CPI aprova pedido de quebra de sigilo de advogado da família Constantino

Sacha Reck

Sacha Reck, advogado que prestou serviços para família de Constantino e representa sindicato presidido por família Gulin depôs na CPI dos Transportes do Distrito Federal. Suspeita é de que sua atuação na licitação do DF teria favorecido Constantino e Gulin. Foto: Isabella Calzolari/G1

Sacha Reck prestou depoimento em Brasília e negou que sua atuação na licitação do Distrito Federal favoreceu empresas de ônibus

ADAMO BAZANI

Com informações G 1

Parlamentares da CPI dos Transportes da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovaram nesta quinta-feira, 01º de outubro de 2015, pedido de quebra de sigilo telefônico do advogado Sacha Reck, réu num processo movido pelo Ministério Público que apura supostos favorecimentos a empresas de ônibus, em especial das famílias Constantino e Gulin, durante licitação do sistema de transportes da região.

Os parlamentares decidiram também pelo pedido de quebra de sigilo telefônico do ex-secretário de Transporte José Walter Vasquez, do ex-diretor do DFTrans Marco Antonio Campanella, de dez representantes de empresas de ônibus do transporte público da capital federal e de mais cinco pessoas, também pela suspeita de direcionamento da licitação.

Na sessão desta quinta-feira, marcada por debates e momentos mais tensos, Sacha entregou aos deputados documentos com dados fiscais e bancários pessoais.

Sacha Reck atuou na elaboração do processo de licitação, sendo contratado em 2009 para fazer uma consultoria que desenvolveu o projeto básico do certame.  Em 2012, Sacha foi contratado diretamente pelo Governo do Distrito Federal para julgar os recursos apresentados pelas empresas. A suspeita é que ao mesmo tempo em que julgava os processos, Sacha representava famílias donas das empresas que disputavam na mesma licitação.

Já a empresa contratada pelo Governo do Distrito Federal para elaborar o edital definitivo da licitação, Logitrans tinha como sócios o pai de Sacha, Garrone Reck, e o irmão do advogado, Alex Reck.

Entre as cinco vencedoras da licitação, três são de famílias para as quais Sacha Reck é apontado como prestador de serviços: Viação Piracicabana e Pioneira, da família Constantino e ligada, respectivamente, e Marechal, da família Gulin, do Paraná.

Aos parlamentares, Sacha Reck, negou que sua participação na licitação dos transportes do Distrito Federal foi irregular e que tivesse beneficiado empresas.

Sacha negou também que as empresas que participaram da licitação tenham sido clientes de seu escritório de advocacia.

Sobre a família Gulin, Sacha Reck negou representar a empresa de ônibus Marechal.

Sacha confirmou ser advogado do Setransp, o sindicato das empresas de ônibus de Curitiba e região metropolitana, entidade presidida por Dante Gulin, sócio da Marechal.

A respeito de uma procuração que o identifica como advogado da empresa de ônibus, ele disse que se tratava de uma ação coletiva.

“Posso garantir que em relação às empresas que participaram da licitação do Distrito Federal eu não tenho como clientes nenhuma das empresas que participaram da licitação, inclusive a Marechal nunca foi meu cliente, meu cliente é a Setransp, sindicato das empresas, e a Marechal é uma das 26 empresas que compõem o sindicato … Essa procuração era uma ação coletiva que estava no meio de outras procurações e isso não configura essa empresa como minha cliente. Nunca assinei contrato com a empresa Marechal. O presidente do sindicato é o Dante Gulin que é sócio da Marechal, mas meu cliente é o sindicato e nunca tratei com ele a questão da licitação do Distrito Federal.” – declarou Sacha que ainda disse que a procuração está sendo mal interpretada.

Já a respeito da família Constantino, Sacha admitiu que prestou serviços, mas não no Distrito Federal.

“Teve um caso em Marília. Eu já assessorei a empresa Transporte Coletivo Grande Bauru, que não participou da licitação [do Distrito Federal].”

Reck declarou que atua em estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. “Hoje, a maioria das minhas atuações é de acompanhamento das concessões. Sempre que as empresas querem discutir aspecto econômico, sou consultado e faço acompanhamento.”

A respeito das declarações de Wagner Canhedo Filho, na sessão de 24 de setembro de 2015, que na ocasião disse que se soubesse que ganharia a licitação a empresa que procurasse Sacha, o procuraria também, o advogado rebateu e disse que foram os “ex-permissionários” do sistema do Distrito Federal e pessoas “patrocinadas” que começaram a se movimentar com ele.

Canhedo Filho, dono da Viplan, operava no Distrito Federal.

“O que está acontecendo em todas essas ações é que o lobo mau está sendo vestido de chapeuzinho vermelho e isso vai deixar bem claro. As ações foram todas de ex-permissionários ou do Canhedo.”

A declaração revoltou a deputada Celina Leão, que já entrou com ação contra Sacha.

“Recebi várias denúncias e nada patrocinado. Na CPI de Curitiba o senhor disse que trabalhava com o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento]. O senhor tem que tomar cuidado com as falas do senhor porque são graves. Para fazer uma afirmação dessa tem que ter provas. Eu tenho uma ação e olha essa sua afirmação que todas as ações foram de permissionários ou de pessoas patrocinadas e eu tenho uma ação contra você. Eu tenho uma ação contra o senhor.”

Depois Sacha se corrigiu e disse que são as ações contra ele são de ex operadores do sistema de transportes e “pessoas patrocinadas por estas empresas”, com exceção da deputada.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

5 comentários em CPI aprova pedido de quebra de sigilo de advogado da família Constantino

  1. Nossaaaaa…….se essa cpi se expandir para São paulo sai faísca,pois a quem diz que Constantino nunca saíu da cidade de são paulo.Tem empresas com dedinho dele. O transporte urbano e rodoviário é um monopolio terrivel no Brasil,tudo por baixo dos panos.Uma empresa comendo outra de propósito e os funcionários e usuários que pagam o pato.

  2. João Ayrton Lambiase // 1 de outubro de 2015 às 20:12 // Responder

    É. mexer com Nenê Constantino e Canhedo, é mexer em vespeiro, os dois, principalmente Nenê dominam o transporte de passageiros, na realidade são seis grupos que dominam tudo: – Ruas, Constantino, Belarmino, Barata, Canhedo e JCA, este último, dono da Cometa, 1001, Catarinense, Rapido Ribeirão Preto, Expersso do Sul.A briga é feia.

  3. Espero que esta investigação realmente abra a “caixa de Pandora” dos transportes. Infelizmente, já é sabido de muitos que conversam sobre o transporte público brasileiro que os serviços hoje são feitos por grandes grupos, geralmente familiares e que vem de empresas antigas que instalaram os primeiros serviços de transporte no Brasil.

    Expor isso ao público e a grande mídia deixará mais fácil qualquer intervenção do governo para troca da gestão de frota e licitações que resultavam em fraudes.

  4. Amigos, boa noite..

    Uma perguntinha básica responde essa questão:

    O Governo do DF não tem departamento ou procuradoria jurídica ????

    Att,

    Paulo Gil

  5. MONOPÓLIO DISFARÇADO. O SOL NASCEU PRA TODOS!

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