhos das linhas 15 Prata (zona Leste) e 17 Ouro (zona Sul) para tentar minimizar os custos aos cofres públicos e os riscos de falta de capacitação tecnológica para este meio de transporte entrar em funcionamento, quando as obras forem parcialmente concluídas.

A informação é do jornal Folha de São Paulo. Segundo os repórteres André Monteiro e Eduardo Geraque, a conclusão parcial das linhas, que tiveram trechos e estações congelados sem previsão de retomada como nos projetos originais, ainda fica por conta do governo do Estado, mas a operação deve ser privada. Uma das alternativas é a remuneração por passageiro transportado.

A medida também diminuiria o quadro de pessoal que a Companhia do Metropolitano deveria ter e pode fazer com que eventualmente o operador compre mais trens quando necessário.

As três linhas de monotrilho prometidas para São Paulo sofrem atrasos de até seis anos e, se houver mesmo o cumprimento da nova meta do governo do estado, apenas 17 das 36 estações prometidas nas duas linhas e 21,9 quilômetros dos 44,4 quilômetros anunciados estarão em funcionamento até 2018. A linha 18 do monotrilho, prevista para servir o ABC Paulista, segue sem definição e especialistas defendem outro modal para o trecho, seja BRT – Bus Rapid Transit – corredor de ônibus de capacidade semelhante ao do monotrilho, mas podendo custar até dez vezes menos ou de fato uma linha de metrô de alta capacidade.

Os especialistas ouvidos nesta nova reportagem também contestam o monotrilho como viável para São Paulo. Apenas o especialista escalado pelo Metrô, do Governo do Estado, defendeu o modal plenamente:

“Era para ser rápido de implantar e mais barato, mas nenhuma das vantagens foi alcançada ” afirma Marcos Kiyoto, arquiteto e mestre em planejamento urbano. Ele avalia que houve um excesso de confiança nas vantagens da tecnologia. “É um sistema bastante peculiar, que não tínhamos domínio técnico no Brasil, e pouco domínio técnico no mundo.”

Para Peter Alouche, especialista em transporte que trabalhou décadas no Metrô, faltou debate. Em artigo na revista “Engenharia”, ele diz que apresentações feitas pelo Metrô “nunca responderam dúvidas que permanecem no consciente técnico coletivo”.

Já Epaminondas Duarte Junior, escalado pelo Metrô para falar sobre o monotrilho, diz que o sistema é eficiente e está em sintonia com vários outros pelo mundo. “Estudamos os sistemas do Japão e da Malásia antes de montarmos os projetos”, diz.

Para ele, ainda que não substitua o metrô, cuja demanda é maior, o modal é fundamental para a integração da rede de transporte.

Um quadro, comparando os diferentes tipos de modais, quanto a custos e capacidade, traz uma ideia das principais características dos meios de transportes. Os dados foram fornecidos pela própria secretaria estadual de transportes metropolitanos, pela Monorail Society e pelo consultor Peter Alouche à Folha de São Paulo.

– Corredor de ônibus simples: Capacidade de 10 mil a 20 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro inferior a US$ 5 milhões

– Corredor de ônibus BRT: Capacidade de 15 mil a 30 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões

– Monotrilho: Capacidade de 15 mil a 35 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões

– VLT – Veículo Leve sobre Trilhos: Capacidade de 15 mil a 35 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 20 milhões a US$ 60 milhões

– Metrô Leve: Capacidade de 25 mil a 45 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 40 milhões a US$ 80 milhões

– Metrô: Capacidade de 60 mil a 80 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões

MONOTRILHOS EM SÃO PAULO VÃO CUSTAR MAIS E TRANSPORTAR MENOS GENTE:

A linha 17 ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Hoje, o orçamento está 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2017. O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD.

A linha 15 Prata deveria ter 26,7 quilômetros de extensão, 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes ao custo R$ 3,5 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Agora, o orçamento está 105% mais alto, com o valor de R$ 7,2 bilhões. A previsão de 9 estações agora é para 2018. Está congelado o trecho entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga.

