Empresas de ônibus de Curitiba vão entrar na Justiça contra nova tarifa-técnica

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Ônibus em Curitiba. Empresas vão entrar na Justiça contra nova tarifa técnica

Companhias falam em risco de atrasos do 13º dos funcionários

ADAMO BAZANI

As empresas de ônibus em Curitiba não gostaram nada da definição da tarifa técnica em R$ 3,21 pela Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., responsável pelo gerenciamento do sistema.

As viações prometem entrar na Justiça contra o novo valor. Elas querem uma tarifa-técnica de R$ 3,40.

A tarifa técnica foi reajustada na última terça-feira e estava há um ano e meio congelada em R$ 2,93.

Tarifa-técnica é quanto a empresa recebe de fato por usuário transportado. A tarifa para o passageiro continua sendo de R$ 3,30.
A Urbs alega que definiu o valor em R$ 3,21 porque descontou a amortização referente a 180 ônibus no sistema que já deveriam ter sido trocados porque ultrapassaram a idade limite de circulação.

Sobre este aspecto, as empresas dizem que não renovaram a frota porque há uma liminar ajuizada pelas operadoras na Justiça que mostra que a Urbs está descumprindo os contratos, não havendo condições de renovação plena.

Ainda em nota do Setransp, que representa as empresas, é dito que com o valor de R$ 3,21 há risco de atrasos nos pagamentos das folhas dos trabalhadores e do 13º Salário. O sindicato ainda diz que o real motivo para este valor é que a prefeitura está com problemas financeiros

Confira a nota na íntegra:

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informa:

  • Tarifa técnica a R$ 3,21

 As empresas não foram notificadas formalmente sobre a nova tarifa técnica. Porém, face à notícia publicada pela Prefeitura de que o valor é de R$ 3,21, elas informam, desde já, que tomarão as medidas judiciais cabíveis contra a fixação dessa tarifa técnica porque ela não cobre os custos do transporte. Tudo leva a crer que a Prefeitura de Curitiba fixou uma tarifa abaixo da que seria adequada em razão de sua dificuldade financeira. Isso tanto é verdade que, em novembro de 2014, o prefeito Gustavo Fruet já admitia, para vários veículos de comunicação, uma tarifa técnica a R$ 3,40 – considerando até subsídios à passagem para não onerar a população. Depois que o cenário econômico mudou, a Prefeitura abdicou de uma série de compromissos financeiros, não só para o transporte, haja vista o atraso nos repasses para a coleta de lixo, merenda escolar, obras, hospitais e até para funcionários da própria Urbs, com manifestações ou greves recorrentes em todos esses segmentos.

Além disso, a tarifa técnica a R$ 3,21 mantém a insegurança do sistema, com constante risco de as empresas operadoras não conseguirem quitar regularmente todos os custos da prestação do serviço – sendo que, como é sabido, a não quitação regular das verbas relacionadas aos funcionários pode impactar na continuidade da operação. É uma frustração também para a população, que, diante desse cenário construído pela Urbs, fica sem perspectiva de qualquer melhoria do sistema, pois não haverá recursos para isso.

  • Paralisações e greves

Como o valor da tarifa técnica noticiado pela Prefeitura é insuficiente para cobrir os custos do sistema, há forte receio por parte das empresas operadoras de que não conseguirão fazer o pagamento regular da folha e do 13º salário. Infelizmente, o sistema continuará vivendo na iminência de não conseguir pagar a planilha de custo, pois houve reajuste de todos os itens que a compõe, como pneus, peças, lubrificantes, etc. a Petrobras elevou em 4% o diesel.

  • Renovação de frota

A renovação de frota está parada por causa de uma liminar deferida na Justiça dentro de ação ajuizada pelas empresas operadoras em que demonstram que os contratos de concessão estão sendo descumpridos e pedem, portanto, que a Urbs cumpra as condições dos contratos. A fixação de uma tarifa que não cobre os custos do sistema só piora esse quadro.

  • Tarifa para o usuário

As empresas lamentam o posicionamento da Prefeitura de Curitiba e da Urbs, que buscam, de forma demagógica e marqueteira, mostrar-se ao lado da população quando atrelam a tarifa técnica à passagem cobrada na catraca. Ora, as empresas não defendem o aumento da passagem para o usuário. Seria até um contrassenso se fizessem isso, pois recebem por passageiro transportado – quanto mais alta a tarifa, menos pessoas nos ônibus. O que as empresas buscam é receber pelo custo efetivo do transporte e que se respeite o contrato. Se a Prefeitura quiser baixar a passagem e subsidiar o sistema, as empresas não veem qualquer impedimento. As empresas só não aceitam que se jogue nas costas delas o custo da tarifa para o usuário, cuja definição é de competência exclusiva do poder público.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Empresas de ônibus de Curitiba vão entrar na Justiça contra nova tarifa-técnica

  1. Amigos, boa noite.

    Tarifa técnica NÃO EXISTE.

    E agora com o “aumentim” do DieseLLLLLLLLLLLLLLLLllll

    Já esta tecnicamente desatualizada.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKkkkkkkkkkkkkk

    Que descompasso com a realidade.

    KKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Att,

    Paulo Gil

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