Brasil pode aumentar PIB em R$ 609 bilhões se reduzir emissão de gás carbônico

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Trólebus em São Paulo. Ações como investimentos em corredores de ônibus e metrô, transporte público com matrizes energéticas mais limpas, agricultura de baixo carbono e uso maior de biocombustíveis poderiam fazer com que PIB do País cresça R$ 609 bilhões em 15 anos.

Investimento em transporte público foi apontado como essencial. Valor seria fruto de menores gastos com saúde pública e de maneiras mais eficientes de produção e prestação de serviços

ADAMO BAZANI

Em crise econômica e fiscal, o Brasil teme quedas maiores do PIB – Produto Interno Bruto para 2015 e 2016 e se vira para cortar gastos e até mesmo se cogita aumentar impostos dos cidadãos, com as discussões sobre a volta da CPMF, por exemplo.

Mas se o País adotar medidas mais proativas para a preservação do meio ambiente, até mesmo o aspecto econômico poderia melhorar.

E o Governo Federal sabe disso. Nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2015, o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas –FBMC apresentou um estudo em cerimônia do Ministério do Meio Ambiente – MMA que revela que agir de forma sustentável rende dinheiro.

Segundo o estudo, se o Brasil conseguir alcançar as metas mais ambiciosas de redução de gás carbônico, será possível aumentar o PIB – Produto Interno Bruto em R$ 609 bilhões entre 2015 e 2030.

Daria para chegar a este valor pela queda nos gastos com saúde pública e aumento da eficiência da indústria e na prestação de serviços que estas medidas resultariam.

Entre as ações apontadas como fundamentais, estão o uso em maior escala de biocombustíveis, incentivo do uso do carvão vegetal na siderurgia, expansão da agricultura de baixo carbono e investimentos em transportes coletivos para que mais pessoas deixem os carros e motos em casa.

No caso dos transportes, mesmo se a principal fonte energética dos ônibus continuar sendo o diesel, que é mais poluente que a gasolina, ainda haverá benefícios pelo fato de um ônibus comum poder substituir até 70 carros de passeio em uma única vez pela quantidade de pessoas atendidas.

Mas o estudo sugere fontes de energia mais limpas para os transportes, como gás natural, biocombustível e eletricidade, e sistemas mais eficientes e de capacidade maior, como o metrô e o BRT – Bus Rapid Transit – corredores de ônibus.

O trabalho denominado “Implicações Econômicas e Sociais: Cenários de Mitigação de Gases de Efeito Estufa (IES-Brasil)” contou com a participação e dados dos setores mais importantes da economia brasileira e teve apoio institucional do governo federal.

Os pesquisadores avaliariam os impactos da redução de emissões de poluentes sobre índices econômicos como evolução do PIB, taxa de desemprego o índice geral de preços, a taxa de investimento, o saldo da balança comercial e o consumo das famílias.

Foram traçados dois cenários: os resultados das ações no ritmo em que estão e os resultados caso o governo ampliasse as medidas de redução de emissões ao meio ambiente.

Medidas como corredores de ônibus, metrô, agricultura mais sustentável e ampliação de matrizes energéticas mais limpas podem aquecer a economia, segundo o estudo coordenado pelos professores Luiz Pinguelli Rosa e Emilio La Rovere, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O valor de R$ 609 bilhões foi obtido com base na cotação média do real frente ao dólar em 2005.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o estudo vai auxiliar o governo na tomada de decisões de investimentos.

Nos próximos dias, o Brasil deve apresentar a meta do índice nacional de redução de emissões (INDC, na sigla em inglês) à ONU – Organização das Nações Unidas.

O objetivo do organismo internacional é limitar o aquecimento global em até 2 graus.

No final do ano, em Paris, os 193 países signatários da Convenção de Clima da ONU devem realizar as negociações para que uma nova ordem climática seja estabelecida.

Em nota, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, admitiu que o Brasil deve apresentar metas mais modesta para, segundo ela, entrar em compasso com os países que teriam de investir mais para as reduções.

“Apesar do de otimista, reconheço que a negociação não será fácil por conta da polarização atual … A INDC que apresentaremos é coerente com os interesses do país e com o corpo técnico da Convenção”, justificou a ministra na nota.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

2 comentários em Brasil pode aumentar PIB em R$ 609 bilhões se reduzir emissão de gás carbônico

  1. A questão e quem enfrentara tudo pra fazer isso em SP por exemplo?Enfrentar as montadoras?A indústria do diesel?As tecnologias velhas?Duvido muito isso dar cetro,e muitas cidades menores mal tem transporte decente.

  2. Amigos, boa noite.

    Ou sai do poluente e entra no verde, ou o Planeta acaba, é um caminho sem volta e PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLL.

    Simples assim, isso é igual a estrada da vida; NÃO HÁ RETORNO.

    Att,

    Paulo Gil

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