A linha 18 Bronze deveria ter 15,7 quilômetros de extensão, com 13 estações entre a região do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista ao custo de R$ 4,5 bilhões com previsão de entrega total em 2015. Agora, o orçamento está 14% mais caro, chegando a R$ 4,8 bilhões, sem previsão de entrega. Como as obras não começaram, especialistas defendem outro meio de transporte para a ligação, como um corredor de ônibus BRT, que pode ser até 10 vezes mais barato com capacidade de demanda semelhante.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

9 comentários em Alckmin deve privatizar monotrilhos

  1. É BOM Q FIQUE BEM CLARO A TODOS Q ESSA IDÉIA DE JIRICO DE ENCHER A CIDADE E A GRANDE SP DE MONOTRILHOS…FOI CONCEBIDA PELO GOVERNO DO ESTADO E A PREFEITURA DE SERRA E KASSAB E “KASSAB DE NOVO…”…OU SEJA ENTRE 2005 E 2012…EU MESMO SENDO UM “ZÉ NINGUEM”, PREFERIA MIL VEZES OS BRTs E OS CORREDORES CONVENCIONAIS DE ÔNIBUS…OU O VLT…MONOTRILHO É CHATO! CUSTA CARO PACAS E A MANUTENÇÃO É CARA TMB E TRABALHOSA! É GENTE…INFELIZMENTE COMO JA PERCEBEMOS NÃO É SÓ O MALDITO PT E SUA TURMA ASQUEROSA Q AFUNDAM ESSE PAÍS NÃO!

  2. O ideal aqui é terminar mesmo estas obras do Monotrilho, porém não botar em prática novos projetos em monotrilho até ver a eficiência destes quando prontos.

    Perdemos tempo demais com estas obras, fora as dores de cabeça das suspeitas de corrupção.

    A privatização não é uma má ideia, salvo engano, na verdade era para estas obras operarem em PPP (Parceria).

    O mal no Brasil é que qualquer obra de grande porte e feita pelo Estado é quase certeza de demorar para ficar pronta, ter sobrepreço e diversos problemas que justificam o atraso. Agora estão com as obras em início da linha que termina no Cachoeirinha. Imagine quando ela vai terminar, na situação atual.

    • Vagner, ainda bem que temos seu texto pra fazer acordar esta gente toda tirando conclusões sobre o que ainda nem está funcionando.
      NENHUMA novidade – por mais que a FolhaSP destaque me manchete – privatizar linhas metroferroviárias: já temos a Metrô Amarela e a CPTM Diamante, que aliás vem retornando bons resultados.
      Monotrilho são apenas 2 estações em 3km há poucos meses, sem nem sinalização operante.
      Incrível como tanta gente bota pilha pra ver dar errado, ao invés de pressionar pela evolução mais rápida das obras, testes de trens e sinalização.
      Por que este jornal e estes especialistas não comentam o desperdício da CPTM 10 do ABC, que está em projeto para a fundamental conexão com o monotrilho em Ipiranga? Talvez porque não “dá IBOPE”, como parece ser a intenção do Governo do Estado.

  3. Julio Jesimiel Gotardo // 13 de outubro de 2015 às 14:14 // Responder

    Perfeito,o Metrô de Salvador é todo privatizado . Não importa a cor do gato desde que ele cace o rato.

    • Julio J. Gotardo, boa noite.

      O problema é que esse gato é vegetariano e os ratos estão fazendo a vesta de norte a sul leste a oeste.

      Também depois de 20 anos de atraso do metro de Salvador; só privatizando mesmo.

      Os Aerotrens de Sampa estão indo para o mesmo caminho.

      Isso se der pra privatizar,porque paira no ar que há graves problemas técnicos e não sei não se de fáceis soluções ou se economicamente viável para o contribuinte é claro.

      Att,

      Paulo Gil

  4. Amigos, boa noite.

    O Aerotrem é importante e tem de funcionar e também tem de serem feitos outros.

    Não precisamos de estudos,chega de estudos.

    Precisamos é de ação.

    TRABALHO

    Antes que eu me esqueça:

    Trabalhar sim,TRIBUTAR NÃO.

    Att,

    Paulo Gil

  5. Esse governador e uma piada,porque não fez a obra já em PPP estilo a linha 18?Primeiro o dinheiro desviado e enrola a obra eterna,agora vem co messa conversa mesmo com atrasos absurdos,vergonhaaaaaaaaaaa.

  6. Esses monotrilhos são uma piada de mal gosto (bom, mais uma). Se fosse um BRT decente, talvez ja estive finalizado, mas os governantes tem que enfeitar as obras e vir com essas idiotices…E não adianta chamar isso de metrô pois isso não chega nem perto do que é um metrô. Se o METRÔ não chega, então que os outros incompetentes façam um corredor decente, mas não esses elefantes brancos que ja vai ter sua operação iniciada na capacidade máxima (provavelmente acima dela), custa uma fortuna e não chegará até onde se previa originalmente

  7. não existe mão de obra especializada ?
    este e o governo que cria fatec e paga professores com salários horrendos e não forma ninguém capaz de trabalhar no equipamento.

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